Sermão da Montanha - Nani

Sermão da Montanha no terceiro milênio

Provérbio e Ditos Populares

Uma das coisas que a maioria das pessoas não sabe é a origem dos ditos populares e provérbios. As redes sociais potencializaram a ignorância, uma vez que todo mundo tem provérbio pronto para usar sem saber o significado. Quando alguém é pego numa falácia (aka mentira, mentirinha ou pura estupidez) preferem dizer: tô zoando. Entretanto, alguns ditos populares revelam toda a ignorância, incompreensão do mundo e incapacidade das pessoas aceitarem a própria ignorância. Tenho ouvido muitos destes provérbios e quando tento argumentar sou repelido com explicações e argumentos pueris. Um dos ditos que tenho ouvido é o tal “… não me venha, mais uma vez com um sermão da montanha…”.

É muito entristecedor ouvir este tipo de desculpa. Pior é sentir que o(a) interlocutor(a) não consegue ou não tem coragem de verbalizar esta desculpa.  Mas pensa e age na mesma linha de intolerância a algum “sermão da montanha”.

Sermão da Montanha

A princípio, o Sermão da Montanha é atribuído a Jesus, onde profere discursos com lições de conduta moral e ética. Estes discursos, transcritos nos Evangelhos de Mateus e Lucas, indicariam princípios da vida cristã. Tipo os mandamentos, onde está escrito “Não Matarás” e que muitos cristãos matam e defendem armamento e matanças.

Em outras palavras, o evangelista Mateus apresentou Jota Cristo como um novo Moisés, e o sermão nem deve ter sido feito numa montanha, mas num lugar alto, para contrapor aos mandamentos de Moisés, recebidos no Monte Sinai.

Em suma, originalmente, o Sermão da Montanha tem origem na Bíblia, e o que dizem cristãos e não cristãos, metaforicamente ou não, tem a ver com ditos e provérbios populares.

Sermão do Diabo

Por outro lado, Machado de Assis, escreveu seu “Sermão do Diabo”, para contrapor ao “Sermão da Montanha”, com uma justificativa interessante e bíblica. Dizia Machado de Assis no original (in A Semana – Gazeta de Notícias – 04/09/1892): “… Santo Agostinho dizia que “a igreja do Diabo imita a igreja de Deus”. Daí a semelhança entre os dois evangelhos…”.

Sei que muitos cristãos se apresentam como servos fieis aos “Dez Mandamentos” e ao “Sermão da Montanha”, só que não praticam nem um e nem outro.

Por outro lado, Machado de Assis foi de uma felicidade ímpar, ainda no Século XIX, quando escreveu no seu sermão do diabo “… 30. Todo aquele que ouve estas minhas palavras, e as observa, será comparado ao homem sábio, que edificou sobre a rocha e resistiu aos ventos; ao contrário do homem sem consideração, que edificou sobre a areia, e fica a ver navios…”.

Parafraseando Machado de Assis, digo que não se apavorem as almas católicas, cristãs e qualquer outra alma que vive no mundo das redes sociais e grupos de inúteis.

Quatro Verdades

Em primeiro lugar, costumo fazer pesquisas gerais quando vou construir um post como este. É o medo de cometer grandes equívocos e que a justificativa não caiba no “to zoando”. Para o tema “sermão da montanha” esbarrei em algumas coisas que eu não conhecia.

Numa delas foi o tema “Quatro Verdades” propaladas pelo Budismo.

Neste contexto, gostei de uma frase no Blog TUDO POSITIVO que diz: “Assim como As Quatro Nobres Verdades do Budismo o Sermão da Montanha do Cristianismo, de acordo com algumas opiniões é coisa de principiante, coisa fácil de entender.”. Entretanto, parece que coisas simples de entender não são praticadas pelas pessoas, que continuam a criticar de forma jocosa o que dizemos ou escrevemos.

Minhas Verdades ou meu Sermão da Montanha

Acredito que, em outras palavras, tanto o sermão da montanha, como o sermão do diabo e até as quatro verdades do Budismo estão aí para mostrar que podemos ajudar as pessoas, desde que elas se ajudem.

No meu caso, quando repito alguma coisa é porque depreendi que a pessoa que recebeu o primeiro “sermão”, não entendeu nada do que eu disse ou escrevi. E não demonstrou nenhuma iniciativa e interesse no assunto, daí tenho ficado meio sem paciência com estes ímpios. Da mesma forma, quando mostramos alguma questão que não é de conhecimento do receptor da mensagem, temos um grave problema de comunicação que exige a repetição. E que não é de responsabilidade de quem emite a mensagem.

Ultimamente, estou abandonando reclamões que falam de sermão da montanha e não me ouvem.

Acredito que já estou perto de subir a montanha.

 

Charge: Nani

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