Consumidor Classe C

Consumidor de opinião falsificada

Dia Mundial do Consumidor

Em primeiro lugar, já escrevi que tenho ojeriza por “dias” específicos de comemoração. Nesta data “comemora-se” o Dia Mundial do Consumidor.

Dia Mundial dos Direitos do Consumidor 
foi instituído pela primeira vez no ano de 1962, 
pelo presidente dos Estados Unidos John Kennedy, 
como uma forma de dar proteção aos interesses 
dos consumidores americanos.

O presidente norte-americano ofereceu 
quatro direitos fundamentais aos consumidores:

1 - Direito à segurança
2 - Direito à informação
3 - Direito à escolha
4 - Direito à ser ouvido

Fonte: Wikipedia

Logo após esta “ideia” do presidente estadunidense, protegendo seu povo contra produtos de outros países, a coisa tornou-se viral. Países periféricos que pensam que “… se é bom para os states é bom para nós …” embarcaram na onda. A ONU deu uma forcinha e criaram um dia mundial para países e populações que não tem a mínima noção do que significa marketing e marcas.

Consumidor Classe C

Setores especializados dividem o consumidor em classes. Normalmente, são cinco as principais: A, B, C, D e E, entretanto, existem segmentações dependendo da região de uma mesmo país. Em outras palavras, muita gente que pertence a determinada classe tem desejos de ostentar aquilo de uma classe “superior”. Muito comum em países como o Brasil em que o cara é classe C mas tem calça falsificada de marca consumida pela classe A. Neste sentido, profissionais de marketing agregam classes (e.g. Classe AB) para promover marcas e produtos, provocando frenesi na patuleia e desavisados.

Portanto, este tipo de consumidor pateta fica pensando que está ascendendo a uma determinada classe social da qual nunca vai deixar de ser serviçal. E os críticos a este meu texto dirão que estou com inveja.

Recentemente, o ex-presidente uruguaio fez um tipo de mea culpa ao declarar que “… Conseguimos, até certo ponto, ajudar essa gente (pobres) a se tornar bons consumidores. Mas não conseguimos transformá-los em cidadãos… ”. A “confissão” de Mujica, feita no contexto do que poderiam os governos latino-americanos, vale para o mundo inteiro.

Desta forma, com a explosão do comércio eletrônico no planeta, o consumidor ferrado e pobre se viu diante de um mundo de possibilidades. Este teleguiado, como se não bastasse a manipulação que aceita, nem imagina como é anti-protagonista da evolução como cidadão. Acha que porque tem um telefone com acesso à rede, virou consumidor, quando não passa de um espoliado.

Ideologia

Em suma, as redes sociais, especialmente as de troca de mensagens instantâneas (Face, Zapp, Insta etc, na linguagem dos “moderninhos”) proporcionou a ilusão de que estes representantes das classes C, D e E, são algum tipo de consumidor de produtos de marca.

Na realidade, são consumidores da industria da pirataria, da aparência de de ideias erradas ou falsificadas.

Assim sendo, a situação torna-se mais crítica no sentido de que, como disse Mujica, os governos formaram uma legião de consumidores de ilusão e de opinião falsificada. Não adquiriram e nem vão adquirir o espírito de cidadania que seria necessário a uma evolução e igualdade de direitos e deveres.

Marqueteiros em ação

De acordo com pesquisas de mercado, alguns personagens de rede social ganham uma grana extra para emitir opiniões consumistas. Uma destas influenciadoras ganha uma grana legal para fazer marketing de emboscada em eventos importantes e seus milhões de seguidores vão atrás do impossível para consumir. Apresentações de Powerpoint, mesmo mal feitas, influenciam o comportamento e disseminam “opiniões” mundo afora.

Por outro lado, o mercado negro da “opinião formada” tem grande futuro em mentes áridas de capacidade cognitiva e pensante. Vemos, a cada dia, a manipulação de ações feitas à distância. Usuários de aplicativos estão como usuários de drogas pesadas, após doses inicia “gratuitas” pagarão um preço alto.

Meus heróis morreram de overdose
Meus inimigos estão no poder
Ideologia
Eu quero uma pra viver
Ideologia
Eu quero uma pra viver

Cazuza - in O Poeta não Morreu

Enfim, não quero pegar os integrantes da Classe C como exemplo de consumidor de opinião e marcas falsificadas. Entretanto, como eles são maioria absoluta e se tornaram sonhadores ao invés de cidadãos. Estes pseudo-consumidores serão desidratados em suas parcas economias e servem como exemplo para o recado dado por Mujica.

Duro mesmo é quando consumidor de opinião falsificada não consegue nem ser eleitor das próprias necessidades.

 

Charge: NANI

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