Depressão - Não foi Acidente

Depressão – Não foi Acidente

43 Meses de Depressão

Anteriormente, nesta mesma data em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente, publiquei post (A Arte na Lama) associando a data ao crime de Mariana. Nos últimos meses o crime de Mariana ficou patente e os criminosos procrastinam, usurpam e comentem outros crimes. Recentemente, a depressão e outras doenças pós-traumáticas, que afligem os atingidos pela lama entrou na pauta da mídia, para desespero dos déspotas esclarecidos e seus “paus mandados” capitaneados pela RENOVA.

Estes últimos 43 meses tem sido, sobretudo, de pura desesperança, e aí aparece uma pedra no meio do caminho (Brumadinho). Afinal, esta “pedra” tem feito muita gente esquecer-se do crime de Mariana. Na data de hoje, vi com uma ponta de esperança, várias matérias publicadas no Bom Dia Minas (aka #BDMG). Estas matérias versavam sobre o Meio Ambiente e os crimes de Mariana e Brumadinho, além das ameaças de dezenas de represas espalhadas por Minas Gerais. Alguns depoimentos provocam em mim um misto de esperança e elevada indignação.

Com toda a certeza, se todo mundo fosse mineiro, de verdade, não estaríamos pedindo ou sugerindo que a Vale seja “constrangida” com petição online pedindo um Memorial, estaríamos exigindo a prisão e indenização das vítimas e dos mineiros. Infelizmente, existem mineiros coniventes e alguns pusilâmines que ainda defendem criminosos com desculpas inadmissíveis. Uma petição pedindo prisão dos dirigentes da VALE e criminosos responsáveis recebeu milhares de assinaturas, mas foi inócua. Entendo, e sou solidário a todas as vítimas, entretanto, o povo brasileiro ainda não entendeu a gravidade destes crimes.

Em suma, absolutamente nada a comemorar nesta data “querida”.

Memória da Depressão

No dia 26 de fevereiro de 2016, pouco mais de noventa dias após o crime, publiquei meu primeiro texto sobre o crime ambiental e contra a vida de Mariana, cometido pela Samarco e suas controladoras. Eu estava numa espécie de depressão pois via a mídia e muitos brasileiros esquecerem do assunto.

Dizia eu naquele texto:

Uma barragem da mineradora Samarco localizada no município de Mariana (MG), 
rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015, deixando um rastro de 19 mortos. 
O maior desastre ambiental, não natural, do Brasil, quiça do mundo, nos últimos tempos. 
Não foi devido a força da natureza ou acidente natural. 
Era a crônica de um crime anunciado, logo, não foi acidente.

E me faço a seguinte pergunta: O que mudou desde então? Serviu de aprendizado? Parece-me que não serviu de nada. O nível de depressão não diminuiu e virou indignação, assim com a narrativa do Skank em “INDIGNA NAÇÃO”. Não temos uma nação indignada nem com a depressão de nossos irmãos conterrâneos. Estaria certo o poeta sobre a solidariedade do mineiro ou a maldade de Nélson Rodrigues virou lema de muitos mineiros ?

Desde então, tenho mais de cinquenta textos escritos sobre o tema. Era para ser quinzenal, desanimei, decidi publicar todo dia 5 (coincidência do acidente e do dia mundial do Meio Ambiente), desanimei. Talvez eu esteja sendo atingido mortalmente pela depressão que assola aqueles que tentam abraçar causas nobres e se vêm tolhidos em tudo e por todos.

Depressão Coletiva

Retomo a publicação de artigos com este, inédito e que revisei após ver o excelente especial exibido no telejornal Bom Dia Minas (#BDMG). Os depoimentos são consistentes, fortes e fico impressionado com a resiliência de muitas pessoas. Não posso deixar-me vencer pelo desânimo e pelo diversionismo dos criminosos, seus asseclas e vassalos.

Não me rendo e nem me vendo. Apresentei projeto à RENOVA para tentar mitigar a quantidade de desesperança e depressão que assola oa atingidos. Não se dignaram nem a discutir ou pensar em propor alternativas às novas formas de produção e produtividade. Enquanto isto, serviçais destas oligarquias, ficam apontando seus dedinhos sujos na direção dos atingidos.

Como se não bastasse, o que aconteceu com atingidos de Mariana, está prestes a acontecer com atingidos de Brumadinho, mais forte, com maior intensidade e gravidade.

E pensar que, mesmo que este quadro trágico, os criminosos estão soltos. Multas não são pagas e migalhas são distribuídas. As vítimas e todos os atingidos não podem retomar suas vidas e a tragédia aumenta. E a Vale ainda tem processos “sigilosos” em que pleiteia o domínio em todas as áreas degradas, para tirar mais minério, e não permite que equipes de TV vejam o que ela está fazendo.

Drummond

Ah ! se todos fossem mineiros de verdade. Entenderiam o sentido de “mineirar”, entenderiam Drummond, entenderiam o “mineirês”. Saberiam, precipuamente, que o “Pico do Cauê” saiu daqui de Minas Gerais, e deixaram um buraco de miséria e depressão.

E pensar que tem muito mineiro, e até itabiranos, que colocaram “na conta” do poeta esta estultice coletiva que assola brasileiros e mineiros. Como se Drummond, em sua poesia, não tivesse sido suficientemente claro sobre o CRIME que estamos vivendo desde Muitas décadas atrás.

Quem dera, todos fossem mineiros de verdade ! ! !

Dedicatória

Dedico este texto, especialmente, aos habitantes de Barão de Cocais, Brumadinho, Itabira, Mariana, e São Gonçalo do Rio Abaixo. Em todas estas cidades, tenho ligações afetivas, pessoais e familiares. Não vamos deixar que outras cidades e outras pessoas caiam na depressão que estão nos impondo.

Enfim, vamos reagir !

 

Imagem: Agência B8 – Estadão

P. S. – Reitero também o pedido feito na página de “Advertências” deste espaço virtual. Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas. Coloquem aqui nos comentários ou na página do Facebook

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.