Futebol Estadual

Futebol Estadual – A ´renovação`

O Retorno

Em primeiro lugar, obrigado aos que sentiram minha falta e dos posts no blog. Resolvi, alguns meses atrás, em função da confusão mental e social que estava constatando em muita gente próxima, dar um tempo. Alguns chamam este “tempo” de período sabático (do hebraico Shabat ou Sabá). Resolvi chamar de “recesso”, aproveitando a folga mais do que normal que parlamentares no Brasil, e o Poder Judiciário tiram de férias. Voltei às atividades do blog e em outros espaços (embora tenha trabalhado muito e nada de descanso). Escrevo sobre um tema festivo: o tal do futebol estadual, que tem defensores e opositores, sempre irracionais.

Por outro lado, vários foram os temas que me levaram a não cumprir o ritual sabático, alguns causaram indignação, como o crime (MAIS UM) de Brumadinho, que se junta à série “Não foi Acidente“.

Esperava que a Páscoa, enquanto manifestação de fé e renovação de esperanças permitisse que eu renovasse também as minhas esperanças. O meu Shabat serviu de aprendizado mas não serviu para renovar nenhuma esperança na humanidade. O desrespeito, a intolerância estão como uma bola de neve morro abaixo, sem freio e só crescendo.

O mundo acabou em 2012.

Assim sendo, retomo a minha trajetória interrompida (somente na disseminação das ideias pois não parei de escrever sobre nada) com um tema alegre. Para alguns é motivo de alegria, para outros de tristeza, infelizmente, intolerância, preconceito e desrespeito são presentes na editoria do futebol. E o futebol estadual vai sobrevivendo com a mídia fazendo seu proselitismo e defendendo “o leitinho das crianças”.

Futebol Estadual – Destaques 2019

Os campeonatos estaduais tiveram a maioria de suas decisões nesta semana que findou-se. Dessa forma, as competições estaduais que tiveram participações dos chamados “grandes” ganham destaque da mídia nacional bairrista e tendenciosa. O poder econômico dos anunciantes e patrocinadores, que envolve bilhões de recursos, não perdoa e não respeita o futebol fora do eixo. O futebol estadual, com formatos e regulamentos até esdrúxulos, é o exemplo final de que os 7 a 1, na Toca 3, não serviram de aprendizado para ninguém que se locupleta do futebol.

Os destaques não serão os mesmos que a maioria das pessoas vê nas redes sociais e mídia de massa. E a minha visão pode não agradar a muita gente, especialmente por destacar, em primeiro lugar, os que tenho maior consideração neste tipo de post. Mas vamos em frente …

Futebol Sergipano

Resolvi começar a homenagem, sobretudo para ser diferente de todos os que militam na chamada mídia esportiva, com um campeonato sem expressão (desculpem-me os sergipanos).

Inusitado e inédito é pouco para descrever esta competição de futebol estadual que tem pouca ou nenhuma projeção fora de Sergipe.

O ineditismo vem do fato que é o primeiro título deste time no estadual, numa decisão entre duas equipes do agreste (o adversário foi o Itabaiana). O time da cidade de Frei Paulo não possui nem três anos de vida e conquista um título. Ainda que, com todo respeito aos sergipanos, o campeonato daquele estado não possa servir de referência, mas é um campeonato de muito equilíbrio.

Jogaram na capital (Aracaju) e conquistaram o direito de ir à Série D do Brasileiro e participar da Copa do Brasil. O estádio da cidade de Frei Paulo tem capacidade máxima de 4 mil torcedores e fico imaginando se o time campeão estadual vai mandar algum jogo na sua cidade. Com uma população em torno de 15 mil habitantes, se tanto, fazendo um jogo em Aracaju, teria que mandar uns 5 mil habitantes (um terço) para a capital.

Vai ser curioso ver os jogos deste time no Brasileiro de 2020 e na Copa do Brasil. Mas acredito que a ruptura com modelos de gestão ultrapassados, que culminaram com a criação do Frei Paulistano, Parabéns Associação Desportiva Frei Paulistano campeã do Sergipão (pode isto, Arnaldo?).

Estadual Sul-Mato-Grossense

Primeiramente, peço desculpas a todos os sul-mato-grossenses (dois hifens é dureza!) por todas as vezes que confundi este estado com seu homônimo “do norte”. Mas falando do futebol estadual do Mato Grosso do Sul, as homenagens vão para o Esporte Clube Águia Negra, que conquistou seu terceiro título estadual em quase 47 anos de existência.  Se para um time da capital, de estados fora do Eixo é difícil tentar praticar o futebol profissional, imaginem para times do interior de estados que, muitas das vezes, nem estradas decentes possuem para ir jogar contra os adversários estaduais, quanto mais para jogarem competições nacionais.

Neste caso, mais uma disputa entre dois times do interior de um estado, talvez a força do futebol do interior esteja tentando mostrar alguma coisa para “grandes”, ex-grandes e muito time que vive de pompa e circunstância. E que habitantes de pequenas cidades, torcendo para seu próprio time e não para o time da TV, esteja promovendo a conscientização de que “não é apenas futebol”. Mais um time do interior de um estado da União que estará na Copa do Brasil e Brasileiro. Parabéns ao Águia Negra !

Futebol no Paraná

O campeonato paranaense entrou no grupo de destaque do futebol estadual por dois motivos: 1) A coragem do Athletico em ter jogadores Sub-23 como base para a disputa do estadual; e a disputa do time paranaense com a mídia pela transmissão dos jogos.

Disputaram o paranaense de 2019 o Athletico, Toledo, Coritiba, Londrina, Operário(PR), Paraná, FC Cascavel, Rio Branco(PR), Cascavel CR, Cianorte, Maringá e Foz do Iguaçu. Maringá e Foz do Iguaçu foram rebaixados e o Paraná, que frequentou a série A do Brasileiro, claudica. E tem coisas que somente o futebol brasileiro possibilita: uma mesma cidade, pequena, ter dois times na 1a divisão. Parabéns Cascavel, #SQN.

Parabéns, Furacão ! (não vou me acostumar tão cedo à nova grafia, sorry !

Baba na Bahia

Um campeonato que tinha tudo para terminar como outros do lero-lero. Entretanto, virou destaque somente pela disputa entre homônimos no futebol estadual do país. Não tenho nenhum registro de uma final entre equipes homônimas, se alguém tiver, cartas para a redação.

Um campeonato paupérrimo, com as equipes que monopolizam o futebol estadual em condições pouco favoráveis e diante de dificuldades que não seriam normais no estado que tem fama de grandes públicos assistindo partidas. Disputaram a competição Bahia (Baêa), Bahia de Feira, Atlético(BA), Vitória da Conquista, Vitória, Fluminense(BA), Jacuipense, Juazeirense, Jacobina e Jequié.

Baêa campeão, Vitória caindo pelas tabelas (parece ter sentido o Br´18), e um rebaixado: Jequié. Destaque para o público e performance do Atlético, da cidade de Alagoinhas. A média de público foi terrível para a maioria, não fosse a torcida do Bahia e da cidade de Alagoinhas, o futebol estadual baiano seria rebaixado à categoria de coadjuvante. Parabéns ao Bahia (Salvador) !

Futebol Estadual – Coadjuvantes

Futebol nas Alagoas

Fiquei em dúvida quanto a classificação para o futebol estadual das Alagoas. Está com um time na 1a divisão e teve na decisão final o confronto entre os dois maiores do estado, pelo menos historicamente: CSA e CRB. Disputaram a competição: CSA, CRB, Coruripe, Jacyobá, CEO, Murici, ASA e Dimensão Capela.

O campeonato da “sopa de letrinhas” (faltou o CSE) teve o CAS campeão e o Dimensão Capela Rebaixado. O menor estado da União com um dos menores campeonatos. Fica como coadjuvante. Parabéns CSA e bem vindo à 1a divisão do Brasileiro. Vê se não fica com as malas arrumadas para voltar para divisões inferiores.

Distâncias no Pará

O campeonato paraense é dos mais complicados do país, talvez o mais complexo. Não somente pela má fase quase secular em que vivem Remo e Paysandu, mas pelas longas distâncias e falta de recursos para o futebol no estado. Participaram da competição o Remo (campeão), Independente, Bragantino(PA), Paysandu, Paragominas, Águia de Marabá, Castanhal, Tapajós, São Francisco e São Raimundo(PA), sendo que este último foi rebaixado.

A situação do Paysandu, o “Papão da Curuzu” , o “maior campeão da Amazônia” é deplorável. Conseguiu garantir a participação no futebol estadual de 2020 e alguma Copa Verde, Norte, Nordeste ou Norte-Nordeste. Tá bom ou quer mais? Parabéns ao Remo !

Futebol no Distrito Federal

Acompanhei o futebol no Distrito Federal durante algum tempo, é bastante interessante ver jogos de equipes que a gente não torce e que lutam para disputar algum jogo nacional contra grandes times. Brasília tem um problema adicional pois pariu o maior e mais dispendioso estádio para a Copa do Mundo de 2014, os 7 a 1 foram “troco”.

Disputaram o Candangão o Bolamense, Brasiliense, Capital, Ceilândia, Formosa(GO), Gama (campeão), Luziânia(GO), Paracatu(MG), Real, Santa Maria, Sobradinho e Taguatinga. É isto mesmo, dois times de Goiás e um de Minas Gerais disputam o futebol estadual de Brasília. Quase que o Paracatu chega à final, já imaginaram um time mineiro sendo campeão do Distritão Federal ? Parabéns ao Gama !

Estadual do Maranhão

O futebol estadual maranhense teve como participantes o Imperatriz (campeão), o Moto Club, o Sampaio Corrêa, Maranhão, Pinheiro, São José(MA), Cordino e Santa Quitéria.  A competição estadual teve somente dois públicos acima de 1000 torcedores e o maior público de menos de 3 mil, simplesmente deprimente. Após a primeira fase as finais colocaram Imperatriz e Moto Clube frente a frente, campeão o Imperatriz da cidade homônima e o Santa Quitéria como rebaixado. Parabéns Imperatriz !

Pantanal no Mato Grosso

Quem imaginou que a Arena Pantanal seria a redenção do futebol mato-grossense, pode ir no setor de reclamação e detonar a cigana que leu a mão dele. Arena Pantanal, Mané Garrincha e Arena da Amazônia disputam o título de “elefantes brancos pós era medieval.

O campeonato foi disputado por Araguaia, CEOV, Cuiabá, Dom Bosco, Juara, Luverdense, Mixto, Operário-MT, Sinop e União. Pelo menos o Cuiabá está se aproveitando da Arena Pantanal e conquistando títulos estaduais, mesmo tendo pouco tempo de fundação. Juara e Operário(MT) foram rebaixados e Cuiabá campeão sobre o Operário de Várzea Grande (CEOV). Parabéns Cuiabá !

Cuiabá

Futebol no Piauí

É difícil, e aparentemente desagradável, mas tenho que falar. Não é possível esperar muita coisa de um campeonato de futebol estadual que o público acumulado do campeão é pouco mais de 10 mil torcedores e o maior público não chegou a  5 mil pessoas. Sim, é o estadual do Piauí. Fico até constrangido com a brincadeira-pergunta e resposta. Quem foi o campeão no Piauí? O Ríver !

Participaram Ríver (campeão), Parnahyba, 4 de Julho, Flamengo(PI), Altos e Piauí. Não existe rebaixados na competição. Parabéns Ríver !

Futebol Paraibano

Da mesma forma que em outros campeonatos de futebol estadual, a Paraíba teve dez times competindo e sete deles trocaram de técnico durante uma curta competição. Erro basilar.

Os participantes foram Botafogo(PB) (Campeão), Campinense, Atlético(PB), Nacional, Sousa, Treze, Perilima, CSP, Esporte(PB) e Serrano(PB), sendo os dois últimos rebaixados. A curiosidade do campeonato paraibano é que 4 (quatro) dos times não são da capital, mas sim de Campina Grande. O Botafogo conquistou um tricampeonato que não conseguia desde a década de 70 e possui agora cinco títulos nos dez últimos disputados. Parabéns Botafogo (PB) !

Futebol Estadual – Lero-Lero

Futebol estadual lero-lero são todos aqueles sem muita utilidade. Tipo competição em que chegaram na decisão os times com mais dinheiro ou os mais protegidos.

Os dirigentes dos clubes destes estados se mantêm no poder graças as benesses das federações e do suporte que oferecem à CBF et caterva. É toda uma estrutura (presente em todos os campeonatos) de tribunais de exceção, dirigentes de entidades estaduais, mídia “especializada” em futebol que se diz esportiva.

O futebol estadual nestas localidades não trouxe nenhuma surpresa neste ano de 2019 e dificilmente seus representantes nas competições nacionais serão surpresa. Não tem muito o que dizer destes campeonatos, servem tão somente para acirrar rivalidades citadinas e mostrar a estultice do torcedor local. Na maioria destes estados, times grandes do Eixo possuem mais torcedores do que a maior torcida local, o que é uma vergonha.

Santa Catarina

Pouco tempo atrás, os futebol estadual de Santa Catarina estava a um pequeno passo de ter quatro equipes na divisão de elite do futebol nacional: Avaí, Chape, Figueira e Joinville quase deram as cartas no Brasileiro. Teriam mai representantes do que Minas, Paraná e Rio Grande do Sul. Um feito inédito que não rolou e hoje vemos torcedores de alguns destes times comemorando rebaixamento do adversário. Um dia vão aprender que não é assim que funciona. Até lá, uma maioria continuará torcendo para times do RJ e SP.

Disputaram a competição estadual em 2019 o Avaí (campeão), Chapecoense, Figueirense, Criciúma, Marcílio Dias, Brusque, Joinville, Tubarão, Metropolitano e Hercílio Luz, estes dois últimos rebaixados. Nada de excepcional, a não ser troca de técnicos em oito times num grupo de dez, num período inferior a 60 (sessenta) dias. Parabéns ao Avaí !

Ceará

Um campeonato esquisito, talvez inspirado no Carioca, uma primeira fase sem os times principais do futebol estadual (Ceará e Fortaleza) e o campeonato de verdade. Uma curiosidade é que o tal Barbalha (nunca havia ouvido falar !), na fosse a primeira fase, estaria em apuros. Acabou por ganhar participação numa competição nacional, promovido à 1a divisão no ano passado, já tá “aprontando”.

Participaram Fortaleza (campeão), Ceará, Floresta, Guarany, Atlético(CE), Ferroviário(CE), Horizonte, Barbalha, Iguatu e Guarani(CE). Foram rebaixados Iguatu e Guarani, Barbalha conseguiu classificação para a Copa do Brasil em 2020 e deve ter dificuldades para mandar jogos na sua cidade num campo de futebol com capacidade de 3 mil torcedores.

O Fortaleza, dirigido pelo ex-goleiro Rogério Ceni, após ser campeão da Série B e voltar à elite, conseguiu vencer o rival e ainda provocou a demissão de Lisca “Doido”. Futebol regional tem destas coisas. Se o Rogério Ceni arriscar sair do Fortaleza pode dar um passo maior do que as pernas e deixar o Fortaleza à deriva. Parabéns Fortaleza !

Goiás

Um campeonato meio sem graça, certamente Igual a outros do futebol estadual do país, turno único de todos contra todos, após as quartas-de-final, semifinal e final. Esta receita tem agradado muitos times e mantêm os regionais no limites das tais “datas da CBF” para os regionais. E limita, completamente, a possibilidade da criação de “Ligas” estaduais.

Participaram Atlético(GO) (Campeão), Goiás, Goianésia, Crac, Vila Nova, Goiânia, Anapolina, Aparecidense, Grêmio Anápolis, Iporá, Itumbiara e Novo Horizonte. Vila Nova e Goiânia foram às semifinais a despeito da vantagem de Goianésia e Crac.  Rebaixados Itumbiara e Novo Horizonte. Parabéns ao Atlético (GO) !

Pernambuco

Quando falamos de futebol, temos que ter opinião, não dá para ser filho de chocadeira ou deixar de ter opinião para evitar desagradar adversários ou impressionar teleguiados. Bestas quadradas de mesas redondas fazem isto. No caso do futebol estadual de Pernambuco, é provável que eu cometa a maior injustiça ao colocá-los como lero-lero. Quem pensa que deveria estar na “elite”, nem sei se deveria (des)classificar como coadjuvantes.

Um estado em que a maioria dos torcedores são adeptos dos times estaduais (não cedem aos times do eixo) deveria ter melhor sorte. Já teve, hoje em dia não tem mais. A decisão entre Sport e Náutico é cortina de fumaça para um estado que teve estádio da Copa e cujos três principais times tem seus próprios estádios. E mostra para muito torcedor sem noção que ter estádio e torcida não significa muita coisa. Melhor deixar o futebol estadual pernambucano no lero-lero, por enquanto.

A competição teve dez equipes, quais sejam, Sport (Campeão), Náutico, Afogados, Salgueiro, Santa Cruz, Central, Vitória(PE), Petrolina, América(PE) e Flamengo(PE). Alguns times a maioria dos torcedores do sul “maravilha”, os que adoram Cartola FC, nunca ouviu falar. Mas a disparidade de Sport e Náutico para os demais, inclusive o Santa Cruz, é algo gritante. Alguns dos times não conseguiriam chegar à 1a divisão em muitos dos estados brasileiro. Pobre futebol estadual de Pernambuco. Parabéns ao Sport Recife !

Futebol Estadual – A Elite do VAR

O futebol estadual das regiões a seguir são aqueles que possuem os times considerados a “elite” do futebol brasileiro. É natural que a mídia, comandada pelos anunciantes e pelo poder aquisitivo da região Sudeste e Sul pague para que estes times estejam na pauta de todos os programas esportivo e da programação de todos os canais.

Embora consideremos aqui muito time grande que vive de história (alguma mal contadas), tem muito time fora destes estaduais que daria algum trabalho para algumas destas equipes “blindadas” pela mídia e CBF. Dos doze times destes estados, alguns deles não conquistam nada de expressão (nacionalmente) há alguns anos e, regionalmente, estão a vários anos sem saber o que é conquista regional. Não vale nem destacar pois a mídia só fala disso.

Destaca-se que estes campeonatos estaduais tiveram a inserção do VAR (ou Árbitro de Vídeo). O que causou celeuma e chororô entre os derrotados, inclusive nas semifinais. Engraçado é que a mídia, ameaçadíssima nas suas porcas opiniões, tem seus opositores e defensores do uso da tecnologia. Tem muito time por aí que vai ter seus árbitros contratados sendo questionados e desmentidos.

Vai vendo …

Rio Grande do Sul

Participaram do Gauchão 2019 as seguintes equipes: Grêmio (campeão), Internacional, Caxias, São Luiz, São José, Aimoré, Novo Hamburgo, Juventude, Pelotas, Brasil, Avenida e Veranópolis (estes dois últimos, rebaixados). Os times do interior até que fizeram um papel digno. Talvez contando com as equipes “B” dos dois grandes, quase protagonizaram uma surpresa, mas ficou no quase.

É mais um destes campeonatos de futebol estadual com turno, returno, ou não, chaves, contra-chaves, regulamentos e alterações decididas por “Conselhos Arbitrais” da pior espécie e cheio de interesses. Uma final entre Grêmio e Inter não é nenhuma surpresa. Entretanto, o fato de que as duas equipes da capital disputavam a Libertadores, paralelamente, colocou-os numa decisão que foi atípica. Depois de dois empates, uma decisão por pênaltis. Sem graça. Parabéns, Grêmio (e o time deveria baixar a bola pois a temporada tá começando e futebol estadual de duas equipes não é paradigma nacional ou internacional).

São Paulo

Disputado por dezesseis equipes, o futebol estadual mais forte do país, tem também quatro times grandes fortes: Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo. A vida das equipes menores não é fácil. A classificação final, depois de grupos, chaves, mata-matas etc, foi: Corinthians, São Paulo, Palmeiras, Santos, Red Bull Brasil, Novorizontino, Ferroviária, Ituano, Ponte Preta, Oeste, Guarani, Morassol, Botafogo(SP), Bragantino, São Caetano e São Bento.

Das dezesseis equipes destaco o Red Bull Brasil por ter ficado à frente de equipes tradicionais e ter dado algum trabalho para os “grandes”. Além disso, me agradou muito o futebol do Santos com o Sampaoli, fazendo-me acreditar numa equipe forte no Brasileiro´19. São Caetano e São Bento rebaixados não deveria ser surpresa para ninguém. Parabéns Corinthians (SP) !

Rio de Janeiro

É, sem dúvida, o campeonato mais confuso, de regulamento ridículo e mais complicado. Fases, chaves, grupos, taças e a tal de final. Um dia já ouvi de carioca a seguinte frase: “… campeonato sem final não é campeonato …“. Talvez Seja compreensível quando vemos que alguns dos “grandes” tem times ridículos e acabam campeões. Eles são contra pontos corridos pois a regularidade determina o campeão.

Nesta edição, tivemos um troço esquisito (que somente cariocas e e Rede Globo devem entender e apoiar). Tivemos Quadrangular de Rebaixamento, tivemos Taça Guanabara (Vasco campeão), Taça Rio (Flamengo Campeão) e Estadual Final (Flamengo Campeão). As estatísticas e números são uma verdadeira piada. Por muito pouco, o Flamengo poderia ser campeão sem ganhar a Taça Guanabara ou Taça Rio.

Participaram as seguintes equipes: Resende, Americano, América(RJ), Macaé, Nova Iguaçu e Goytacaz (Primeira Fase). Resende e Americano passaram à fase principal. América(RJ), Macaé, Nova Iguaçu e Goytacaz foram para o quadrangular da morte. Nova Iguaçu e Macaé entrarão na primeira fase do “Caixão 2020” e América(RJ) e Goytacaz foram rebaixados à Série B1 de 2019 (sim, podem voltar à primeira em 2020.

Flamengo, Vasco, Bangu, Fluminense, Volta Redonda, Cabofriense, Boavista, Botafogo, Resende, Madureira, Americano e Portuguesa-RJ disputaram o campeonato. Americano e Portuguesa-RJ disputarão a 1a Fase em 2020. Depois falam que isto é futebol de qualidade e sem bairrismos. Parabéns, Flamengo (RJ) !

Minas Gerais

Disputaram o ruralzão 2019, que oficialmente é chamado de Campeonato Mineiro SICOOB 2019 – Módulo I, doze equipes. Cruzeiro, Atlético(MG), América(MG), Boa, Tombense, Caldense, Patrocinense, Tupynambás, Villa Nova, URT, Guarani e Tupi, sendo os dois últimos foram rebaixados. O destaque fica por conta do retorno do Tupynambás, da cidade de Juiz de Fora que fez boas performances após anos afastado da 1a divisão do futebol estadual. As demais equipes são coadjuvantes que buscam ganhar algum dinheiro quando Cruzeiro ou Atlético(MG) jogam em seus domínios. Uma questão meramente financeira para os dirigentes do interior. E não adianta ninguém propor nada de novo pois o Conselho Arbitral tá “dominado”.

Parabéns Cruzeiro ! Pelo bicampeonato, pelo título invicto e mais de uma meia dúzia de feitos que estavam sendo vistos como “tabu” sem nunca ter sido. A diferença para o rival em termos de títulos estaduais vem caindo, neste milênio é, de longe, grande, e a mídia rural não consegue enxergar nada disso.

Futebol Estadual – O Resto

Algumas competições do futebol estadual deveriam prosseguir durante o ano inteiro. Certamente, quase todos os times não tem fôlego para mais do que 3 meses de futebol “profissional”. Sou crítico ferrenho destas competições estaduais, principalmente nos grandes centros, e das suas fórmulas e regulamentos.

Estes campeonatos terão atualização neste mesmo post, entretanto, continuarão na seção de “O Resto”. Eventualmente, alguns campeonatos do “Coadjuvantes” podem ficar no “O Resto” e vice-versa. Mas como mandam os dirigentes estultos de cada estado, apoiados por presidentes de clubes que se locupletam da paixão do povo, vida que segue …

Espírito Santo

Em primeiro lugar, o campeonato capixaba de futebol “… non ecsiste …“, que me desculpem os amigos capixabas que tenho e aqueles que aderiram ou adotaram aquele estado lindo como “de coração”. A situação deles é tão surrealista que o futebol estadual do ES decretou o primeiro rebaixado de 2019. O time do Espírito Santo Futebol Clube, terceiro colocado na temporada 2018, foi rebaixado antes da competição iniciar.

Confusão geral, e a decisão será entre Real Noroeste e Vitória. Disputado por Real Noroeste, Vitória, Rio Branco-VN, RIO Branco-VIX, Serra, Estrela do Norte, Atlético Itapemirim, Desportiva Ferroviária, Tupy e Castelo (estes dois últimos rebaixados. O campeonato pode não terminar com a partida entre Real Noroeste e Vitória pois o Rio Branco-VIX obteve decisão na Justiça Desportiva que pode melar tudo. E ainda falam em futebol profissional no ES, e tem até “segundona”. Piada pronta, né? Um futebol de segunda com segunda divisão.

Acre, Amapá e Amazonas 

Finalmente, agruparei estes campeonatos e apresentarei um resumão para posterior classificação e definição de campeões (se nenhum deles tiver decisão no Tapetão).

No Acre estraram na disputa do futebol estadual (não definem se á Acriano ou Acreano) dez equipes. Andirá, Atlético(AC), Galvez, Humaitá, Independência, Náuas, Plácido de Castro, Rio Branco(AC), São Francisco e Vasco da Gama(AC). Atlético Acreano e Galvez fazem a finalíssima e São Francisco e Náuas foram rebaixados.

Falar de futebol profissional no Amapá pode parecer algum tipo de bullying, e é algum tipo de brincadeira. A Federação estadual indicou o início da competição em 2 de maio, terá, possivelmente, a participação das equipes Independente(AP), Macapá, Oratório, Santana, São Paulo(AP), Santos(AP), Trem e Ypiranga(AP). Seis equipes estão sediadas na capital e duas na cidade de Santana. Três das possíveis participantes não atuaram em 2018. E pensar que muitos torcedores adoram ver os times do sul “maravilha” viajando até o Amapá para vê-los jogar. A curiosidade maior é que todas as equipes usam o “Zerão”. Talvez o único estádio de esportes do mundo com uma parte do campo em cada hemisfério.

No Amazonas a final entre Manaus e Fast era para ser realizada nos dias 13 e 20 de abril. Entretanto, a decisão foi suspensa pela Federação Amazonense de Futebol e pode tirar a possibilidade de título do Manaus e determinar suspensão da equipe. Tudo por causa do Nacional que questionou a disputa do Segundo Turno.

Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e Tocantins

O Campeonato Potiguar contou com a participação do América(RN), ABC, Globo, Potiguar, ASSU, Palmeira, Santa Cruz e Força e Luz(PB). A disputa da final do futebol estadual do Rio Grande do Norte será entre América e ABC. Numa competição com público presente de 50 pessoas, podemos dizer que as equipes não estão preocupadas com sua história. O ABC é a equipe campeã de campeonatos estaduais no país e pode ampliar esta vantagem. Equipes que já estiveram na “elite” do Brasileiro deveriam estar melhor organizadas e preparadas para ascensão.

Vilhenense e Ji-Paraná fazem a partida final do Campeonato estadual de Rondônia. Contando com Barcelona, Genus, Guajará, Guaporé, Ji-Paraná, Porto Velho, Real Ariquemes, Rondoniense, União Cacoalense e Vilhenense, foram rebaixados Guajará e União Cacoalense. Vilhenense não possui nenhum título e Ji-Paraná é o maior ganhador de títulos do estado.

Em Roraima o futebol está pela bola sete. Seis equipes, duas fases (Taça Boa Vista e Taça Roraima) e uma Finalíssima. Atlético(RR), Baré, GAS, Náutico(RR), Rio Negro(RR) e São Raimundo(RR) entraram na competição que teve o São Raimundo como campeão da Taça Boa Vista. Em disputa a Taça Roraima e depois a finalíssima. Vamos aguardá !

Assim como em outros estados constituídos após a CF/88, no Tocantins o futebol estadual é bastante incipiente. A competição vai perdurar até junho e tem a participação de Alvorada, Araguaína, Arsenal, Atlético Cerrado, Força Jovem, Interporto, Palmas, Sparta e Tocantinópolis. A coisa é tão ruim que o Gurupi, o maior ganhador de títulos do estado, desistiu da competição e o Sparta rebaixado. A Segunda fase tem 3 grupos com dois times com quatro equipes Indo à semifinal e duas à finalíssima.

O Retorno (Final)

Um post grande para este retorno. Espero que aqueles que não agradaram do texto, por que pensam diferente, manifestem-se de maneira apropriada ao debate de ideias. Não façam como os que ainda acham que os 7 a 1 não tem nada de pedagógico.

Aos torcedores me despeço com uma frase lapidar.

"Uma torcida não vale a pena pela sua expressão numérica. 
Ela vive e influi no destino pela força do sentimento".

Nélson Rodrigues

 

Imagem: Reprodução Escudopedia

P. S. – Reitero o pedido feito na página de “Advertências” deste espaço virtual. Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas. Coloquem aqui nos comentários ou na página do Facebook.

6 comments for “Futebol Estadual – A ´renovação`

  1. Luiz Antônio
    22/04/2019 at 18:15

    Muito bom.
    Criativo e interessante.
    Gostei.

  2. Mrr
    22/04/2019 at 19:36

    Concentrei me na introdução e na parte que trata do futebol do estado em que resido, RN. Parabéns pela iniciativa, e sobre o tal descanso das mídias, tenho feito o mesmo regularmente e digo que é a nova doença (anti)social.

    • 22/04/2019 at 21:34

      Bom. Este longo post foi para “voltar” … as redes sociais são um mal, em alguns casos, necessário. Aproveitei para falar sobre futebol de uma forma que não vi ninguém falando ou analisando. Mas vamos ver como repercute com algumas pessoas da mídia, especialmente a rural.

  3. Guilherme Mendes
    23/04/2019 at 18:39

    Parabéns pelo texto e pela bela pesquisa. Não é fácil levantar tantos dados. Muito bom, mesmo.

    Evandro, também acho que os estaduais já “deram”. A missão dos principais foi cumprida há tempos. Por outro lado (sem querer ficar em cima do muro), entendo que essas competições regionais tem ainda alguns aspectos sociais que merecem ser analisados.

    Se olharmos o número total de atletas profissionais no Brasil vamos ver que a maioria joga nesses clubes que a gente quase não ouve falar. Esse ponto precisa ser pensado com muito carinho.

    A manutenção dos postos de trabalho (além dos atletas tem ainda as comissões técnicas e demais funcionários) é fundamental para a sobrevivência de milhares de profissionais. No relatório de registros da CBF foram contabilizados 22.177 contratos de jogadores profissionais em 2018.

    Isso inclui os clubes de divisões secundárias que muitos estados.

    O segundo ponto são as torcidas. Em dezenas ou centenas de municípios brasileiros, a única bola que rola por lá é a dos estaduais. Os grandes times do Brasil não jogam sequer amistosos nesses municípios com seus times reservas. Como o brasileiro é apaixonado por futebol, vale a pena ter competições que atendam a esse público.

    Resumindo: ao mesmo tempo em que os certames estaduais se esgotaram para os “grandes”, os campeonatos ainda devem existir para contemplar torcidas menores e manter milhares de jogadores em atividade.

    Fundamental é mudar a forma de disputa dessas competições, sendo jogada apenas por quem não está nas séries A e B do Brasileirão. Talvez dê para tirar também os times da série C, mas teria que se fazer um estudo sobre o tema.

    Todo dia tem alguém sugerido fórmulas interessantes de estaduais enxutos. Acho algumas bem razoáveis.

    É importante lembrar também que competições muito curtas representam poucos dias de contrato para os jogadores. Não adianta planejar um campeonato com apenas três meses. O que os atletas vão fazer nos outros 9? Esse é um bom quebra cabeça.

    Já a televisão, que paga fábulas de dinheiro para mostrar os estaduais, anda colocando na balança se vale a pena continuar investindo no direito de transmissão. É sabido que a Globo também atravessa um período de queda de faturamento e cortes de custos. Se a emissora decidir abrir mão dos regionais, financeiramente os principais estaduais do Brasil se tornariam deficitários para os grandes clubes. Isso decretaria o fim do atual modelo.

    O assunto merece debates inteligentes e sem defesa de interesses pessoais e políticos, o que é difícil no nosso país.

    No mais, parabéns pelo texto. Seja bem vindo no retorno às páginas.

    • 23/04/2019 at 20:42

      Guilherme,
      Muito obrigado pelas considerações.
      Entendo que o formato de todos os regionais já deram o que tinha
      que dar e concordo que tem muitas sugestões, de diferentes formatos,
      que serviriam com as datas adequadas em função das agremiações de
      cada estado e as competições que disputam fora do Estado…
      A mídia (TV, Rádio, Jornal, Internet) de cada estado tem que cair
      na real… ou será a falência total.

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