{"id":21346,"date":"2023-03-23T07:00:18","date_gmt":"2023-03-23T10:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/?p=21346"},"modified":"2023-03-23T09:08:58","modified_gmt":"2023-03-23T12:08:58","slug":"nada-demais-a-replica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/2023\/03\/23\/nada-demais-a-replica\/","title":{"rendered":"Nada demais &#8211; A r\u00e9plica"},"content":{"rendered":"<h3>A r\u00e9plica<\/h3>\n<p>Em primeiro lugar, este texto \u00e9 das rar\u00edssimas ocasi\u00f5es em que abro espa\u00e7o para a r\u00e9plica sobre algo que escrevi. Certamente, aprendemos (eu e a autora da r\u00e9plica) que \u00e9 da repeti\u00e7\u00e3o que adv\u00e9m o conhecimento, e no debate que avan\u00e7amos. Desse modo, &#8220;<strong>Nada demais<\/strong>&#8221; \u00e9 a resposta ao texto onde escrevi sobre o <strong>8 de mar\u00e7o<\/strong>.<\/p>\n<p>Portanto, aquelas e aqueles (sim, agora os do g\u00eanero oposto est\u00e3o convidados) que se interessarem, puxem a cadeira ou vamos ao &#8220;<strong>risca faca<\/strong>&#8220;.<\/p>\n<p>O texto &#8220;Nada demais &#8221; \u00e9 da doutora <strong>Janete Ferreira<\/strong>, que cuida de mulheres e crian\u00e7as com o mesmo carinho com que fez poesias e r\u00e9plicas, desde que a conhe\u00e7o.<\/p>\n<p>Enfim, a troca de ideias e sentimentos s\u00f3 pode fazer bem a todos, mesmo para quem n\u00e3o quer entrar na roda de prosa.<\/p>\n<h2>NADA DEMAIS<\/h2>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">por Janete Ferreira<\/span><\/p>\n<h4><span style=\"font-weight: 400;\">22 de mar\u00e7o de 2023<\/span><\/h4>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">&#8220;Para que servem os <strong>amigos<\/strong> sen\u00e3o para nos convidar a grandes aventuras. Em especial, a maior delas. A viagem para dentro de n\u00f3s mesmos.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">E foi um desses amigos, mestre na arte de polemizar que me enviou, no dia seguinte ao <strong>dia das mulheres<\/strong>, uma provoca\u00e7\u00e3o interessante. Dizia ele, no texto que postou em seu Blog, que dispensava a leitura e coment\u00e1rios de homens. E que pedia a aten\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres que se dispusessem a ler o seu escrito.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Aceitei o convite e me deparei com alguma concord\u00e2ncia sobre o papel da m\u00eddia, que com seu alto poder de manipula\u00e7\u00e3o, eleva o 8M ao seu \u00e1pice e usa as pr\u00f3prias mulheres para isso. Numa esp\u00e9cie de <strong>desagravo<\/strong>, \u00e0s datas comemorativas em geral, e tamb\u00e9m \u00e0 submiss\u00e3o que as mulheres aceitam ao difundirem a data, ele me diz que a bandeira pelos direitos das mulheres precisa acontecer em outro patamar e em outra narrativa.<\/span><\/em><\/p>\n<h4>A dor<\/h4>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Pronto. Bastou. Para mim que j\u00e1 havia vindo com muitas inquieta\u00e7\u00f5es sobre o misto de manifesta\u00e7\u00e3o, luta e <strong>comemora\u00e7\u00e3o<\/strong> que marcam a data, aceitei a provoca\u00e7\u00e3o. E prometi a ele que desceria ao meu por\u00e3o.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">E abri a porta para a minha dor. A dor do feminino. Ancestral, invis\u00edvel, e muitas vezes in\u00fatil. Porque, \u00e9 uma dor feminina, interpretada por um mundo masculino. E por isso, o n\u00e3o tem nem nome, nem se pode descrever.\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Ela circula por onde caminho, por onde trafego, por onde vivo. Algo que tem a sutileza de um sapato de pano, e o peso de uma pata de elefante. Em meu corpo, em minha alma.\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Sinto quando algu\u00e9m me trata como uma mulher. Mesmo quando finjo que n\u00e3o vejo. Mesmo quando abro um sorriso largo, para a falsidade de um <strong>gesto gentil<\/strong>. Que me oferece o que n\u00e3o preciso ter, e me nega o que \u00e9 mais precioso. O direito de me ser diferente, de ser feminina.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Sim, tenho olhos nas costas. Percebo quando o masculino desfaz o compromisso, retira o olhar, faz outras escolhas e define prioridades. N\u00e3o precisa me dizer, eu j\u00e1 sei.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o quero ouvir falar do mundo, do tempo, do dinheiro, do trabalho, dos problemas da vida, se eu s\u00f3 pergunto quem eu sou. E para onde o masculino caminha, sen\u00e3o\u00a0 comigo. E porque\u00a0 o olhar vem de cima e n\u00e3o do lado.\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o quero ouvir que s\u00e3o tolices. Que sou <strong>sens\u00edvel<\/strong>. Sou sens\u00edvel demais. E n\u00e3o prossiga, esclarecendo para me confundir. N\u00e3o precisa me explicar, eu j\u00e1 sinto.<\/span><\/em><\/p>\n<h4>Vis\u00edvel e Invis\u00edvel<\/h4>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">E n\u00e3o d\u00e1 para disfar\u00e7ar. N\u00e3o me adapto ao masculino, porque sou <strong>feminina<\/strong>. E d\u00f3i demais, ocupar esse corpo e essa alma. E perceber toda a sutileza de comandos, padr\u00f5es e normas criadas sob o ponto de vista masculino. O que eu sou capaz de criar e gestar \u00e9 sutil demais para ser sentido e percebido por um homem. Porque sou mulher. Desde que nasci.<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Onde a gente vai tem sempre algum olhar, algum jeito que dilacera, que arranca, que desloca. Nos l\u00e1bios, as falas do conforto de quem est\u00e1 \u00e0 vontade no mundo. Nos <strong>cora\u00e7\u00f5es<\/strong>, a experi\u00eancia de ter espa\u00e7o, de ter voz, de conquistar, de governar, fazer as leis. Mas eu n\u00e3o preciso saber o que eles pensam, eu j\u00e1 experimento.\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Muito antes da viol\u00eancia vis\u00edvel, est\u00e1 o invis\u00edvel. O que n\u00e3o \u00e9 fato, apenas sentido. Eu n\u00e3o preciso sofrer abuso, para me sentir abusada. E n\u00e3o preciso lutar, porque j\u00e1 conhe\u00e7o a derrota e a vit\u00f3ria. N\u00e3o preciso me defender, porque eu j\u00e1 abandonei a espada. <\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">E n\u00e3o quero comemorar, nem falar de <strong>direitos<\/strong>. <\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">Quero celebrar o que sou; ser feminina, na pele, no corpo e na alma. Quero ser f\u00eamea e me sentir plena por isso. Sempre quero me preencher de amor.\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<p><em><span style=\"font-weight: 400;\">E o que eu pe\u00e7o, meu amigo, n\u00e3o \u00e9 nada demais.&#8221;<\/span><\/em><\/p>\n<h4>Tr\u00e9plica<\/h4>\n<p>A princ\u00edpio, n\u00e3o tem que haver nenhuma <strong>tr\u00e9plica<\/strong> pois convergimos mais do que divergimos. Desse modo, \u00e9 esperar por mais camaradas que se alinhem nesta trincheira. Como se n\u00e3o bastasse, pod\u00edamos convocar algum convescote longe das <strong>redes sociais<\/strong> para revolucionar. \u00c9 prov\u00e1vel que em algum sarau po\u00e9tico vejamos que datas comemorativas n\u00e3o s\u00e3o para comemorar.<\/p>\n<p>Decerto, a sua r\u00e9plica n\u00e3o \u00e9 nada demais, \u00e9 aquilo a mais, que a maioria das pessoas precisa, nestes tempos dif\u00edceis.<\/p>\n<p>Em outras palavras, as de <strong>Charles Bukowski<\/strong>, &#8220;<em>\u00e0s vezes as coisas s\u00e3o apenas o que parecem ser, nada demais<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Em suma, nossas dores e quer\u00eancias s\u00e3o iguais e diferentes, e n\u00e3o precisa dia para sentirmos e vivermos tudo. Entretanto, temos que cuidar de todos n\u00f3s, juntos e misturados, sem preconceitos e inquieta\u00e7\u00f5es. Da mesma forma, estamos cansados de <strong>tolices<\/strong>, n\u00e3o porque estamos sens\u00edveis, mas porque as tolices tomam conta do mundo.<\/p>\n<p>A nossa percep\u00e7\u00e3o do mundo, sobretudo com a avalanche das redes sociais, nos permitem &#8220;text\u00f5es&#8221; com muito conte\u00fado.<\/p>\n<p>Afinal, devemos celebrar estes convites a grandes aventuras, internas e internacionais, temos este direito. E, finalmente, de acordo com o manual de regras de &#8220;<em>mi casa<\/em>&#8220;, pode quase tudo, aqui neste espa\u00e7o. Desse modo, vale tudo, at\u00e9 o final. Se bem que s\u00f3 n\u00e3o vale dedo no olho e retirar o olhar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"gmail-aligncenter gmail-size-full gmail-wp-image-4082 aligncenter\" src=\"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/barra.gif\" alt=\"\" width=\"467\" height=\"9\" \/><\/p>\n<p>Imagem: <strong>Evandro Oliveira<\/strong><\/p>\n<h3><span style=\"font-size: 24px;\">Nota do Autor<\/span><\/h3>\n<div dir=\"auto\">\n<p>Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na p\u00e1gina de &#8220;<a href=\"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/outras-licoes-advertencia-aos-leitores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Advert\u00eancias<\/strong><\/a>&#8220;.<\/p>\n<ul>\n<li>Sugest\u00f5es, indica\u00e7\u00f5es de erro e outros, uma vez que tenham o prop\u00f3sito de melhorar o conte\u00fado, s\u00e3o importantes. Basta colocar enviar\u00a0 coment\u00e1rios via e-mail para <strong><a href=\"mailto:pyxisbr@gmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pyxis at gmail.com.<\/a><\/strong> Na <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Prof.EvandroOliveira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>p\u00e1gina do Facebook,<\/strong><\/a> associada a este Blog, ou perfil do <a href=\"https:\/\/twitter.com\/Evandro_Pyxis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Twitter<\/strong><\/a>.<\/li>\n<li>Alguns textos sofreram revis\u00e3o, outros apresentam erros (inclusive ortogr\u00e1ficos) e que sofrer\u00e3o corre\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que tornam-se erros graves (inclusive hist\u00f3ricos).<\/li>\n<li>Algumas passagens e cita\u00e7\u00f5es podem parecer estranhas mas fazem parte ou referem-se a textos ainda in\u00e9ditos.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Agrade\u00e7o a todos e compreendo os que acham que escrevo coisas dif\u00edceis de entender, \u00e9 parte do &#8220;jogo&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Nada demais&#8221; \u00e9 um t\u00edtulo, por si s\u00f3, emblem\u00e1tico e instigante. Mas quem sou eu para dar palpite em t\u00edtulos alheios? Vamos \u00e0 r\u00e9plica.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":21351,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[2179,69,39,279,12,5984,3677,5983,3534,280],"tags":[5315,5981,38,5980,5979,5158,5989,23,5985,5982,1943,3667,46,14,5986,5987,5974,4348,5975,5976,5978,5988,5977],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21346"}],"collection":[{"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21346"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21346\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21357,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21346\/revisions\/21357"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/21351"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21346"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21346"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21346"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}