Falência Moral Charge - Edu - Reprodução Zero Hora

A falência moral do Cruzeiro – Uma visão

Falência

Mais do que uma falência empresarial a situação do Cruzeiro revela-se uma falência moral. Quando escrevi, anteriormente, sobre o colapso, que todos ainda chamam de crise, era no sentido de começar do zero que eu estava falando.

Em “Príncipe Azul – Entendendo de Crise” eu tentei mostrar a cronologia do colapso, em vão e com críticas vindas de onde não deveriam vir. Caso o texto estivesse num jornal impresso, para muitos pseudocruzeirenses não serviria nem para embrulhar peixe no dia seguinte.

As pessoas que dirigiram o Cruzeiro estavam preparando a “terra arrasada” e os responsáveis pela deposição os mandatários anteriores não estavam preparados para o colapso.

Em outras palavras, o Núcleo Gestor, dirigentes apaga-incêndio, funcionários e conselheiros se locupletando, não tinham competência nem para fazer o estrago.

Surpreendentemente, algumas pessoas que torcem para outros clubes/times, acham que estão imunes e que o “case” do Cruzeiro é único e os dirigentes deles são os melhores, vai vendo …

Gestão interina

A lógica de ter um grupo gestor, que denominaram Núcleo Gestor, com alguém no comando e empresários e benfeitores “notáveis” é ótima. Entretanto, quando a fogueira de vaidades e pavões falam muito em redes sociais a coisa pode não estar no caminho certo. Foi isto que aconteceu, o pau estava torto não endireitou e nem plantaram outra árvore.

Muitas coisas mal feitas não podem se perpetrar e a gestão interina do Núcleo Gestor, que recebeu o clube na segunda divisão, estava dividida entre o “… temos que voltar para a Série A, custe o que custar…” e o “… o clube está à beira da falência de temos que salvá-lo …”.

Tenho a opinião de que são coisas excludentes, o “custe o que custar” é incompatível com salvar um clube com dívida bilionária.

Desse modo, tenho as lembranças da situação do clube na gestão Benito Masci, dilacerado, endividado, uma “Casa da Mãe Joana“. Ele (Benito) cortou na própria carne, feriu susceptibilidades e desagradou muitos que mamavam nas tetas. Foi suficiente para a retomada do clube e o “novo” futebol que se avizinhava; tempos difíceis mas que tornaram possíveis as conquistas das décadas vindouras.

O Núcleo Gestor tergiversou, desconversou, não mexeu nos estatutos, procrastinou, imaginou uma eleição pacífica, deixou o ano terminar e achou que seus “Cardeais” dariam um jeito.

Falência Moral

Um colapso financeiro é muito ruim, é péssimo, mas a falência moral é pior. O técnico Adílson Batista teve que conviver no final da temporada e neste início de ano com jogadores desqualificados. Os que colocaram o Cruzeiro no buraco e exigiam altos e escorchantes salários. Não existe moral e ética quando denúncias feitas no início do ano passado são amenizadas por um Conselho Fiscal corrompido e um Núcleo Gestor não toca no assunto.

A falência moral começou muito antes da gestão de Wagner Pires, até mesmo anterior à Gestão de Gilvan Tavares. Estivemos à beira do colapso em 2011 e, certamente, nos salvarmos com aquela goleada história sobre o rival; o que, certamente, acirrou os ânimos e a ira de nossos rivais.

Portanto, ali ou um pouco antes, começou a ser urdida a historia da nossa “falência”.

Negócios e Falência Moral

Desse modo, fica impossível recuperar um negócio em plena falta de credibilidade. Nunca fui dono, mas já trabalhei para muitos empresários donos de grandes negócios em diversos setores. Funciona assim: Empresários de cada ramo de negócio se conhecem e se respeitam (em certa medida). Quando um começa a ficar com a “perna bamba”, todo o mercado cuida de jogar uma pá de cal, o cara perde clientes, não consegue comprar mais a crédito, a falência moral chega antes da bancarrota ou concordata.

Quando vemos os nomes que atuam no Núcleo Gestor é de se esperar que coloquem ótimos profissionais para auxiliá-los. Entretanto, quando existe a disputa pelo futebol ou pela visibilidade nas redes sociais, a coisa complica-se.

A saída recente do empresário Vitório Medioli, que saiu atirando por não ter “carta branca” para fazer do jeito dele, é preocupante. Um empresário bem sucedido, com o dinheiro que ele tem, não está acostumado a colocar dinheiro para fazer o que os “sem dinheiro” imaginam fazer. Eu também seria assim, “meu dinheiro, minhas regras” e não acredito em boas intenções no futebol.

Saindo da forma como saiu, propagandeando que somente a venda de jogadores da base e patrimônio é que salva o Cruzeiro Esporte Clube, toma-se um grande passo para a falência.

Por outro lado, uma falência do clube depende de vários fatores, existe projeto de lei que cria a possibilidade de um clube como o Cruzeiro deixar de ser uma Associação e passar a ser uma empresa. É provável que, pelos discursos de quem defende o projeto, ainda não entenderam quem vai pagar a conta e quem vai se locupletar.

Clube-Empresa

Desde que comecei a estudar sobre o assunto, digo que nenhum clube que se transforme em empresa aguenta um déficit mensal nos balancetes de mais de R$ 1 milhão; este era e ainda é o déficit de alguns clubes. Sem nenhum tipo de responsabilização de dirigentes, dívidas eram roladas e adiantamentos sendo tomados a bancarrota é iminente.

Assim sendo, jogadores endinheirados adentraram para os clubes, viraram parceiros de dirigentes em direitos econômicos e o jogo seguia.

Um negócio muito bom, por isso tanta gente interessada em fazer parte. No Brasil tudo tem seu jeitinho e não vai ser clube-empresa nos moldes do Projeto de Lei 5082/16, aprovado  no final do ano passado, que vai salvar grandes clubes corroídos como o Cruzeiro.

A proposta de vender patrimônio imobilizado e ativos como jogadores de futebol parece ser interessante; entretanto, na situação do Cruzeiro, é trágica. Como se não bastasse, revela uma face terrível de palpiteiros neófitos de redes sociais que não tem a dimensão de quanto vale o patrimônio e os ativos intangíveis. E, certamente, não sabem o que significa uma falência moral pois perfis anônimos e falsos não sabem o que é ética, honra e moral.

Clube Social

O clube que vem perdendo sócios desde muito tempo atrás, perderá mais sócios e corre-se o risco de haver uma falência dos clubes sociais como tem acontecido em BH. Estes que sugerem a venda de patrimônio e do ativo de jogadores da base, são adeptos do Cruzeiro Futebol Clube e não sabem a diferença para Cruzeiro Esporte Clube.

E, como não tem nada que não possa ser tão ruim que não possa piorar, Ainda trabalham com a hipótese da falência do Cruzeiro Esporte Clube e criação de outro “CNPJ” que comece do “zero'”.

Definitivamente, muita gente falando sobre seus interesses e visões, não parece ser o melhor caminho para a construção e entendimento dos caminhos a serem trilhados. O associado do clube é desprezado de maneira assustadora e vil, torcedores se julgam donos do que não tem noção que possuem. As ideias de clube social que vira clube-empresa para futebol são estapafúrdias, nem o modelo do Sada-Cruzeiro parece ter entrado na cabeça de muitos dirigentes e de torcedores sem noção.

Muito embora não vá resolver nada, cadê a reforma estatutária ?

Parece que vamos ter eleições com os mesmos sob suspeição votando, vai dar merda !

 

P. S. Desde que criaram programas como o RECONSTRUÇÃO, comecei a falar que conceitos errados estavam atrapalhando. Ainda não entenderam o real significado de COLAPSO. A mistura de política-futebol-religião nunca foi benéfica para nenhuma comunidade e não será para o Cruzeiro Esporte Clube.

 

Charge: Edu – Reprodução Zero Hora

Nota do Autor

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Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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