{"id":29475,"date":"2025-06-02T06:24:18","date_gmt":"2025-06-02T09:24:18","guid":{"rendered":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/?p=29475"},"modified":"2025-06-22T21:59:16","modified_gmt":"2025-06-23T00:59:16","slug":"entre-sem-bater-blaise-pascal-as-pessoas-comuns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/2025\/06\/02\/entre-sem-bater-blaise-pascal-as-pessoas-comuns\/","title":{"rendered":"Entre Sem Bater &#8211; Blaise Pascal &#8211; As Pessoas Comuns"},"content":{"rendered":"<h3>Entre sem Bater<\/h3>\n<p>Este \u00e9 um texto da s\u00e9rie &#8220;<a href=\"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/2016\/01\/26\/entre-sem-bater-a-serie-do-torelly\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Entre sem bater<\/strong><\/a>&#8221; (<strong>\u2190<\/strong> Uma leitura, acima de tudo, &#8220;obrigat\u00f3ria&#8221;). A cada texto, uma frase, cita\u00e7\u00e3o ou similar, que nos levem a refletir. \u00c9 prov\u00e1vel que muitas destas frases sejam do conhecimento de muitos, mas deixaremos que cada um se aproprie delas. Entretanto, algumas frases e seus autores podem surpreender a maioria dos leitores. A fal\u00e1cia de que &#8220;somos todos iguais&#8221; cai por terras, por exemplo, quando <strong>Blaise Pascal<\/strong> fala das &#8220;<strong>Pessoas Comuns<\/strong>&#8220;.<\/p>\n<p>Cada publica\u00e7\u00e3o ter\u00e1 reprodu\u00e7\u00e3o, resumidamente, nas redes sociais <a href=\"https:\/\/br.pinterest.com\/pyxisbr\/entre-sem-bater\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Pinterest<\/strong><\/a>, <strong>Facebook<\/strong>, <strong>Twitter<\/strong>, <strong>Tumblr<\/strong> e, eventualmente, em outras isoladamente.<\/p>\n<p>As frases com publica\u00e7\u00e3o aqui t\u00eam as mais diversas origens. Com toda a certeza, algumas delas estar\u00e3o com autoria errada e sem autor com defini\u00e7\u00e3o. Assim sendo, contamos com a colabora\u00e7\u00e3o de todos de boa vontade, para indicar as corre\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na maioria dos casos, s\u00e3o frases provocativas e que, surpreendentemente, nos dizem muito em nosso cotidiano. Quando for uma palavra somente, traremos sua defini\u00e7\u00e3o. Em caso de termos ou express\u00f5es peculiares, oferecemos uma vers\u00e3o particular. Os coment\u00e1rios em todas as <strong>redes sociais<\/strong> podem ter suas respostas em cada rede e\/ou com reprodu\u00e7\u00e3o neste Blog.<\/p>\n<h4>Blaise Pascal<\/h4>\n<p>Reproduzir e escrever sobre frases de <strong>mentes brilhantes<\/strong>, como <strong>Pascal<sup>(*)<\/sup><\/strong>, al\u00e9m de dif\u00edcil, n\u00e3o pode ser em textos curtos. Assim sendo, que me desculpem aqueles apressadinhos e que s\u00f3 querem saber dos <strong>280 caracteres<\/strong> ou menos. Assim como Pascal escreveu sobre <strong>convic\u00e7\u00f5es religiosas<sup>(1)<\/sup><\/strong> e as <strong>maldades humanas<\/strong>, ele falou sobre as pessoas comuns. Todas estas express\u00f5es, aparentemente simples, carregam muita filosofia e sabedoria.<\/p>\n<blockquote><p><b>Blaise Pascal<\/b>\u00a0(\u00a019 de junho\u00a0de 1623\u00a0&#8211;\u00a019 de agosto\u00a0de 1662 ) <em>foi um\u00a0<\/em><em>matem\u00e1tico, l\u00f3gico, inventor, fil\u00f3sofo , f\u00edsico, te\u00f3logo e escritor cat\u00f3lico franc\u00eas. Pascal foi uma <strong><a title=\"crian\u00e7a prod\u00edgio\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Child_prodigy\">crian\u00e7a prod\u00edgio<\/a><\/strong> educada por seu pai, um cobrador de impostos em Rouen. Seu primeiro trabalho matem\u00e1tico foi sobre se\u00e7\u00f5es c\u00f4nicas. Escreveu um tratado significativo sobre o assunto da <strong><a title=\"geometria projetiva\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Projective_geometry\">geometria projetiva<\/a><\/strong> aos 16 anos. Mais tarde, escreveu sobre a\u00a0<a title=\"Teoria da probabilidade\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Probability_theory\"><strong>teoria da probabilidade<\/strong><\/a>, influenciando fortemente o desenvolvimento da economia moderna e das <strong>ci\u00eancias sociais<\/strong>. Em 1642, ainda adolescente, iniciou alguns trabalhos pioneiros em m\u00e1quinas de calcular (chamadas <strong><a title=\"calculadora de Pascal\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Pascal%27s_calculator\">calculadoras de Pascal<\/a><\/strong>). Atribui-se a ele a concep\u00e7\u00e3o de um dos dois primeiros inventos de c\u00e1lculo mec\u00e2nico. Como seu contempor\u00e2neo <strong><a title=\"Ren\u00e9 Descartes\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Ren%C3%A9_Descartes\">Ren\u00e9 Descartes<\/a><\/strong>, Pascal tamb\u00e9m foi um pioneiro nas ci\u00eancias naturais e aplicadas. Pascal escreveu em defesa do <strong><a title=\"M\u00e9todo cient\u00edfico\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Scientific_method\">m\u00e9todo cient\u00edfico<\/a><\/strong><\/em><em> e produziu v\u00e1rios resultados controversos<\/em>.<\/p>\n<p>Fonte: Wikipedia (ingl\u00eas)<\/p><\/blockquote>\n<h4><span style=\"font-size: 30px;\">Pessoas Comuns<\/span><\/h4>\n<p>O termo que faz refer\u00eancias \u00e0s pessoas comuns foi alvo de diversos <strong>pensadores<\/strong> e fil\u00f3sofos.<\/p>\n<p>Schopenhauer disse:<\/p>\n<p id=\"NTMwMA\" class=\"frase fr\">&#8220;<em>As pessoas comuns pensam apenas como passar o tempo. Uma pessoa inteligente tenta usar o tempo<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Nietzsche, por outro lado, tratou o termo de maneira mais pr\u00f3xima de Pascal. Desta forma, ambos associaram a ideia de generalizar as <strong>pessoas comuns<\/strong>, no geral, como um equ\u00edvoco.<\/p>\n<blockquote><p><em>&#8220;Os jovens amam o que \u00e9 interessante e estranho, n\u00e3o importa qu\u00e3o verdadeiro ou falso seja. Mentes mais maduras amam o que h\u00e1 de interessante e estranho na verdade. Intelectos plenamente maduros, por fim, amam a verdade, mesmo quando ela parece clara e simples, entediante para a pessoa comum; pois perceberam que a verdade tende a revelar sua sabedoria suprema sob a forma de simplicidade.&#8221;<\/em><\/p><\/blockquote>\n<h3>Pessoas Inteligentes<\/h3>\n<p data-start=\"343\" data-end=\"1106\">Blaise Pascal escreveu afirmou sobre a capacidade dos de maior intelecto verem originalidade nas pessoas comuns. J\u00e1 Nietzsche, s\u00e9culos antes das<strong> redes sociais<\/strong>, identificou que os mais jovens amam apenas o que \u00e9 agrad\u00e1vel e sedutor\u201d.<\/p>\n<p data-start=\"343\" data-end=\"1106\">Ambas as senten\u00e7as, embora aparentemente distintas, convergem para um mesmo ponto. Inquestionavelmente, a capacidade de ver al\u00e9m das apar\u00eancias e da superf\u00edcie \u00e9 um atributo raro. E essa maturidade \u2014 composta de experi\u00eancia, reflex\u00e3o e autoconhecimento \u2014 define que n\u00e3o existem pessoas comuns. Estes chav\u00f5es ou acep\u00e7\u00f5es toscas s\u00e3o um disfarce pobre, de <strong>n\u00e9scios<\/strong>, para uma complexidade infinitamente rica.<\/p>\n<p data-start=\"1108\" data-end=\"1683\">As pessoas mais maduras, costumam se afastar de paralogismos como generaliza\u00e7\u00f5es apressadas, que tanto seduzem os jovens. A juventude, naturalmente impulsiva, busca categorias, r\u00f3tulos e identidades fixas como forma de organizar o mundo. Esse comportamento, a princ\u00edpio, n\u00e3o parece um defeito, mas um est\u00e1gio de constru\u00e7\u00e3o do ser humano. Contudo, o problema surge quando essa urg\u00eancia de classificar se transforma em filtros e barreiras. Assim sendo, \u00e9 poss\u00edvel caracterizar este comportamento humano, atualmente comum, como <strong>pregui\u00e7a mental<sup>(2)<\/sup><\/strong>. Surpreendentemente, para o jovem, o diferente ainda \u00e9 o \u201coutro\u201d, enquanto para o maduro, o diferente \u00e9 o real. No entanto, devemos ter o cuidado de n\u00e3o caracterizar tudo isso como uma quest\u00e3o et\u00e1ria, pois n\u00e3o \u00e9.<\/p>\n<h4 data-start=\"1108\" data-end=\"1683\">Sabedoria e Intelig\u00eancia<\/h4>\n<p data-start=\"1685\" data-end=\"2284\">Os mais novos tendem, com toda a certeza, a ver o \u201cpovo\u201d, o \u201chomem comum\u201d, o \u201c<strong>cidad\u00e3o m\u00e9dio<\/strong>\u201d como blocos monol\u00edticos. A maturidade, por outro lado, ensina que esses blocos s\u00e3o ilus\u00f3rios e quase indecifr\u00e1veis. Ningu\u00e9m \u00e9 inteiramente comum, pois toda exist\u00eancia \u00e9 \u00fanica e marcada por viv\u00eancias, dilemas, decis\u00f5es e contextos \u00fanicos. Podemos mencionar, por exemplo, o pedreiro, a atendente do mercado, o carteiro do bairro. Certamente, todos t\u00eam hist\u00f3rias, traumas, mem\u00f3rias e epifanias que n\u00e3o se encaixam em moldes estat\u00edsticos ou generaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p data-start=\"2286\" data-end=\"2879\">Pascal, ao afirmar que os mais inteligentes percebem mais originalidade nas pessoas comuns, toca num ponto vital. A percep\u00e7\u00e3o da singularidade alheia \u00e9 diretamente proporcional \u00e0 profundidade do nosso olhar e pensamento. O que se v\u00ea depende da lente com que se observa, que carrega muita experi\u00eancias e sabedoria. Um esp\u00edrito raso ver\u00e1 repeti\u00e7\u00e3o onde um esp\u00edrito profundo ver\u00e1 nuances, um <strong>esp\u00edrito fraco<sup>(3)<\/sup><\/strong> n\u00e3o v\u00ea nada.<\/p>\n<p data-start=\"2286\" data-end=\"2879\">\u00c9 por isso que a sabedoria n\u00e3o est\u00e1 apenas em acumular conhecimento, mas em refinar a sensibilidade. Ver o <strong>extraordin\u00e1rio<\/strong> no ordin\u00e1rio \u00e9 um sinal de intelig\u00eancia emocional e filos\u00f3fica. E isso s\u00f3 vem com o tempo \u2014 ou com uma rara predisposi\u00e7\u00e3o para a leitura e contempla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4 data-start=\"2286\" data-end=\"2879\">Agrad\u00e1vel e Sedutor<\/h4>\n<p data-start=\"2881\" data-end=\"3449\">Nietzsche, por sua vez, alerta para o perigo da <strong>superficialidade est\u00e9tica<\/strong>. Busca-se, ainda hoje, de forma infantil \u2014 aquilo que \u00e9 \u201cagrad\u00e1vel e sedutor\u201d, em detrimento do que \u00e9 \u201cestranho e interessante\u201d. O estranho, aqui, n\u00e3o \u00e9 o bizarro, mas aquilo que nos desafia, que resiste \u00e0s categorias f\u00e1ceis e ao senso comum.<\/p>\n<p data-start=\"2881\" data-end=\"3449\">O verdadeiro, na vis\u00e3o de Nietzsche, n\u00e3o \u00e9 o que nos conforta, mas o que nos confronta e incomoda. Assim, o estranho e o interessante s\u00e3o faces da autenticidade: aquilo que nos obriga a sair da zona de conforto. Sendo assim, considerar que o mundo \u2014 e as pessoas \u2014 s\u00e3o muito al\u00e9m do que entendemos at\u00e9 agora, uma <strong>transgress\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p data-start=\"3451\" data-end=\"3998\">O amadurecimento, portanto, \u00e9 tamb\u00e9m uma<strong> jornada de aprendizagem<\/strong> constante e evolutiva. Desaprender, reaprender e aprender f\u00f3rmulas f\u00e1ceis, dicotomias simplistas e revisar preconceitos. A sabedoria nasce quando compreendemos que os r\u00f3tulos s\u00e3o mapas, n\u00e3o territ\u00f3rios; s\u00e3o \u00fateis em certos contextos. Entretanto, n\u00e3o devem substituir o esfor\u00e7o genu\u00edno de conhecer as pessoas comuns em sua totalidade. Com o passar dos anos, n\u00e3o raramente, as pessoas devem rever julgamentos antigos e perceber seus enganos. Certamente, n\u00e3o por ter uma m\u00e1 inten\u00e7\u00e3o, mas por ter cometer um paralogismo \u2014 ali\u00e1s a marca registrada da juventude.<\/p>\n<h4 data-start=\"3451\" data-end=\"3998\">Tempos Estranhos<\/h4>\n<p data-start=\"4000\" data-end=\"4554\">Curiosamente, essa mesma maturidade que ensina a ver a <strong>singularidade<\/strong> das pessoas comuns tamb\u00e9m traz uma dificuldade. O s\u00e1bio n\u00e3o se sente acima dos outros, mas entre eles, e n\u00e3o recebe a compreens\u00e3o de todos. Ele reconhece que a linha entre o genial e o banal, o forte e o fr\u00e1gil, o sensato e o insensato, \u00e9 t\u00eanue. Transitamos neste territ\u00f3rio pantanoso o tempo todo e em todas \u00e1reas do conhecimento. A vida \u00e9 um campo de tens\u00f5es, e ningu\u00e9m escapa disso, mas ficou absurda a posi\u00e7\u00e3o de haters contra os que mostram conhecimento. Desse modo, surgem a\u00e7odamentos e respostas no lugar de se escutar, e observar. A experi\u00eancia ensina que aquilo que parece simples quase sempre esconde camadas de <strong>complexidade<\/strong>.<\/p>\n<p data-start=\"4556\" data-end=\"5069\">As implica\u00e7\u00f5es dessa vis\u00e3o mais madura s\u00e3o de uma vastid\u00e3o assustadora, gerando at\u00e9 inimizades e rancores pueris. Num tempo de polariza\u00e7\u00f5es, cancelamentos e julgamentos instant\u00e2neos, reconhecer a riqueza do \u201ccomum\u201d \u00e9 revolucion\u00e1ria.<\/p>\n<p data-start=\"4556\" data-end=\"5069\">Valorizar o que \u00e9 diferente \u2014 n\u00e3o apenas o ex\u00f3tico, mas o discretamente \u00fanico \u2014 \u00e9 uma forma de resist\u00eancia \u00e0 massifica\u00e7\u00e3o. E essa<strong> resist\u00eancia<\/strong> n\u00e3o \u00e9 barulhenta, mas silenciosa. Ela acontece no modo como escutamos algu\u00e9m e no tempo que damos para compreender um gesto, sem expectativa de reciprocidade.<\/p>\n<h4 data-start=\"4556\" data-end=\"5069\">Velocidade n\u00e3o \u00e9 tudo<\/h4>\n<p data-start=\"5071\" data-end=\"5496\">Em um mundo que corre na velocidade da fibra \u00f3tica, o maduro caminha num<em> link<\/em> de modem anal\u00f3gico. No mundo atual em que um grito e uma musiquinha vomitam verdades, o maduro silencia. E s\u00e3o essas e outras posturas que permite a ele encontrar <strong>originalidade<\/strong> onde outros veem mesmice.<\/p>\n<p data-start=\"5071\" data-end=\"5496\">N\u00e3o se trata de idealizar a maturidade como um est\u00e1gio perfeito \u2014 todos <strong>somos falhos<\/strong> em todas as fases da vida. Entretanto, devemos reconhecer que o tempo, com bom aproveitamento, nos torna mais aptos a perceber o ser humano. E Schopenhauer sabia disso.<\/p>\n<p data-start=\"5498\" data-end=\"5908\">Portanto, se h\u00e1 algo que os anos nos ensinam, \u00e9 que n\u00e3o existe \u201cgente comum\u201d. H\u00e1 apenas pessoas que ainda n\u00e3o tiveram a aten\u00e7\u00e3o suficiente para mostrarem suas qualifica\u00e7\u00f5es. A <strong>maturidade<\/strong> \u00e9, talvez, essa escuta que se aprofunda. Uma escuta que v\u00ea, uma vis\u00e3o que sente, um sentimento que pensa. Como diria Pascal, s\u00f3 quem tem olhos refinados v\u00ea a originalidade do mundo. E como lembraria Nietzsche, s\u00f3 quem ama o estranho \u00e9 capaz de tocar o real.<\/p>\n<h3>Pessoas Comuns &#8211; Black Mirror<\/h3>\n<p data-start=\"0\" data-end=\"641\">O epis\u00f3dio <em data-start=\"11\" data-end=\"29\">\u201cPessoas Comuns\u201d<\/em> (<em data-start=\"31\" data-end=\"41\">Nosedive<\/em>), da s\u00e9rie <em data-start=\"53\" data-end=\"67\">Black Mirror<\/em><strong><sup>(*)<\/sup><\/strong>, retrata uma <strong>sociedade dist\u00f3pica<\/strong> e atual. Na fic\u00e7\u00e3o,\u00a0 cada indiv\u00edduo tem avalia\u00e7\u00e3o constante de seus pares, com base em intera\u00e7\u00f5es cotidianas. Desse modo, sorrisos, postagens, modos de falar e outros, geram uma pontua\u00e7\u00e3o social que define o acesso a bens e servi\u00e7os. Em outras palavras, at\u00e9 relacionamentos surgem com base em superficialidades e generaliza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p data-start=\"0\" data-end=\"641\">Nesse universo dist\u00f3pico, as pessoas vivem em fun\u00e7\u00e3o da apar\u00eancia e da aprova\u00e7\u00e3o alheia. Por isso, conformam-se com <strong>padr\u00f5es artificiais<\/strong> de comportamento para obter notas, likes e aprova\u00e7\u00f5es. Desta forma, as pessoas comuns criam uma obsess\u00e3o por essas valida\u00e7\u00f5es, pertencimentos e aceita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p data-start=\"643\" data-end=\"1225\">Essa realidade virtual se conecta diretamente \u00e0 reflex\u00e3o de Blaise Pascal. N\u00e3o se veem nuances, complexidades ou originalidades, apenas &#8220;gente&#8221; ou &#8220;grupo&#8221;. O epis\u00f3dio refor\u00e7a, por exemplo, a cr\u00edtica pela busca constante por aceita\u00e7\u00e3o e pertencimento que levam \u00e0 <strong>anula\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo<\/strong>. Assim sendo, qualquer desvio de comportamento pode resultar em exclus\u00e3o ou puni\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<h4 data-start=\"643\" data-end=\"1225\">Mediocridade em Alta<\/h4>\n<p data-start=\"1227\" data-end=\"1718\">No mundo atual, essa l\u00f3gica n\u00e3o \u00e9 distante. As redes sociais criaram bolhas de pertencimento onde importa o \u201cser aceito\u201d. Likes, muitos seguidores e tend\u00eancias geram uma press\u00e3o cont\u00ednua por conformidade. Aqueles que destoam, que ousam ser diferentes ou sinceros, viram marginais. A maioria se adequa \u2014 repete os mesmos discursos, as mesmas poses, os mesmos julgamentos \u2014 como forma de <strong>autopreserva\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p data-start=\"1720\" data-end=\"2048\">Essa homogeneiza\u00e7\u00e3o tem um pre\u00e7o alto: a mediocridade coletiva se fortalece enquanto a originalidade individual se enfraquece. A <strong>intelig\u00eancia<\/strong>, como sugere Pascal, percebe diferen\u00e7as e valoriza o que \u00e9 singular. Contudo, esse olhar exige profundidade, empatia e coragem \u2014 atributos rar\u00edssimos numa cultura de performance social.<\/p>\n<p data-start=\"2050\" data-end=\"2507\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">Assim, a sociedade atual, como a do epis\u00f3dio, est\u00e1 presa a uma estrutura com v\u00edcios e sem retorno. Prevalece a busca por aceita\u00e7\u00e3o entre as \u201cpessoas comuns\u201d, alimentando uma <strong>mediocridade<\/strong> crescente. E, paradoxalmente, quanto mais as pessoas se igualam para pertencer, menos humanas e mais artificiais se tornam. Libertar-se dessa l\u00f3gica talvez exija o mesmo colapso vivido no epis\u00f3dio: uma quebra, uma perda, uma queda.<\/p>\n<p data-start=\"2050\" data-end=\"2507\" data-is-last-node=\"\" data-is-only-node=\"\">Enfim, somente assim, eventualmente, a <strong>verdade<\/strong> e a<strong> consci\u00eancia<\/strong>, ainda que desconfort\u00e1veis, podem emergir.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&#8220;<strong>Amanh\u00e3 tem mais &#8230;\u00a0<\/strong><\/p>\n<h5 data-sourcepos=\"61:1-61:210\">P. S.<\/h5>\n<p data-sourcepos=\"61:1-61:210\"><strong><sup>(*) <\/sup><\/strong>\u00a0Primeiro epis\u00f3dio da s\u00e9tima temporada, \u00e9 uma <strong>fic\u00e7\u00e3o dist\u00f3pica<\/strong>, mas que retrata casos que podem ser reais.<\/p>\n<p><strong><sup>(1)<\/sup><\/strong> &#8220;<a href=\"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/2024\/05\/29\/entre-sem-bater-blaise-pascal-a-conviccao-religiosa\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Entre Sem Bater &#8211; Blaise Pascal &#8211; A Convic\u00e7\u00e3o Religiosa<\/strong><\/a>&#8221;<\/p>\n<p><strong><sup>(2)<\/sup><\/strong>\u00a0&#8220;<a href=\"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/2023\/03\/10\/entre-sem-bater-liz-hurley-preguica-mental\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Entre Sem Bater &#8211; Liz Hurley &#8211; Pregui\u00e7a Mental<\/strong><\/a>&#8221;<\/p>\n<p><strong><sup>(3)<\/sup><\/strong>\u00a0&#8220;<a href=\"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/2023\/08\/16\/entre-sem-bater-giordano-bruno-espiritos-fracos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Entre Sem Bater &#8211; Giordano Bruno &#8211; Esp\u00edritos Fracos<\/strong><\/a>&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"gmail-aligncenter gmail-size-full gmail-wp-image-4082 aligncenter\" src=\"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-content\/uploads\/2017\/08\/barra.gif\" alt=\"\" width=\"467\" height=\"9\" \/><\/p>\n<p>Imagem: Entre sem bater &#8211; Blaise Pascal &#8211; As Pessoas Comuns<\/p>\n<h5><span style=\"font-size: 24px;\">Nota do Autor<\/span><\/h5>\n<p>Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na p\u00e1gina de &#8220;<a href=\"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/outras-licoes-advertencia-aos-leitores\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>Advert\u00eancias<\/strong><\/a>&#8220;.<\/p>\n<ul>\n<li>Os textos de &#8220;Entre sem bater&#8221; s\u00e3o opinativos\/informativos, inquestionavelmente com o objetivo de estimular a reflex\u00e3o e o debate.<\/li>\n<li>Sugest\u00f5es, indica\u00e7\u00f5es de erro e outros, uma vez que tenham o prop\u00f3sito de melhorar o conte\u00fado, s\u00e3o importantes. Basta enviar e-mail para <strong><a href=\"mailto:pyxisbr@gmail.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pyxis at gmail.com<\/a>,<\/strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/Prof.EvandroOliveira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><strong>p\u00e1gina do Facebook,<\/strong><\/a> associada a este Blog, ou perfil do <a href=\"https:\/\/twitter.com\/Evandro_Pyxis\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><strong>Twitter<\/strong><\/a>, <strong><a href=\"https:\/\/edition.cnn.com\/2023\/07\/06\/tech\/instagram-threads-app-explained\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Threads<\/a><\/strong>, <strong> etc.<\/strong><\/li>\n<li>Alguns textos sofreram revis\u00e3o, outros ainda apresentam erros (inclusive ortogr\u00e1ficos) e sofrer\u00e3o corre\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que se tornam erros graves (inclusive hist\u00f3ricos).<\/li>\n<li>Algumas passagens e cita\u00e7\u00f5es podem parecer estranhas, mas fazem parte ou referem-se a textos ainda in\u00e9ditos.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ideia de que as pessoas comuns n\u00e3o possuem nada de diferente \u00e9 equivocada e um estere\u00f3tipo que se intensificou com as redes sociais.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":29558,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[1376,2179,69,2,5619,1112,279,5697,12,2954,6877,8381,3633,3767,1697,3534,280],"tags":[6020,2333,10955,10951,8869,6652,10954,2402,10956,9894,8150,696,10949,10940,2348,10952,10181,1899,10950,5833,761,6104,1758,6185,9248],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29475"}],"collection":[{"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=29475"}],"version-history":[{"count":11,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29475\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29568,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/29475\/revisions\/29568"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media\/29558"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=29475"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=29475"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/evandrooliveira.pro.br\/wp\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=29475"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}