Coworking Improdutivo

Coworking – Uma ideia nada inovadora

Escritório Compartilhado

Escrevi este post, anteriormente, com um determinado propósito, refiz tudo. A ideia é falar sobre coworking, co-working ou o nome que quiserem dar. Consiste num movimento retomado de conceitos e práticas antigas. Adotei a grafia sem hífen, mas referencio como escritório compartilhado, já que é proposta existente há muito tempo na administração.

Coworking

Coworking é o termo que passou a ser utilizado em meados dos anos 2000 pelos epistemólogos da gestão de negócios. Escritórios compartilhados, denominados coworking por volta de 2005, fazem parte do meu ideário colaboracionista desde antes de estudar administração.

É claro que os termos utilizados anteriormente não existiam, desde a administração científica e clássica. Entretanto, Muitas formas de organização assemelham-se nas suas finalidades e atribuições a um coworking dos tempos modernos. Cooperativas, consultórios, “bancas” de advogados, etc são exemplos de compartilhamento de infraestrutura e serviços. Uma decisão inteligente e não um modismo ou forma de rentabilizar sobre o trabalho alheio.

Após o movimento surgida na Califórnia (EUA) o que era obvio, começou a virar meio de vida para muita gente. Atuei com propostas de cooperativas e compartilhamento de espaços desde a minha graduação, completamente sem sucesso. No início dos anos 2000 estive na Califórnia e Vale do Silício e vi alguns iniciativas Interessantes mas somente com empresas relacionadas a TI. Desde as encubadoras de empresas, passando por lan houses aceleradoras e outros adjetivos “modernos”, a gestão e organização são antigas.

Não liguei os pontos !

Colaboração

Se bem que a proposta de que “… a união faz a força …” não é bem compreendida por quase todos os que se imaginam empreendedores ou grandes capitalistas do futuro. Atuar com empreendimentos de forma colaborativa é inatingível para quem quer viver de status, pompa e circunstância. E piora muito num país como o Brasil em que empreendedor de palco nem é gente e muitos ainda fazem questão de ter seus escravos de estimação e capitães-do-mato preferidos.

Trabalhar de forma colaborativa, cooperativa, participativa e quetais exige muito mais do que capacidade técnica estupenda. Exige visão que vai muito além de ser um empreendedor de sucesso. Conheci muita gente que tinha ótimos projetos em mãos e sendo totalmente incapacitado para fazer a gestão do projeto, não admitia parceria ou compartilhamento. Certamente são projetos fracassados desde o início e assim vão prosseguindo. Neste caso, existe uma condição que torna o projeto um fracasso retumbante, quando o idealizador tem dinheiro e coloca a tudo e todos para fazerem o que ele manda.

Enfim, coworking é uma concepção que muitos usam mas que não é entendida pela maioria das pessoas.

Modernidade

Tenho um plano de um coworking, que levaria a essência do compartilhamento a níveis que ainda não vi sendo oferecidos mundo afora. Tentei colocar este plano em prática a partir de uma experiência de uma amigo que não quis me ouvir quando estava pensando no “seu” coworking. Erro básico quando alguém vai montar um escritório compartilhado usando o pronome possessivo na primeira pessoa, é lapidar.

Firmei parceria com este amigo para tentar resgatar tudo que ele havia investido e tentar montar, a partir daquele embrião, uma prova de conceito moderna. A experiencia tem sido riquíssima, o embrião morreu mas a experiência colocou o projeto com muito mais qualidade e pronto para receber um investidor.

Nesta experiência conheci muitos profissionais que elevaram a questão do coworking a parâmetros bastante satisfatórios, entretanto, a maioria ou quase todos esbarrando em visões divergentes dos “associados”. Tive aulas gratuitas de excelente qualidade com a Bruna Lofego (idealizadora do CWK) com quem aprendi muito.

Regus x WeWork

Assim sendo, uma das discussões que já vi é sobre o maior coworking do mundo. Separei dois (Regus e WeWork) e visitei os dois. Os modelos são iguais e ser “melhor” depende do que você precisa e onde você precisa. O dinheiro gasto na estrutura de cada um, em cada local de franquia não determinado o “melhor”.

Em Belo Horizonte, tenho visto cada coisa que é escritório compartilhado mas os “donos” não usam esta nomenclatura. Por outro lado, tenho utilizado cada muquifo que se diz coworking que dá vergonha quando vemos que tem um administrador por trás do negócio.

Se bem que temos exemplos de coworkings maravilhosos, alguns são cinematográficos e deve ter consumido milhões e milhões de recursos. nem interessa se são funcionais, nem tampouco se são lucrativos, interessa o status. Uma lista dos cinco melhores do mundo (The Best Coworking Spaces in the World), feita no ano passado, é maravilhosa, mas não é para o bico de quem vive no Brasil.

Gestão Profissional

Da mesma forma que é exigido um projeto aprovado por engenheiro para uma obra, ou a assinatura de um contador num balanço, alguns tipo de negócio deveriam ter, como requisito básico, a assinatura de um administrador qualificado. É interessante ver gente “descolada” , com algum dinheiro disponível, fazer tanta merda como tem feito nos espaços denominados como coworking.

Outrossim, vejo com muita apreensão a questão do trabalho em casa (home work) que está na pauta da reforma trabalhista. Tenho acompanhado, um pouco à distância, algumas propostas de “donos” de escritório que projetam a modernidade colocando seus empregados para atuar desde a casa de cada um. Estamos preparados para esta mudança se nem os nossos escritórios compartilhados foram bem assimilados?

Um escritório compartilhado não é melhor ou pior do que outro em função dos recursos ou serviços que oferece. O que o faz ser diferente são as funcionalidades que o usuário de cada cidade, região ou espaço proporciona. Escritório compartilhado cheio de happy hour e gente descolada mostrando sua modernidade é ilusão de millennials. Em outras palavras, a ausência de interação e compartilhamento de ideias e coisas, não passa de um ajuntado de pessoas falando de outras pessoas.

Eu confesso

Sem dúvida, sou o exemplo vivo de um projeto fracassado e que está hibernando para ter sucesso. Se interessarem por um projeto com finalidade sócio-ambiental e empreendedora, cartas à redação. Absolutamente, nenhum coworking é igual o outro, as necessidades exclusivas de cada empreendedor e a capacidade de cada um destes em convergir são determinantes. Aceitar as diferenças, determinam as escolhas e possibilidades de sucesso do coworking e da cada empreendimento que ele abriga.

 

Imagem: Mercado em Ação

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