Arremesso Final - Chicago Bulls

Arremesso Final ou Last Dance

Séries

Em primeiro lugar, devo ressaltar que sou torcedor do Lakers (atualmente sediado me Los Angeles), o que, por outro lado, não me impede de admirar jogadores e outras equipes. Esta texto é sobre a série Arremesso Final (Netflix) que vem causando furor de público e crítica muindo afora.

É provável que  a maioria dos críticos sejam ferrenhos adversários do Chicago Bulls, como foram os adeptos do Jazz (Utah) ou Pistons (Detroit). Aqui não faço spoiler de série ou episódio (pelo menos tento não fazer) e analiso o contexto e reflexos em nosso cotidiano.

Arremesso Final

Começo pelo nome da série em português (Arremesso Final), contrapondo-se ao nome original ( Last Dance ) e congêneres como “El Último Baile” (espanhol). Os episódios podem ser vistos pelo canal ESPN no link ( The Last Dance ), inclusive com extras bem interessantes.

Crítica

Os críticos questionam até o nome da série em português e alguns, pelo que leio, nem viram os episódios integralmente. Se bem que suspeito que eles não entendam é de basquete mesmo, numa clara demonstração de que críticos da mídia costuma conhecer pouco do que criticam, de forma análoga a comentaristas brasileiros de futebol.

A maioria dos que vi comentando, colocaram para fora todos os seus recalques e frustrações, canalizadas na ira contra Michael Jordan e seus excepcionais coadjuvantes. E não queiram, nem an passant, interpretar esta minha qualificação como pejorativa. É provável que Jordan não seria o que foi sem eles e eles não seriam o que foram no Chicago Bulls sem o Jordan.

Coadjuvantes

O Arremesso Final tem muito mais a ver com a importância dos coadjuvantes do que pensam os críticos pueris e rasteiros. Bem como posso dizer sobre o título original “The Last Dance”, com a mesma relação entre os protagonistas.

Last Dance

O título original (The Last Dance) tem muito a ver com a última temporada que tinha tudo para não dar certo e com o que acontece nos bastidores de um esporte bilionário. Assim, não vejo nenhum problema com o título seja em português (BR) ou original.

Contudo, como polêmica sobre o que é sucesso, em redes sociais, é o que não falta, arrumaram um monte de “argumento” para desconstruir aquilo como rotularam o filme: “uma estratégia de marketing para aumenta faturamento da marca “Jordan”. Com certeza, se este era o objetivo, acredito que os caras foram brilhantes, muito mais do que o jogador. Fizeram um documentário e ainda por cima conseguiram elevar vendas em tempos difíceis como desta pandemia que vivemos.

Michael Jordan

Como se não bastasse, alguns dos temas que aparecem nos episódios, que são alvo de críticas ao personagem principal estão atualizadíssimos (racismo, política eleitoral, dirigentes esportivos etc).

Alguns críticos questionam o gênero da série. Seria documentário; ficção baseada em fatos reais; ficção; publicidade paga; auto-biografia, enfim, as opções são muitas. Eu vi um documentário, com depoimentos de muita gente. A série é ótima, traz à reflexão, se formos capazes de fazer analogia com outros esportes, outras equipes, outros personagens, muito da realidade dos bastidores. é preciso ter coragem para documentar isto e, nem sempre, a “receita do bolo” funciona com estes ingredientes.

Mas o que estes críticos queriam ?

Que a história do Chicago Bulls, graças ao gênio chamado Michael Jordan,  colocasse o jogador no mesmo patamar dos seus colaboradores?

É como se fizessem o filme do Santos de Pelé e colocassem o “negão” (OPS !) no mesmo patamar de qualquer um de seus colegas que atuaram ao longos das vitoriosas temporadas.

Enredo do Arremesso Final

O enredo é simples, traça o antes e o durante do auge do Chicago Bulls, um time inexpressivo que a partir de um draft quase improvável, achou “O CARA” para se tornar umas das maiores equipes de basquete da história.

Já dizia Nélson Rodrigues que “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos”, no que tem a minha concordância. Michael Jordan, assim como Pelé e muitos outros atletas tinha a sua porção de péssimo caráter dentro das regras do esportes. Aqui, certamente, é necessário ressaltar que mau caráter fora da competição e que leva mau caratismo para dentro da equipe, é desprezível que fique bem claro.

Acrescentando-se que, a “guerra” com Isaias e os Pistons mostram que muitos críticos fazem vistas grossas ou passam pano quando está em jogo algo que avaliam como maior e, com toda a certeza, em caso de vitória tudo é esquecido e, na derrota, tudo é ressaltado.

Arremesso Final à la Kerr

Em suma, não vou dizer que Jordan é o maior jogador de basquete do mundo, nem que o Bulls foi o melhor time da história (mesmo com os recordes).  Respeito o que fizeram e o documentário serve para que esta minha opinião seja consolidada, a despeito da opinião deste ou daquele que faz a crítica com a camisa por baixo do jaleco.

O sistema é bruto, não aguenta, atura ou surta, ou então mostra que tem capacidade para entender as histórias e o arremesso final de Kerr, salvou a história e, possivelmente, a série toda.

 

Imagem: Reprodução Netflix

 

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

  • Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas.
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  • Algumas passagens e citações podem parecer estranhas mas fazem parte ou referenciam-se a textos ainda inéditos.

Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

2 comments for “Arremesso Final ou Last Dance

  1. LUCAS JUNIOR
    02/07/2020 at 18:26

    Professor Ewandro, tudo bem?
    Eu aqui novamente com meu blog.
    Poderia fazer um comentário aqui se acha que eu estou certo?
    Tem comparação o trabalho Luxemburgo/Jorge Jesus. Me parecem muito, principalmente em potencialização de elenco. Segundo, qual sua opinião com relação ao “purtugais”?

    • 03/07/2020 at 00:40

      Lucas,
      Tudo bem… até onde o SARS-CoV-2 permite e os “malucos” no comando deixam…
      Bom ter você de volta.
      Comentários sobre técnicos de futebol brasileiro neste post não são indicados..
      Entretanto, tenho textos não-publicados sobre este tipo de “comparação”, entre técnicos, jogadores, dirigentes etc.
      Assim sendo, não gosto destas comparações de momento e lugares diferentes, e quando toma-se resultados, fica pior. No caso dos dois técnicos citados, você pega UM ITEM 9 que vários técnicos no mundo tem formas diferentes de fazer a “mesma coisa” do ponto de vista de quem está de fora, que vou discordar. Métodos e qualificação diferentes. Eu nem ouso comparar a partir disso.

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