Profissionalismo em Vertigem

Profissionalismo em Vertigem

Democracia em Vertigem

Em primeiro lugar, a adjetivação feita ao termo profissionalismo, está diretamente relacionada ao título do filme Democracia em Vertigem, produção brasileira  da Netflix, dirigida por Pietra Costa. Entendo que a minha abordagem é similar àquela apresentada na película porque desconstrói tudo que as pessoas pensam sobre profissionalismo. Contudo, assim como o filme comprova que não vivemos numa democracia, quiça uma democracia guiada, profissionalismo é, muitas das vezes, ficção.

Profissionalismo

Assim sendo, a abordagem que faço é sobre como questões de profissionalismo e competência estão sendo relegadas a um plano totalmente inferior onde vale mais o merchan pessoal. As redes sociais colocaram um glamour em muitas questões que experiência e profissionalismo ficaram num plano inferior.

Senão vejamos, tomem como exemplo a tarefa de recrutamento e seleção. Anteriormente , existiam empresas com profissionais especializados e recebiam demandas e apresentavam profissionais aos contratantes. Vieram os recrutadores e grandes empresas virtuais, que orientavam até a formatar currículos. Agora qualquer picareta pode ser “coaching” e recrutador, como se não bastasse, pessoas sem nenhuma formação acadêmica e desqualificados usam aplicativos para serem atravessadores de colocação profissional.

Anteriormente, escrevi um texto com o sugestivo titulo “Impostores em ação“, lá eu disse que impostores tomaram de assalto as organizações, inclusive as grandes e sérias, e puseram-se a cagar regrinhas e discriminar quem não era da geração deles ou quem não dominava (ou ainda quem domina) o adestramento que eles tem com ferramentas e a tecnologia, especialmente o que chamam de mobile. Fazer as atividades com profissionalismo em muitas organizações virou motivo de isolamento, mais importante é zoar, fazer bullying e pior, ser mau caráter.

Certamente, nem todo mundo concorda, muita gente acha que sou ranzinza e exagero. Entretanto, se tomarmos relatos das pessoas que trabalham nas empresas e fizermos uma avaliação, o percentual que responderá na linha de meu pensamento será enorme. Em muitos casos, pode significar falência de uma organização, uma ideia boa que não funciona e outras consequências.

Geração Z

Os profissionais de recursos humanos, do mesmo modo, tratam deste tema com muito cuidado. O profissionalismo deles nos remete às diretrizes que as empresas que eles prestam serviço (hoje em dia são quase todos terceirizados “na nuvem”). Leio muitos textos e vejo uma enxurrada de terceirizados e até “quarteirizados” pregando regras de como contratar e como demitir. alguns absurdos são ditos e hoje, na realidade, contrata-se por rede social e demite-se pelo grau de empatia da pessoa com seus colegas de trabalho.

O que era conflito de gerações, por outro lado, virou falta de profissionalismo ou, no popular, farinha pouca, meu pirão primeiro. A guerra começa dentro da empresa, mais importante do que ter profissionalismo, é estar enturmado, ser bonzinho nas redes sociais, ser moderno e acompanhar os ´apps` recentes do mercado.

A geração Z trabalha da seguinte forma: 1) Tem app para fazer isto? Faça. 2) Não tem app pronto mas tem quem faça pelo smartphone? Pago e fica pronto. 3) Não tem quem faça pela Internet? Quem sabe o telefone de alguém que receba pouco para fazer?

Em outras palavras, o que escrevi sobre esta geração de inúteis como em “O Surgimento de uma Sub-Raça  ou “Zero à Esquerda é o símbolo dos inúteis”  é a constatação de que profissionalismo não foi uma palavra que os pais e educadores conseguiram mostrar o significado para os filhos. Talvez, quem há de saber, os filhos miraram-se em exemplos, e os exemplos que vem dos pais não foram os melhores.

Day After do Profissionalismo Raiz

Algumas pessoas me dizem que escrevo com raiva. Podem ter certa dose de razão, nem sei bem o que cada uma destas pessoas entendem por raiva., afinal, alguns adjetivos ou substantivos adjetivados merecem quase uma tese de doutorado para que sejam equilibrados.

Enfim, vivemos, especialmente depois do Fim do Mundo (conforme profeticamente previram os Maias !), uma falta de profissionalismo, um “salve-se quem puder”. Mundinho em que muitas pessoas começam a achar “normal” e profissional o absenteísmo; a procrastinação; a desídia e até mesmo alguns mecanismos considerados corrupção (se praticados pelos outros, pelos filhos do vizinho etc).

Onde vai parar? Não vai, enquanto profissionais entenderem que profissionalismo não tem a ver com destreza nas redes sociais e muito papo bacana e descolado.

#FicaaDICA !!!

 

Charge: Dilbert

P. S. –  Reitero também o pedido feito em muitos momentos da vida deste blog e presente na página de “Advertências“. Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas. Coloquem aqui nos comentários ou na página do Facebook

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