Mauricio Souza - Homofobia

Maurício Souza manifestou preconceito?

Crimes Modernos

A sociedade evoluiu e com as redes sociais, esta evolução (seria involução?) fez explodir e acelerar tudo que envolvia a realidade. Assim sendo, mesmo que fosse mantida a tipificação de um crime, fez-se necessário inventarem “moda”, para que rábulas, concursados ou não, tivessem suas “causas”. Em outras palavras, um crime antigo como ofensa ou calúnia, ganhou novas armas e palcos, e as pessoas não se deram conta. Desse modo, ficou bem interessante fazer textos no dia-a-dia e as narrativas vão longe, como no caso recente do jogador de vôlei Maurício de Souza.

Homofobia

Inegavelmente, muitas pessoas nas nossas sociedades ocidentais praticam crimes, como o de homofobia, há muitos séculos. Em outras culturas e sociedades, o homossexualismo é crime, geralmente onde tiranos e déspotas autoritários dominam seus povos. Alguns países mais avançados culturalmente e civilizadamente vão resolvendo estes problemas com liberdade plena, até não atingir o direito do próximo. No Brasil, após um quadro de evolução lento e tacanho, passamos a viver um retrocesso, digno de Idade Média. Retrocedemos 5 anos a cada mês e os tempos de Brasil Colônia, com toda a certeza, voltaram em muitos temas. Homofobia, Racismo, Misoginia, Xenofobia e tantos outros preconceitos e disseminação de ódio, estão na moda.

Voltando à questão do título que polemizou e viralizou nas redes sociais, Maurício Souza praticou um crime de homofobia?

Maurício Souza

Figura Pública

Maurício Souza é uma figura pública (não confundir com o “pai da Mônica“), jogador de vôlei, legítimo representante desta geração de Millennials que está “no comando” das redes sociais. Um atleta com muitos títulos por clubes e seleção mas que não tem absolutamente nada além da prática do esporte no currículo.

Direito a opinião

Em primeiro lugar, devemos atentar que Liberdade de Expressão, Direito de Opinião, conforme previstos na Constituição Federal, têm sido vilipendiados com “direito de praticar um crime”.

Há alguns anos atrás escrevi um texto que motivou-me a denominar como “Fla-Flu” todas as querelas que estamos vivendo nestes “novos” tempos. Foram muitos textos, dentre eles o “Fla-Flu de uma nação dividida“, cinco anos atrás, reflexo daquilo que estava por vir e recrudescer.

Direito à opinião e “Liberdade de Expressão” viraram retórica onde se faz proselitismo religioso, tenta-se impor a visão sobre violência, sexismo e outras não somente para si, mas para os outros. Jogadores de futebol (para não crucificar o Maurício Souza), verdadeiros psicopatas, viram ídolos daqueles que são iguais a eles, é o Vale-Tudo para ter razão.

Homofobia

Sem dúvida, neste contexto de Fla-Flu e posições exacerbadas, sou obrigado a reconhecer que o radicalismo e a intolerância venceram. De parte a parte, as pessoas escolhem um lado e, de forma absoluta, fecham olhos e ouvidos, disparando dedinhos nos teclados.

Após a malfadada postagem do atleta Maurício Souza numa rede social, a discussão explodiu por todos os lados e raros foram os ponderados. Longe de mim querer ficar em cima do muro e, em síntese, entendo que se a postagem original e decorrentes configuram homofobia, e sendo este comportamento um crime previsto na lei, o atleta deve ser criminalizado.

Crime e Castigo

Homofobia é crime.

Maurício Souza fez um comentário que, a princípio, considerei inofensivo e normal de gente estulta nas redes sociais. Um comentário típico de atleta com má formação cultural e de origem reacionária, sem preconceitos da minha parte. Entretanto, o que veio a seguir, com as desculpas do atleta, com os apoios e manifestações que recebeu, não vejo como tratá-lo de forma diferente.

Ele cometeu um crime, assumiu, declarou que não vai mudar e, pior, obteve apoio de criminosos declarados que tratam a homofobia com orgulho. Pessoas, inclusive figuras públicas (“filho do Tite“, não é figura pública, é sevandija), passaram a escolher o seu lado da questão no Fla-Flu.

É assustador ao ver que a patuleia reproduz as manifestações de filho do presidente, atletas, vereadores como se a opinião desses caras fosse salvo conduto para o delito. Enfim, a coisa ficou como vaticinava o falecido filósofo popular Kafunga: “no Brasil, o errado é que  é o certo. …”.

Caso clubes, patrocinadores, anunciantes decidam romper contrato com aqueles que não se alinham com a imagem do que eles defendem, têm todo o direito de romper contratos. É somente uma questão de mercado, empresas que defendem homofóbicos, racistas, misóginos,  sintam-se à vontade para contratar estas figuras públicas que misturam o profissional com o pessoal.

Maurício Souza e o futuro

O atleta, que virou notícia e “trending topics” ganhou milhões de seguidores, como aconteceu com Alexandre Garcia e outros que pregam o domínio da tirania. A frase, exalada pelo atual presidente em sua campanha, sobre quem estava acima de tudo e todos parece ter sido bem motivadora para muita gente.

Maurício Souza e seus fãs, seguidores e muitos mais, mostram a cara e não se envergonham de outros crimes que cometem. Até redes sociais como o LinkedIn, que era para ser uma rede de profissionais e oportunidades, entrou na onda do oportunismo.

Renata Tavares, CEO do ramo imobiliário, escreveu:

“…Temos que ter coragem para falar o que pensamos, não somos robôs para termos que seguir ordens, não somos marionetes para aceitarmos tudo, somos SERES HUMANOS, com pensamentos, princípios, educação, opiniões e por isso podemos expressar o que sentimos. O respeito tem que ser uma mão de via dupla, ele vai e volta, e infelizmente os politicamente corretos esquecem isso.

A turma do cancelamento achou que o jogador Maurício iria acordar com ZERO seguidores, mas além dele ganhar em tempo recorde mais de 1.000.000, pessoas ainda postaram a foto inversa da que causou a sua demissão…”.

Sem nenhum julgamento de valor, e pensando somente na opinião que é da Renata Tavares e de muitos outros ( inclusive conhecidos meus ), é provável que não tenhamos chegado ao fundo do poço. Vejo uma certa “comemoração” quando as pessoas vangloriam o fato de alguém crescer no número de seguidores cometendo ou fazendo apologia a um crime.

Futuro

Eu não me surpreenderia se o atleta Maurício Souza não encontrasse um outro time para atuar dentro de suas virtudes e limitações técnicas. Vejo uma certa semelhança do caso Bruno (goleiro) que cometeu um crime e foi condenado pelas convicções da opinião pública e julgadores. O atleta do vôlei, assim como tantos outros, pode ter um grande futuro como candidato a deputado nas próximas eleições, tem sido assim desde que alguém ganha muitos seguidores e dinheiro.

Certamente, o mundo distópico das redes sociais não é para amadores, todos se profissionalizando e ganhando rios de dinheiro, a partir de uma simples opinião. Em final de carreira o atleta pode estar pensando num futuro mais promissor e que tenha muitos eleitores e seguidores.

Em suma, não tenho a mínima esperança que o episódio tenha seu efeito pedagógico, pelo contrário, vai servir é de mau exemplo e deterioração noutras “editorias”.

Por isso, as questões como racismo, misoginia, violência contra mulheres vem avançado, não há limites.

Não interessa se Maurício Souza cometeu um crime, homofobia é crime e ponto final. Contudo, a maioria dos que apoia Maurício Souza deveria repensar sobre a diferença entre Liberdade de Expressão e apologia ao crime. Nossos filhos e netos podem pagar um preço por algo que eles nem entenderam ainda, #FicaaDICA.

 

Imagem: Reprodução Direitos.Me

Nota do Autor

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Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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