Futebol Regional - Ludopédio - Cristian Vazquez

Futebol Regional – A Antítese do Ludopédio

Futebol Estadual

Pouco mais de dois anos atrás, publiquei texto sobre o Futebol Estadual e uma pretensa renovação ( Futebol Estadual – A Renovação ). Naquele texto tive muito trabalho de pesquisa, o que normalmente não faço para assuntos como o futebol. O texto teve boa repercussão e logo depois veio a pandemia que mudou o mundo mas, aparentemente, não mudou a cara do futebol regional.

Anteriormente escrevi sobre a perspectiva de renovação sob a ótica de novos times ganhando projeção nos estaduais, passados dois anos vemos mais do mesmo. O que chamo de “Ruralito“, no caso de Minas Gerais uma expressão eivada de simbolismo e rivalidade, é mais do mesmo e até as discussões são estéreis.

Enfim, o futebol regional serve somente para aqueles que se locupletam do dinheiro dos patrocinadores e para torcedores sem noção.

Aviso:

Embora o texto tenha sido finalizado após a estreia do Cruzeiro, somente para efeito de confirmação de alguns comentários, especialmente da mídia, ele serve para todos os times em qualquer campeonato estadual. Por outro lado, não caí na esparrela de fazer avaliações de tudo e de todos a partir de um jogo, um resultado. Enfim, para finalizar este texto li comentários de torcedores nas redes sociais e ouvi TV e duas rádios, é mole?

Futebol Regional

Desse modo, valho-me da estreia do Cruzeiro e do início do Campeonato Mineiro para voltar novamente ao tema.

Recentemente, através do meu perfil no Twitter ( @Evandro_Pyxis ) travei uma discussão interessante sobre o estadual do Rio de Janeiro. Certamente, entro em algumas discussões mais como forma de provocar o debate e, eventualmente, faço até o papel de Advogado do Diabo. Gosto da discussão de ideias, contudo, consigo descer ao nível que for em qualquer debate, certo de que nem todos interlocutores têm capacidade de se despir de suas camisas de clube.

Entretanto, quando o debate é de ideias fico empolgado, mesmo que a especificidade da competição possa exigir um conhecimento além do que possuo. Este texto não pretende uma análise como no texto de dois anos atrás, mas tem como base a ideia que manifestei anteriormente.

Destarte, falaremos aqui, principalmente, do futebol mineiro, ou futebol estadual rural, que devia ter sido extinto, há muito tempo, e nada tem sido feito.

Futebol Regional em Minas

Cruzeiro

Como descrito anteriormente, não me pauto numa partida para avaliar contratações, time etc. Como se não bastasse, tenho ojeriza daqueles torcedores que soltam suas abobrinhas e frases feitas para “prever” a temporada e afins. Coisas do tipo “queimou a língua” ou “eu falei” são deprimentes.

O time do Cruzeiro tenta se recuperar do colapso ( descrito em ” Colapso Azul: A Fatal Exception has ocurred “). Certamente, a maioria dos que leram este e outros textos fizeram troça ou não comentaram somente para não me dar razão. Entretanto, parafraseando o filósofo para o caso do Cruzeiro, a negação do colapso é stricto sensu a fase suprema do assassinato de uma paixão coletiva.

Jogadores

Pouco me importa os jogadores contratados para esta temporada ou os jogadores que atuando por outros times vão se apresentar bem. Defendo todos que estão no Cruzeiro lutando pelos seus salários e remunerações de forma honrada. Como torcedor, meu desejo era que cada um fizesse contrato de risco do tipo salário bem baixo para os padrões nacionais e remuneração por jogo e metas planejadas. O resto é marketing de jogador que conversa muito fiado e não presta mais; o caso Dedé deveria servir de alerta para muito torcedor de jogador.

Não vou aqui destacar ou depreciar este ou aquele jogador pela primeira apresentação, como estão fazendo muitos torcedores e até profissionais da mídia, este imediatismo rende seguidores, views e dinheiro; entretanto, não é minha “praia”

Torcedores

Desde que explodiram as redes sociais, a quantidade destes torcedores estultos cresceu em quantidade. Por outro lado, é impressionante a falta de qualidade e capacidade pensante destes teleguiados e simpatizantes ( alguns ficam ofendidos, mas não passam disso mesmo ).

As exceções são pouquíssimas e nem sempre honram o Cruzeiro. Por exemplo, subtrai dois comentários de redes sociais sobre futebol e o nosso Cruzeiro.

@Cruzeirense 1

@Cruzeirense 2
N tem como aprender depois de tanto tempi (sic), mas uma bola esticada na frente da área, hoje em dia goleiro tem q cortar! Fábio errou

Assim sendo, eu poderia ter colhido muitos outros comentários, centenas, milhares, é o efeito do senso comum. Por isso pouparei os referidos torcedores não indicando os nomes, mas eles não estão sozinhos neste imediatismo e superficialidade. São apenas repetidores do que vemos proliferar nas redes sociais: O praticante máxima da Observação Subjetiva, dos estereótipos de chavões.

Mídia

Uma vez que estou tratando do futebol regional como um todo, aqui nas Minas Gerais, a mídia e redes sociais merecem um capítulo à parte. Decerto, não merece muito destaque mesmo porque seria dar muita importância para algo que atrapalha mais do que ajuda. Sem bem que muito torcedor não viveria sem esta mídia pois ele não consegue ter opinião sobre aquilo que está vendo na TV sem ouvir narradores e comentaristas.

Resolvi finalizar este texto após ver o jogo pela Rede Globo com narração de Jaime Jr e comentário de Fábio Jr, dava até nome de dupla caipira ( Jaime e Fábio ) com direito a dois jacus autênticos.

Adicionalmente ouvi duas rádios, Super e Itatiaia ( sacrifício maior não há ) e vou citar somente um dos personagens, o narrador Osvaldo “Pequetito” Reis ( @PequetitoReis ). Inopinadamente, o narrador, nos acréscimos da partida, solta uma cornetada profissional sobre o lateral Raul Cáceres e complementa dizendo que estava fazendo a primeira cornetada da temporada. Alguns segundos depois…  gol de Cáceres. Data Venia, caro Pequetito, não podia deixar passar, sou seu fã e fico comovido com a paixão que você sustenta ao microfone, eu não teria tanta galhardia.

Da mídia impressa e influenciadores de redes sociais, não é possível esperar nada além de mais do mesmo e de busca por audiência de torcedores sem qualificação para lerem e entenderem além de 280 caracteres.

Regionais no Brasil

Desse modo, parece que torcedores de outros times, inclusive adversários do futebol regional e aqueles de outros estados, vão pensar que este texto é sobre o Cruzeiro e eles vão somente rir e zoar. Ledo engano, revela a completa ignorância sobre a falência geral que os estaduais protagonizam.

Competições que algumas emissoras de TV pagam para as Federações, as mesmas que seus dirigentes sustentam a CBF, e que ganham mais dinheiro que todas as equipes.

O futebol dos estados tem o mesmo roteiro, só mudam as coordenadas geográficas e o CPF dos dirigentes. Os times do interior lutando por migalhas e para tirar pontinhos dos “grandes” e os grandes ao invés de utilizar torneios estaduais para se prepararem para competições superavitários e importantes, demitindo técnicos e queimando jogadores com 90 minutos de jogo.

Os ” 7a1 ” não serviram para nenhum aprendizado.

Fim de Linha

Pandemia

A pandemia mudou o mundo, parece que o futebol regional e o esporte no Brasil, não aceitam essas mudanças. Voltamos ao mais do mesmo e com mais riscos.

Uberlândia está na relação das cidades com maiores problemas relativos à Pandemia à COVID-19. Mas a Federação e os clubes fazem questão de, cretinamente, propagar protocolos e destinar recursos a uma partida de futebol. Parece-me que a expressão ” Ópio do Povo ” que não foi feita pelo ou para o futebol aplica-se aqui. Analogamente às origens da expressão ( Política e Religião ) temos a certeza de que o povo brasileiro e Mineiro não precisa deste tipo de diversionismo.

Enfim, tudo isto é somente a minha opinião que entra em confronto direto com profissionais dedicados a determinadas atividades. Esta posição que manifesto vai de encontro ao maniqueísmo político e interesses da mídia que vive dessas enganações e do senso comum. Tudo que estamos vivenciando é a antítese do velho e bom ludopédio.

Perdemos, todos, vidas humanas não valem nada, hipocrisia no comando !

 

É VERDADE

Espaço destinado a verdades em Pindorama que se contar, ninguém acredita e, provavelmente, não serão notícias boas. Será feita ao menos uma indicação por texto e, eventualmente, mais de uma poderá ser publicada.

 

Imagem: Bola de Capotão – Cristian Vazquez

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

  • Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas.
  • Coloquem aqui, nos comentários ou na página do Facebook, associada a este Blog, certamente serão todos lidos e avaliados.
  • Alguns textos são revisados, outros apresentam erros (inclusive ortográficos) e que vão sendo corrigidos à medida que tornam-se erros graves (inclusive históricos).
  • Algumas passagens e citações podem parecer estranhas mas fazem parte ou referem-se a textos ainda inéditos.

Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

2 comments for “Futebol Regional – A Antítese do Ludopédio

  1. Maria Celeste Gonçalves
    27/02/2021 at 20:42

    Futebol nesse momento deveria ser proibido.
    Após a segunda rodada dos regionais teremos muitos jogadores infectados, infelizmente. A turma do “extra campo” também vai se infectar.
    Uma partida de futebol envolve muitos outros profissionais. Concordo que o Ruralito deveria ser usado para arrumar o time. Quanto aos narradores, deveriam se abster da corneta e o tal Jaime Júnior é horrível.

    • 27/02/2021 at 20:47

      Dra. Celeste,
      Convergimos enormemente. Profissionais de apoio já estão sendo contaminados, desde o ano passado. Mesmo com falaciosas “medidas protetivas” e “protocolos sanitários”. O terror está nas ruas, Uberlândia e muitas outras cidades estão próximas do colapso. E pensar que governador do Estado incentivou o pessoal a viajar… e o PR vocifera contra governadores e prefeitos. Amaldiçoados aqueles que mistura, futebol, política e religião e seus seguidores cegos.

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