Arrependimento - O Mecanismo

O Mecanismo do Arrependimento

A Série

Escrevi, anteriormente, sobre a série “O Mecanismo” logo ao terminar de ver a primeira temporada. Fiquei sob ataque de muitas pessoas de esquerda, que ficaram indignados com algumas falas e esquetes da ficção. Foi em vão, tentando fazer com que todos vissem a série antes de falar e escrever bobagem. Agora, na segunda temporada, após o “arrependimento” declarado do diretor Padilha e vou ficar aguardando as repercussões. Padilha está decepcionado com o Moro (a quem chamou na série de Rigo). Padilha, vai se ferrar com seu arrependimento de merda.

Vou aguardar os comentários raivosos de parte a parte e de tolos que querem mostrar inteligência.

O Mecanismo Dominante

Naquele texto (“O Mecanismo Dominante Tupiniquim“) não tive tempo e nem interesse em discorrer sobre o enredo, possibilidades e nuances. Naquele momento, estávamos em pleno processo eleitoral pós-golpe e os “expertos” de redes sociais não são hábeis quando pensam. Da mesma maneira, pós-doutores, filósofos de boteco ou malucos não conseguem ter opinião própria.

Chamei de Mecanismo dominante, e não tenho nenhum arrependimento, porque tenho a certeza que a maioria das pessoas, não tem a mínima noção do que é uma democracia guiada transformada numa autocracia ditatorial das oligarquias.

Por outro lado, as redes sociais deram a “certeza” para todo mundo que todas as merdas que eles acreditam, compartilhadas pelos malvados favoritos, são a expressão da verdade.

Arrependimento

Decerto, não sei se infelizmente ou felizmente, a série foi preparada para ter prosseguimento. Seu encerramento ocorre num momento de grande comoção (eleições de 2018), logo após o processo de impeachment. A sequência da segunda temporada demonstra um certo arrependimento do diretor. Algumas falas ou situações mostram, com certeza, que o diretor e roteiristas, não gostaram dos resultados da primeira temporada. Portanto, cuidaram de fazer seus remendos, mas neste tipo de arrependimento, a emenda fica pior que o soneto.

A segunda temporada apresenta os mesmos personagens da primeira e inclusão com papéis mais relevantes de outros.

Como descrito na introdução de cada episódio “Este programa é uma obra de ficção inspirada livremente em eventos reais. Personagens, situações e outros elementos foram adaptados para efeito dramático.

Da mesma forma que escrevi sobre a temporada anterior, recomendo ver a série como uma ficção, fortemente baseada na realidade. Cada pessoa medirá a própria inteligência, e a capacidade do diretor, autor e atores a partir da associação das “verdades” que viu com as “verdades” dos episódios.

Arrependimento Específico

Fiquei impressionado até com algumas falas claramente colocadas nas bocas de alguns personagens que não é possível identificar com o mundo real e de outros identificados facilmente. O clima de arrependimento geral, na minha opinião, é uma coisa espantosa.

A segunda temporada não teve o esmero na produção que verifiquei na primeira, entretanto, achei o conteúdo mais apropriado ao “povão”. Como se não bastasse, observei que o “povão” não viu nem a primeira temporada e nem tinha notícia da segunda, parece que o Padilha e a TV Aberta vão ficar sem a opinião da “galera”.

Em suma, não sou de fazer spoiler, não vou reproduzir trechos ou falar do que achei certo ou errado, esta e aquela temporada são o que são, ficção com base fortemente real, com pitadas de arrependimento de que fez a parte 1 e a parte 2. Só uma passagem curiosa. A filha do Rigo (personagem que representa o Moro) pergunta a ele: – Pai você vai ser político? Qual a resposta dele? Não, não vou nunca. Acho este Padilha um irresponsável, ou isto é um abuso de licença poética. Taoquei?

Arrependimento Geral

Desde a publicação sobre a primeira temporada, por mais que eu venha tentando algum tipo de debate sobre o conteúdo e a produção tem sido inútil.  Vamos combinar uma coisa, ninguém quer debater nada, querem somente ter razão.

Ao mesmo tempo, estamos caminhando a passos largos para uma tragédia muito superior, maior, mais grave e mais aprofundada do que foi a farsa dos colloridos. É compreensível que todos aqueles que apoiaram Collor de Mello, apoiaram o governo golpista de Temer. Assim sendo, são os mesmos que não aceitaram a derrota do Neves e defenderam as tuitadas do Bolsonaro. Ou, ainda, são seguidores de Olavo de Carvalho e ajudam nos compartilhamentos de perfis falsos.

Enfim, os adoradores das fake news dirão que é tudo mentira em “O Mecanismo”. Dirão que arrependimento é uma palavra que não aparece em nenhum episódio e, talvez tenham razão (#SQN !) …

Sem dúvida, recomendo que vejam a primeira temporada, se não a viram, para depois verem a segunda. De fato, não invertam, e tentem tirar suas próprias conclusões seguindo a cronologia.

Esta é a nossa vida, é o passado, presente e o futuro, esqueçam analogias e comparações absurdas. Pensem !

 

Charge: Jota Camelo

P. S. – Reitero também o pedido feito na página de “Advertências” deste espaço virtual. Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas. Coloquem aqui nos comentários ou na página do Facebook.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.