Ano novo, mundo velho
A cada final de ano, pelo Calendário Gregoriano, renovam-se as esperanças de que um mundo velho, se transforme em algo diferente. Certamente, duas frases atribuídas a Einstein me chamam a atenção a cada início de ano.
- Loucura é querer resultados diferentes fazendo tudo exatamente igual.
- A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original.
Atribuo autoria a Einstein para dar aquele ar falacioso de “apelo à autoridade”, argumento com o qual costumamos tentar convencer as pessoas de que estamos certos e queremos ser apoiados.
Este tema é controverso pois os otimistas logo irão dizer que somos (aqueles que entendem a linha do que quero dizer) pessimistas. Por outro lado, ler ou ouvir algo diferente das inúmeras mensagens de Natal, Boas Festas e um Ano Novo feliz, chega a ser preocupante.
Por que digo preocupante?
Com toda a certeza, vejo que muitas destas mensagens nada são além do que a necessidade das pessoas acreditarem que algo diferente vai acontecer, mesmo que continuem fazendo as mesmas coisas. Pessoas acreditam que novas ideias são palavras que não servem para nada e acreditam em velhos chavões e narrativas que abundam em redes sociais.
Desde que comecei este Blog, tenho insistido em algumas abordagens, em tentar apresentar ideias “fora da caixinha“. Alguns dias atrás escrevi um texto sobre o Natal(1), que foi interpretado de muitas maneiras diferentes.
Enfim, lá vamos nós para falar sobre calendários aleatórios e hábitos malucos que as pessoas insistem em repetir neste mundo velho sem porteira.
Mundo Velho e o calendário
Escrevo textos publicados na Internet desde pouco antes da explosão das listas de discussão e sites com domínio “.com.br“. Sou daqueles que já publicava textos em sites de páginas gratuitas e usando o navegador Mosaic, o que me coloca numa era jurássica da tecnologia. Meu primeiro texto, que nunca mais consegui recuperar, tratava da questão do tempo e dos nossos calendários. Era um texto em que eu, com a formação de administrador, questionava a desculpa das pessoas para as coisas dizendo “não tenho tempo“.
Como assim não tem tempo?
Estamos sob a mesma ditadura do relógio, com as mesmas horas, tempo e calendário e, desse modo, meu texto era sobre como as sociedades adotaram um calendário e ficamos escravos destes calendários.
Calendários
Aqui, faz-se necessário um parêntesis, podemos apresentar uma breve referência à história dos calendários.
O prof. Renato Las Casas (UFMG), em seu texto “Calendários” instiga a qualquer um a pesquisar e abrir a mente para coisas simples e que não damos importância. É apenas um pequeno texto com muito conteúdo e que nos leva a pesquisar no Wikipedia e Google sobre os vários calendários e porque nossa sociedade preza tanto esta virada de ano como se fosse possível o mundo velho mudar em cinco segundos.
As curiosidades são tantas que tenho textos sobre os vários calendários como por exemplo, a pitoresca Folhinha de Mariana(2), além de outros sobre calendários indianos, judaicos, chinês etc. Surpreendentemente, a maioria dos calendários não apareceram a partir de crenças ou religiões, mas a partir da ciência e da observação. Os ciclos lunares devem ter sido os primeiros a serem registrados e associados com o comportamento das pessoas.
Todas as vezes que fazemos algo que tenha relação a uma cronologia ou calendário, deveríamos parar e pensar sobre a importância de usarmos esta ou aquela referência.
Ano novo, vida nova?
Do mesmo modo que Drummond fez referência à Folhinha de Mariana, um outro texto dele circula em tempos de mudança de ano. Começa mais ou menos assim: ” Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias … “, entretanto, que me desculpe o poeta, mas não foi nada inteligente, foi conveniente.
Deixar as pessoas anestesiadas por um momento serve para muitas coisas, menos para abrir a mente e tentar mostrar que Einstein estava errado. Em outras palavras, de nada adianta pensar em mudar o mundo, ter resultados diferentes e melhorar até pessoalmente, se as mesmas coisas são repetitivas e equivocadas.
Tenho a certeza de que meu realismo será visto como pessimismo e que eu poderia me juntar aos trilhões de mensagens de um “Feliz 2022“. Certamente não sou o único que fica preocupado com a sua comunidade, cidade, estado ou país e com as pessoas voltando a fazer as mesmas coisas no primeiro dia do ano.
Assim sendo, não me importo com alguns rótulos, especialmente se vindos de quem é a prova cabal do que estou afirmando.
Enfim, desejo a todos um 2022 de realizações positivas, com mudanças de pensamento, de coisas diferentes. Do mesmo modo, é meu desejo para adeptos de qualquer outro novo ano no calendário Indiano, Chinês ou Judaico. Façam diferente, sempre na expectativa de dar certo para o maior número de pessoas, pensem mais no coletivo do que no individual, sejam a diferença na imaginação e na ação.
Com toda a certeza, todos conseguirão !
Expressões populares
Expressões populares como “mundão velho sem porteira” são difíceis de pesquisar a origem. Frases e estrofes inteiras de músicas usam expressões populares mas carregam significados que, eventualmente, são diferentes para pessoas e culturas diferentes. A sabedoria popular, notadamente do caipira, do sertanejo, do cancioneiro, deveriam ser vistas assim como dos filósofos e inteligências como Einstein, Drummond e outros.
“O tempo é senhor da razão” foi uma das frases que viralizou no Brasil algum tempo atrás, dizia muito sobre as pessoas e sobre um momento específico.
Por quê temos que esperar o tempo passar para decidirmos quem estava com a razão?
O que fizemos das pessoas que frequentam estas redes sociais superficiais e nefastas?
Aprendemos alguma coisa fazendo as coisas da mesma forma, mesmo que os resultados tenham sido ruins?
Em suma, as redes sociais são necessárias, até para que as pessoas tenham independência e consigam ao menos pensar fora da caixinha, quem sabe um dia funciona.
O mundo é velho, não tem porteira e é redondo, nada muda se você não começar a mudança por você mesmo. Bem-vindos a 2022 !
P. S. Um dos calendários que mais admiro, não mencionado neste texto, é o Calendário Maia, e eles estavam certos, o mundo acabou em 2012 (#CQD).
(1) “E então… é Natal“
(2) “Folhinha de Mariana – Patrimônio imaterial”
Imagem: Reprodução Dreamstime.Com
Nota do Autor
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