13 Razões

3%, 13 Reasons, 1000 maneiras e as Baleias

Dizem que … existem pessoas que tem mérito e as que não tem mérito.

“Você é o criador do seu próprio mérito… aconteça o que acontecer, você merece.” (Série Netflix – 3%)

Demorei alguns dias para deglutir o que chamo de diversionismo ou falsa polêmica. Situações em que a mídia dá ênfase a alguma polêmica, no sentido de desviar a atenção da patuleia para os problemas reais e detalhes do que acontece no país.

Ficção ou Realidade ?

Normalmente, não costumo entrar em polêmicas por modismo ou por audiência. De certa forma, dá mais prazer em escrever sobre o que ninguém escreve e descobrir que dias, semanas ou até meses depois, alguém da grande mídia fala sobre aquilo que já escrevemos.

Neste momento, resolvi juntar algumas coisas e tentar contribuir para esta polêmica levantada a partir do jogo denominado Blue Wales (Baleia Azul, para os lusófonos).

3% “O Processo”

A primeira série brasileira produzida pela Netflix não teve repercussão alguma nos portais e na grande mídia tupiniquim. Sabem porque? Porque mostra uma ficção com possíveis fatos reais. Mostra o futuro mas com lances e cenas possíveis de ver hoje em dia. Mostra manipulação, mostra conspiração, mostra cinismo, mostra questões como suicídio e morte por interesses superiores.

Na série, as palavras Meritocracia e Desigualdade comandam e orientam toda a série. Não no sentido utópico, teórico e manipulado que temos visto nas redes sociais e nas mídias. Além do tema citados, suicídio, depressão, estupro, roubo são paralelos e com a mesma relevância.

Curiosamente, a base da série é feita num enredo de pós adolescentes, quando completam 20 anos. Recomendo uma “leitura” atenta dos 8 episódios da série “3% – O Processo”, que teve a franquia renovada pela Netflix para a segunda temporada em 2017. Quem sabe a mídia deixa todos conhecerem a série.

“13 Reasons Why”

Outra série que tem causado furor, misturando-se com as questões suscitadas pelo game “Baleia Azul”, e aborda temas como suicídio, depressão e estupro, que passam a ter difícil abordagem numa forma de entretenimento. Tudo isso foi colocado numa série com a inclusão de suspense com a participação de adolescentes.

A série “13 Reasons Why” trata destes temas com realismo dramático e deveria ser vista por pais que tem filhos entre 12 e 18 anos. É necessário. Para entender o mundo e constatar que as gerações que eram determinadas de 18 em 18 anos, tiveram, nos últimos 20 anos, reduzidas no seu intervalo, passando para algo entre 12 e 15 anos. De maneira que nem “psicólogos” de redes sociais perceberam.

Mil maneiras de morrer

Outra Série Netflix muito curiosa pega, a partir de certidões de óbito reais no mundo inteiro, formas de morrer inexplicáveis e absurdas para montar seu conteúdo.

Possivelmente, a maioria das pessoas ditas normais, que eu chamo de teleguiadas e submetidas às novelas e noticiário noturno, que deixam a educação dos filhos por conta da TV e da “tia da escolinha”, não vai ter estômago e coragem para entender. Estes pais que, como os pais do garoto do Acre que mudou o quarto dele e nenhum familiar soube, até que ele sumisse, não conseguem sincronismo com o mundo real virtualizado.

Mil maneiras de morrer deveria ser visto, assim como as outras séries citadas, por todos os pais de adolescentes. Muitos sinais que a geração Z produz, antes de situações atípicas, são repetidas ou “inspiradas” no mundo da ficção, ou seria o contrário?

“A Baleia Azul o Game

É necessário que, principalmente, os pais de adolescentes estejam antenados sobre os modismos e a “cultura” das redes sociais. Acompanhar o mundo das gerações X, Y, Z, Milennium etc é essencial. Tudo muda muito rápido.

O jogo Baleia Azul, conhecido como o jogo da morte foi construído por adolescentes, talvez tenham tido pais permissivos e liberais. Pais preguiçosos e que deixam os filhos fazerem de tudo dentro de seus quartos, sob um pretenso como se ofilho dentro do quarto estivesse controlado. Mais uma vez, o pós-adolescente do Acre é exemplo lapidar. Sumiu e tramou tudo trancado no quarto.

É sabido que a Internet,as redes sociais e as mídias digitais potencializaram a Liberação de toda sorte de psicóticos, sociopatas e egoístas que imaginam que as suas “verdades” devem ser aceitas por todos.

Raros pais, poucos colégios tentaram entender o game Baleia Azul. A maioria preferiu repetir e reproduzir a mídia. Aí entramos numa questão grave. Vi, nos últimos dias, pais de adolescentes e pós adolescentes, darem pitaco sem saber nada do contexto. Reproduziram opiniões de pessoas que não tem filhos, que não viram a série, que não sabem nem onde tem o jogo. Infelizmente este é nosso caótico quadro social no Terceiro Milênio.

Futuro?

Não vejo boas perspectivas de futuro neste quadro. A responsabilidade objetiva da educação dos filhos é dos pais. Quando vejo pais reproduzindo merdas homéricas, sem saber por que?; Quando vejo pais confundindo educação com proselitismo; Quando vejo pais pedindo que se esqueça Paulo Freire e retire disciplinas essenciais do ensino médio; Quando vejo pais mais preocupados com baleias azuis do que com questões da previdência e emprego; tenho a certeza, fizemos (eu me incluo) muita coisa errada.

A discussão não é possível de ser feita em redes sociais. Deve sair deste mundo. Temos que iniciá-la.

Imagem: Reprodução Internet

Pedido de Doação

Meu irmão está precisando de doadores de sangue (qualquer tipo e fator), só assim ele, e muitos outros, conseguirão prosseguir com o tratamento e ter esperança numa melhoria e retomada da normalidade.

Carlos Henrique de Oliveira (paciente do Hospital Mater Dei)

Banco de Sangue – Hemoter

O Hemoter recebe doações para pacientes que estão internados em diversos hospitais. A doação pode ser realizada para paciente específico ou voluntário para o banco de sangue.

Telefone: (31) 3295-4584

Horário: 8h às 13h, segunda-feira a sábado (sábado, somente com agendamento prévio pelo telefone).

Endereço: Rua Juiz de Fora, 861, Barro Preto – Belo Horizonte.

2 comments for “3%, 13 Reasons, 1000 maneiras e as Baleias

  1. Geraldo Silva
    Abril 24, 2017 at 15:42

    Caro Prof. Evandro gostei muito de seus dizeres e me identifico com essa forma de pensar, procuro sempre que tenho oportunidade de tentar passar isso para os pais, que como muito bem dito, apesar de parecer para adolescentes, esse tema é sem duvida nenhuma para e dos pais.

    Grande abraço

    • Abril 24, 2017 at 16:02

      Grande JG, fico feliz em ler suas palavras… não estou falando ao vento. Não sou dono da verdade, mas certas situações estão ficando muito complicadas e nós, pais responsáveis por uma ou duas gerações que dominam as redes sociais, abrimos mão de tudo que diga respeito a estas inovações. Conversando com três pais, cujos filhos tem entre 16 e 24, no último feriado, fiquei assustado. É ESTARRECEDOR a alienação dos pais nas coisas sérias das redes sociais.Deixaram a educação dos filhos nas mãos dos professores do ensino médio e do início da faculdade. Por isso os bares próximos às faculdades tem mais receita do que as cantinas e são mais frequentados do que bibliotecas.

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