Jornal A Sirene

A Sirene – Não foi Acidente

A Sirene

Em primeiro lugar, pouco mais de um ano atrás, publicizei um texto com o título “Não foi Acidente – A Sirene“. Naquele momento, tecia loas e falava sobre as sirenes não oficiais que começavam a mostrar uma resistência. Minha expectativa é que aquele fosse um sinal de que as pessoas começavam a pensar no crime cometido pela Samarco. E, certamente, não devemos nos esquecer das suas controladoras (Vale e BHP) cúmplices nos crimes cometidos.

Os títulos trocados não são nenhuma pegadinha, era para ser um fio de esperança, ledo engano !

Publiquei uma reprodução do texto de Gustavo Nolasco (Sirene de Luta) sobre a alegria dele em retornar às origens e contribuir com A Sirene, o jornal de protesto que se apresentava como porta-voz contra os criminosos. Agora, volto a outro texto do mesmo autor, desta feita para ajudá-lo no pedido de socorro ao “A Sirene”.

A Sirene soou

O alarme deveria ter soado em Mariana, conforme manda a lei feita por quem não sofre com este crime. A sirene deveria ter soado em Brumadinho a tempo de que vidas pudessem ser preservadas. A sirene tem soado em Barão de Cocais, Nova Lima, Ouro Preto e em outros locais. Em cada um deles, existe o temor de que mais um crime esteja sendo praticado, e fique impune, em nome do progresso, da exploração humana e mineral.

Desta vez, o chamamento é para que “A Sirene” não silencie. O acordo firmado em Arquidiocese de Mariana, o Ministério Público e a Comissão de Atingidos, que garantia o funcionamento do espaço “A Sirene” encerrou-se. O alarme deveria estar gritando alto e em bom som.

Da mesma forma que pensa o Nolasco, eu penso e foi o que me motivou a escrever esta série, desde fevereiro de 2016. O silêncio da sirene é um prenúncio de que Mariana e suas vítimas podem cair no esquecimento. Assim como Brumadinho começa a sofrer com abusos, oportunistas e golpistas, Mariana e sua população, especialmente os atingidos diretamente pelo crime, estão à mercê das esmolas e caridade dos poderosos e oligarquias.

Caridade não nos interessa

A luta dos atingidos de Mariana não é, do mesmo modo, somente das vítimas diretas deste crime desumano. A luta é, também, dos que não foram atingidos diretamente pelos criminosos e pagam o preço do silêncio.

Nenhum direito é adquirido graciosamente, portanto a luta é eterna e não adianta nos preocuparmos com diversionismo quando a tragédia está aí. As vítimas estão espalhadas desde Mariana até o Oceano Atlântico.

Enfim, a Sirene não pode se calar.

Leia a edição completa da mais recente e espero que não seja a última, do A SIRENE.

Precisamos, ao mesmo tempo, que todos cidadãos, verdadeiramente humanizados e de bem, nos ajudem a ajudar.

Dedicatória

Dedico este texto, da mesma forma que o texto do ano passado, aos habitantes de Barão de Cocais, Brumadinho, Itabira, Mariana, e São Gonçalo do Rio Abaixo. Em todas estas cidades, tenho ligações afetivas, pessoais e familiares. Não vamos deixar que outras cidades silenciem suas sirenes.

Em suma, vamos reagir, vamos gritar, vamos soar todas as sirenes do planeta ! ! !

 

Reprodução: A Sirene

P. S. – Reitero também o pedido feito na página de “Advertências” deste espaço virtual. Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas. Coloquem aqui nos comentários ou na página do Facebook

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