Velha Roupa Colorida - Belchior

Velha Roupa Colorida – de 3% ou dos 97%?

Série 3%

Anteriormente, no primeiro semestre de 2018, após ver a segunda temporada da Série 3% (produção brasileira para Netflix), escrevi o primeiro texto associando a referida Série ao nosso contexto político-social. Em “Série 3%, uma produção original Netflix“, do mesmo modo que em posts similares, tentei associar a nossa realidade e a ficção. Surpreendentemente, a série era mais real do que parecia e uma frase da música “Velha Roupa Colorida” me veio à cabeça: “Que uma nova mudança em breve vai acontecer“.

Belchior havia falecido um ano antes e algumas músicas dele viraram aqueles poucos hits “chiclete” durante bom tempo. Eu preferia ouvir a canção “Velha Roupa Colorida” na voz da eterna Elis Regina. Entretanto, as frases ficavam batucando na minha cabeça de maneira insistente e, com toda a certeza, uma nova mudança aconteceu, mas como história repetida.

Velha Roupa Colorida

No ano passado, pouco mais de um ano após o primeiro texto específico sobre a Série 3%, vi que mais semelhanças estavam ocorrendo. A terceira temporada confirmou mais da letra de Belchior. Abordei a questão dos 3% que viviam em uma ilha da fantasia (Maralto, 3% Merece o Paraíso), no caso as cenas foram gravadas em Inhotim (Brumadinho-MG). Ironicamente e tragicamente, município que sofreu com o mais grava crime da história ambiental deste país.

O “novo” aconteceu e não foi para melhor, e, como se não bastasse, a segregação entre classes, pessoas, credos e escolhas, acirrou-se, os 3% estavam se sobrepondo aos 97%.

 

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer

Nunca mais meu pai falou: She's leaving home
E meteu o pé na estrada, like a rolling stone
Nunca mais eu convidei minha menina
Para correr no meu carro, loucura, chiclete e som
Nunca mais você saiu à rua em grupo reunido
O dedo em V, cabelo ao vento, amor e flor, quêde o cartaz?

No presente, a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais
No presente, a mente, o corpo é diferente
E o passado é uma roupa que não nos serve mais

Você não sente nem vê
Mas eu não posso deixar de dizer, meu amigo
Que uma nova mudança em breve vai acontecer
E o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo
E precisamos todos rejuvenescer

Parte da letra da canção "Velha Roupa Colorida" de Belchior

3% x 97%, uma “Velha Roupa Colorida”

 

A quarta temporada é, assustadoramente, mais conectada com os dias atuais, a letra fica cada vez mais entranhada no enredo. Os tempo de pandemia e a frase “… nunca mais você saiu à rua em um grupo reunido …” parecem ter sido feitas numa live recente.

E, por outro lado, fica muito mais complexo quando pessoas assistindo a quarta temporada comentam sem ter visto temporadas anteriores.

Como já destaquei, não sou crítico de filmes e séries, apenas relaciono temporadas e episódios com nossa vida, levantando a questão da vida imitar a arte ou vice-versa.

Na temporada 4, por exemplo, uma personagem diz para seu rival: “… bem vindo aos 97% …”, numa maneira que quando comparamos às redes sociais lutando para estarem dentre os 70% ou os 30% restantes.

Enfim, “… o que há algum tempo era jovem e novo, hoje é antigo; e precisamos rejuvenescer…”  e tenho que enfrentar estes pobres moços de redes sociais, cheios de si, dizendo que eu preciso rejuvenescer porque não concordo com eles.

Na série tem muitas frases que parecem ditas por brasileiros de hoje, uma delas indica “.. já que o fim do mundo está próximo, aproveitemos…”; eu diria que o mundo acabou em 2012.

Em síntese, vejam a série, desde o primeiro episódio da 1a temporada, não se atenham à qualidade da produção ou erros de continuidade, firmem a atenção no enredo principal de uma sociedade que falida. Quem viu a Série pode comentar sobre minhas impressões após esta 4a temporada. Pode ser que o final da temporada atual seja uma dica de como podemos ter uma nova roupa colorida com a mente e um corpo diferente.

 

Imagem: Reprodução Internet

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

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Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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