E agora, José ?

E agora, José ?

Drummond

Em primeiro Lugar, este post mistura muitos assuntos e será publicado em dois espaços virtuais diferentes. É destinado àqueles que param, sabem ler e pensam sobre o que leram. Nada está nas linhas, tudo nas entrelinhas, cada um que tire a verdade da poesia, da prosa, dos versos e dos posts de gente metida a escritor (meu caso!). Uso o poema “E agora, José ? pois parece-me mais do que apropriado.

Carlos Drummond de Andrade, que diziam ser cruzeirense, era vascaíno. Pior para ele que sabia escrever mas não sabia escolher time de futebol. “E agora, José” foi um poema publicado, originalmente, em 1942 (que baita coincidência !) e inspirou título do livro “JOSÉ”, reproduzido nos anos seguintes.

Neste livre pensar e escrever, utilizarei das estrofes de outros poemas de Drummond, para repetir a pergunta musicada por “Paulo Diniz“.

Tristeza no Céu – E agora, José ?

A imensidão azul tem uma constelação que se destaca, o Cruzeiro do Sul, o Cruzeiro do mundo.

Excerto do poema Tristeza no Céu

No céu, também, há uma hora melancólica
Hora difícil em que a dúvida penetra as almas
Por que fiz o mundo?
Deus se pergunta e se responde: “Não sei”

Meu Deus ! Estamos numa hora que vai muito além das dúvidas e nem Deus sabe porque fez assim. Será que o fim do mundo ocorreu mesmo em 2012?

O Lutador – E agora, José ?

A luta á árdua, ninguém disse que seria fácil

Diante de lutas inglórias e adversários difíceis, a introdução do poema O Lutador, cabe como uma luva em nossa história de torcedor, que nunca sofre, e que sempre luta.

Lutar com palavras 
é a luta mais vã.
Entanto lutamos
mal rompe a manhã.

O Boi – E agora, José ?

Nenhuma analogia parece ser mais apropriada. Pensei em Zé Ramalho (o nome dele é José !) e seu “Admirável Gado Novo”, mas como tenho um certo estranhamento com o uso da palavra “novo” em tempos recentes, resolvi usar algo na linha do “E agora, José”. O gado é o mesmo, não tem nada de novo, tem de histórias repetidas como farsas e tragédias, duas estrofes com elevado simbolismo.

Ó solidão do boi no campo,
Ó milhões sofrendo sem praga!
Se há noite ou sol, é indiferente,
A escuridão rompe com o dia.

Ó solidão do boi no campo,
Homens torcendo-se calados!
A cidade é inexplicável
E as casas não têm sentido algum.

Entretanto, tenho que finalizar com o Zé Ramalho …

E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa parecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer

Mão Suja – E agora, José ?

Além disso tudo, um conhecido, que falei sobre esta ideia, deste post, neste momento, duvidou que os títulos aqui eram de poemas de Drummond. Além disso, ele fez algumas recomendações que resolvi seguir, de acordo com o livrinho de boas maneiras e hipocrisia digital. Costumo dizer que a vida de torcedor de times de futebol no Brasil não é fácil e que tem torcedor que não entende muito de nada. As redes sociais deram palanque a todos, ficou pior que mesa de boteco, em que era bem restrita a participação.

Esta estrofe diz muito …

Inútil reter
a ignóbil mão suja
posta sobre a mesa.
Depressa, cortá-la,
fazê-la em pedaços
e jogá-la ao mar!

E agora, José ?

Assim sendo, fiquei pensando no que escrever quando deparei-me com denúncias, notícias, fake news, posicionamentos estranhos de domingo até hoje. Certamente, que eram estranhos para a patuleia. Impressiona, por analogia, como na música de Zé Ramalho que diz “… O povo foge da ignorância, Apesar de viver tão perto dela …”.

Será que em tempos de redes sociais obtusas e rasteiras o povo tenta fugir da ignorância ou, por outro lado, adora viver pertinho dela?

Enfim, perguntas e estrofes podem ter muitos significados, depende de como se quer ler e entender.

Desse modo, uma vez que tem muito blá blá blá e nada é respondido, repito a pergunta: E agora, José?

P. S. Este texto é somente um livre pensar, carapuças podem ser enterradas, mas não sou responsável por nenhuma delas.

 

Bônus do Contra

Para não dizer que não externei minha opinião, e para aqueles que não entenderam nada, um outro poema, não de Drummond, mas daquele que disse, com extrema precisão: A Burrice é Invencível.

Poeminho do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

( Mario Quintana )

 

 

Image: Reprodução Internet

P. S. – Reitero também o pedido feito na página de “Advertências” deste espaço virtual. Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas. Coloquem aqui nos comentários ou na página do Facebook.

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