Empreendedor Despreparado - Economia Solidária

Empreendedor Despreparado – A Fronteira Final

A Epidemia

Algum tempo atrás, para ser mais preciso em abril de 2016, eu iniciei a série com o título “Empreendedores Despreparados – A Epidemia“. Naquele momento, eu estava pensando e projetando a crise, que se confirmaria, levando em consideração a conjuntura econômica, política e  a reforma trabalhista. Como se não bastasse, a febre de trabalhadores “transformando-se” em donos de seus próprios negócios, do dia para a noite, era algo surreal; e eis que surge o empreendedor despreparado.

A pandemia que o SARS-CoV-2 nos proporcionou, afetou não somente a saúde de todos no planeta, indistintamente, mas os negócios e a nova economia que se avizinha.

Empreendedor Despreparado

Certamente, tudo que escrevi na série como, por exemplo, no texto  “Crise – Empreendedores Despreparados (3)“, que eu alertava para ter cuidado com investimentos, se concretizou.

Eu escrevia, como indicado na maioria dos textos de forma genérica, mas que deveria suscitar ao neo-empreendedor um tempo para pensar e descobrir o que significa planejamento.

Enfim, tentei durante quase duas dúzias de textos passar a mensagem ao empreendedor de que ele, mesmo que fosse um excepcional profissional em determinada área de conhecimento, teria que ter cuidados adicionais aos quais ele não estava acostumado.

A receptividade para alguns temas foi muito boa, cheguei até a fazer uma palestra sobre o assunto a alguns trabalhadores demitidos que me procuraram para pedir sugestões.

Golpes e Despreparo

Foram vários os momentos, desde então, que me posicionei sobre riscos, golpes (a liberação do FGTS proporcionou golpes que foram pura covardia). Fiz outros tantos textos – ainda inéditos, não porque não estavam com pensamento correto mas porque o interesse era pequeno – e, por isso, constato que maioria dos empreendedores não tem a mínima noção do que deveriam fazer.

Cortina de Fumaça

Uma vez que, em plena pandemia ocasionada pela COVID-19, a situação mostra-se muito pior, voltamos à abordagem. Nesse momento, recebo a informação de que uma página de e-commerce foi aberta por minuto no Brasil, entre 20 de abril e 20 de maio. Alguns dirão que muitos empreendedores passarão à formalidade, eu digo que um pequeno negócio está fechando por minuto e empreendedores despreparados do mundo real agora vão conhecer o mundo digital.

Empreendedor despreparado – Não é !

Parei de publicar a série quando um dos artigos ( “Aplicativo de Transporte não faz empreendedor” ) provocou polêmica e feriu susceptibilidades de alguns leitores.

O “empreendedor despreparado”, que foi demitido ou que fazia “bico” com aplicativos de transporte e de entregas, não entendeu nada de relações entre capital e trabalho. Muitos pensam que são empreendedores; a pandemia atingiu-os em cheio, na jugular, o caos das garandes locadoras que alugavam carros para esses motoristas ainda vai dar o que falar.

COVID-19

Desde algum tempo atrás, tenho prestado consultoria para empresas de pequeno porte ou MEI. Na realidade, alguns chamam de mentoria, não me importo com a denominação. Entretanto, uma coisa eu não tenho simpatia é quando perguntam se o trabalho que faço é um tipo de “coach“.

Atuo, de forma voluntária, em grupo de administradores e em outro coletivo de mentores que ajudam, exclusivamente, microempreendedores individuais (MEIs).

Venho participando de lives e reuniões com estes empreendedores e estou assustado. Quando vejo-os comemorando a intervenção do Estado no sentido de flexibilizarem regras trabalhistas e desonerarem gastos com pessoas, constato que a maioria não entendeu o contexto e gravidade do momento.

E nem me importo mais com o “empreendedor despreparado” que estava trabalhando para algum aplicativo, a coisa agora ficou séria para todos.

A questão do empreendedor verdadeiro, aquele que fez plano de negócio, que tentou trabalhar com recursos próprios, que não se endividou além da conta, que planejou e executava seu fluxo de caixa com os pés no chão, é o que interessa.

Fronteira Final

Nesse ínterim, vemos empreendedores adotando medidas de curtíssimo prazo, penhorando os anéis para almoçar amanhã, sem nenhum plano para o “resgate” da penhora. E, portanto, fica muito pior quando vejo economistas, consultores, mentores, coaches e assemelhados fazendo palestras e oferecendo aconselhamentos. Falam de linhas de financiamento que devem ser escolhidas, baseada em juros menores e carência disto e daquilo, e sugerem este dinheiro para fluxo de caixa passivo; é o prenúncio do  desastre ou colapso.

Meus preclaros amigos, soluções com visibilidade menor do que 180 dias é de curtíssimo prazo, poucos tem bola de cristal ou “bala na agulha” para suportar esta tempestade. Como disse o filósofo “.. não estamos todos no mesmo barco, estamos na mesma tempestade e poucos tem colete salva-vidas…“.

Empreendedor Despreparado Fake

A pandemia pegou muitos “atravessadores” em cheio, não chegam nem à categoria de empreendedor despreparado porque nunca empreenderam nada, só aproveitavam-se do esforço alheio.

Comparo nossa situação (Brasil) à vivida pelos moradores de Nova Orleans (EUA), devastada pelo furacão. O governo ultra-liberal de Bush destinou mais de 105 bilhões para recuperação e a economia teve efeitos devastadores durante anos. Quem imagina que dois auxílios de R$600 reais por dois ou até seis meses, com o propósito de salvar a economia, ou é muito sem noção ou é agente do mal. E, consequentemente, ao mesmo tempo, está acendendo o rastilho de pólvora para uma convulsão social inédita no país.

A crise vai se aprofundar se o Estado não investir pesado no apoio aos empreendedores individuais, inclusive com capacitação na gestão de negócios. Uma atividade profissional que terá grandes oportunidades são os profissionais de administração, aposentados ou desempregados, que estejam aposentados ou foram demitidos. Profissionais de outras atividades correlatas como, por exemplo. contadores, economistas etc, terão igual abertura.

Empreendedor Despreparado Solidário

Enfim, minha teoria é simples, coloquei-a em texto recente ( Nanoeconomia Feudal no Século XXI ) e serve, notadamente, para o empreendedor despreparado diante do colapso iminente. Com certeza, não haverá nenhuma volta ao “normal” e todos devem se preparar para uma Economia Solidária, que não será aceita por muitos liberais e exploradores do trabalho alheio.

Outros nomes para esta proposta já têm sido atribuídos em vários países, a crise é global e muitos aceleram o processo de economia solidária que estava lento ou inexistia. No caso do Brasil, temos várias crises dentro de uma pandemia. As dificuldades serão muito maiores e as decisões precipitadas de gastos, sem uma reserva, criteriosamente medida e verificada, colocará muito empreendedor despreparado em sérios apuros.

Gestão em Vertigem

Não existe a hipótese, especialmente no Brasil, da economia voltar ao normal com o modelo de incentivo a bancos e grandes empresários. O Estado tem que investir pesado em infraestrutura, saúde, educação e deixar as economias locais atuarem. Somente a cooperação, Investimento do Estado, auto-gestão e solidariedade proporcionarão a viabilidade econômica do país.

Em suma, os mecanismos, processos e propostas de ações para a nova economia global, estão aí, no Brasil e no mundo, a aldeia vai continuar sendo global.

O empreendedor, especialmente o individual ou pequeno, precisa estar preparado ou ter aconselhamento sério e correto. Se questões sociais e tecnológicas não forem agregadas, de fato, debatidas e aplicadas com seriedade, a “nova” economia não dura um ano.

 

Imagem: Reprodução USP

 

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

  • Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas.
  • Coloquem aqui, nos comentários, ou na página do Facebook, associada a este Blog.
  • Alguns textos são revisados, outros apresentam erros (inclusive ortográficos) e que vão sendo corrigidos à medida que tornam-se erros graves (inclusive históricos).
  • Algumas passagens e citações podem parecer estranhas mas fazem parte ou referenciam-se a textos ainda inéditos.

Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.