Entre sem Bater
Este é um texto da série “Entre sem bater” (← Uma leitura, acima de tudo, “obrigatória”). A cada texto, uma frase, citação ou similar, que nos levem a refletir. É provável que muitas destas frases sejam do conhecimento de muitos, mas deixaremos que cada um se aproprie delas. Entretanto, algumas frases e seus autores podem surpreender a maioria dos leitores. Bob Marley tinha pensamentos interessantes, muitos o desprezaram por conta de alguns preconceitos, mas “Desistir” era uma opção.
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As frases com publicação aqui têm as mais diversas origens. Com toda a certeza, algumas delas estarão com autoria errada e sem autor com definição. Assim sendo, contamos com a colaboração de todos de boa vontade, para indicar as correções.
Na maioria dos casos, são frases provocativas e que, surpreendentemente, nos dizem muito em nosso cotidiano. Quando for uma palavra somente, traremos sua definição. Por isso, em caso de termos ou expressões peculiares, oferecemos uma versão particular. Os comentários em todas as redes sociais podem ter suas respostas em cada rede e/ou com reprodução neste Blog.
Bob Marley
Bob Marley foi um artista acima da média e vindo de uma camada social em que salva-se um em milhões. Sua carreira é pitoresca e a música com a frase sobre escravidão mental(1) estava na sua última produção de estúdio, ainda vivo. Seus pensamentos tornam-se, cada vez mais, atuais e convergentes ante a loucura em que a nossa sociedade digital se encontra.
Robert Nesta Marley OM (6 de fevereiro de 1945 – 11 de maio de 1981) foi um cantor, músico e compositor jamaicano. Nasceu em Nine Mile, Jamaica e iniciou sua carreira musical profissional em 1963, após formar os Teenagers com Peter Tosh e Bunny Wailer. Posteriormente, com várias mudanças de nome em pouco tempo, se tornaram o “The Wailers“. Foi um dos pioneiros do reggae e sua carreira musical foi marcada pela fusão de elementos do reggae, ska e rocksteady, bem como seu estilo vocal e de composição distintos. As contribuições de Marley para a música aumentaram a visibilidade da música jamaicana em todo o mundo. Ao longo de sua carreira, Marley tornou-se conhecido como um ícone Rastafari, com sua música e um senso de espiritualidade. É um símbolo global da música, da cultura e da identidade jamaicana. Participou ativamente, com suas controvérsias e apoio franco às reformas sociais democráticas. Em 1976, Marley sobreviveu a uma tentativa de assassinato em sua casa, que se pensava ter motivação política. Ele também apoiou a legalização da maconha e defendeu o pan-africanismo.
Fonte: Wikipedia (Inglês)
Desistir
Em primeiro lugar, devemos reconhecer que algumas palavras são como um coringa para elevar espíritos, rebaixá-los ou mostrar a realidade. Do mesmo modo, frases motivacionais indicam, erroneamente, que desistir não é um comportamento positivo. Às favas com o positivismo e otimismo cego, e apoiemos as opções das pessoas, respeitando as opções de desistir ou persistir. Em outras palavras, cada pessoa pode desistir ao seu modo, como Marley expressou em seu pensamento.
Tradicionalmente (sim, este blog já possui “tradições”) publico, no início de cada ano, textos críticos e um pouco “fora da caixinha”. Um ano atrás, desejei um “Feliz Chip Novo“(2) e o texto passou longe dos que tiveram maior número de leituras. Como se não bastasse, os parcos comentários, geraram mais dúvidas do que certezas. Contudo, em nenhum momento, pensei em desistir de escrever com ceticismo nestas datas festivas.
Assim sendo, cá estamos, para falar da coragem de saber desistir, de maneira específica, das coisas e das pessoas, não das ideias. E, certamente, a mudança de ciclos que um calendário maluco cristão nos força a não ir na onda ampla, geral e irrestrita. Depois do “chip novo” é hora de desejar um feliz novo ciclo, seja qual for a periodicidade de seu ciclo.
Há muito renovo muitas coisas, desistindo de umas tantas e persistindo em outras. Estes ciclos de renovação eram, décadas atrás, de cinco anos. As mudanças eram várias, mudava de estado civil, de residência, de corte de cabelo, de carro, tudo num mutatis mutandis cíclico. Com o passar do tempo, estes ciclos estão cada vez mais curtos, o planejamento de longo prazo agora é de meses. Desse modo, aproveitem o novo ciclo(*).
Feliz Novo Ciclo
No poema “A Jornada”, de Geraldo Eustáquio de Souza, a primeira estrofe é bastante lúcida, trata-se de um poema inspirador.
Às vezes bate uma ideia de desistir.Então a gente pára, põe o sonho de ladoe fica por aí pensando e sofrendo. …In “A Jornada” de Geraldo Eustáquio de Souza
Certamente não saberemos quem inspirou quem sobre a ideia de desistir e sofrer. Entretanto, outros pensamentos de autores e autoras diferentes são motivadores para pensarmos e refletir a cada novo ciclo. Assim sendo, reproduzir algumas concepções sobre desistir ou não é essencial para que mudemos alguma coisa, a qualquer tempo.
“Feliz novo ciclo. Encerrar ciclos é um ato de coragem. Não se trata apenas de encerrar uma fase. É, sobretudo, cada um encarar a sua própria essência e reconhecer o que não se encaixa ou cabe na sua vida. É sobre saber o que é sua prioridade. Orgulhe-se de você“. (Anônimo)
“Saber desistir. Abandonar ou não abandonar – esta é muitas vezes a questão para um jogador. A arte de abandonar não se ensina a ninguém. E está longe de ser rara a situação angustiosa em que devo decidir se há algum sentido em prosseguir jogando.” (Clarice Lispector)
“Se procurar a primeira desculpa para desistir, acredite, irá encontrar uma. Pelo meu bem, entendi que cedo é melhor do que tarde. (Gossip Girl
“Difícil não é lutar por aquilo que se quer, e sim desistir daquilo que se mais ama. Eu desisti. Mas não pense que foi por não ter coragem de lutar, e sim por não ter mais condições de sofrer.” (Bob Marley)
Desistir ou Persistir
Refletir sobre as mudanças de ciclos é essencial para compreendermos a dinâmica da vida. Cada novo ano, cada aniversário, um fim de um relacionamento ou emprego é uma oportunidade de reavaliar nossas escolhas e objetivos. Bob Marley, em seu pensamento, sugere que desistir não é sinal de fraqueza, mas sim uma forma de renovação e não sofrer. Essa perspectiva é fundamental para entender que a vida são ciclos, onde cada término é, com toda a certeza, um início de algo novo.
A Natureza dos Ciclos
Os ciclos estão presentes em diversas esferas da vida e cada pessoa deveria respeitar seus ciclos e dos que estão próximos. O calendário gregoriano, por exemplo, nos presenteia com o Ano Novo, um momento simbólico que vira notícia no mundo inteiro. A princípio, este ano novo gregoriano nos convida a refletir sobre o ano que passou e a planejar o futuro. Mas, por quê não planeja em todos os momentos e não faz reflexões a cada evento indesejado? Tem que esperar o ano novo?
Da mesma forma, as estações do ano trazem mudanças visíveis na natureza. Surpreendentemente, nossas vidas também passam por transformações que muitas vezes requerem coragem para o enfrentamento. Muitos gostam da primavera, que pode, eventualmente, simbolizar novos começos. Por outro lado, o outono pode indicar a importância da reflexão e do desapego. O verão e o inverno suscitam amor e ódio simultaneamente e, por isso, motivam as pessoas a passarem ilesas pelas duas estações.
Nesse contexto, o desapego é um tema recorrente quando falamos sobre ciclos, dogmas e convicções. Não raramente, a dificuldade em deixar algo para trás tem fortes ligações com o medo daquilo que não conhecemos.
No entanto, os pensadores contemporâneos entendem que tudo na vida é transitório nos permite aceitar melhor essas mudanças. Desistir de algo que não nos serve mais não é um sinal de fracasso; é uma demonstração de maturidade e autoconhecimento.
Coragem para Mudar
A coragem para mudar é um dos aspectos mais importantes quando se fala em ciclos. Desistir de um emprego que não traz satisfação ou terminar um relacionamento tóxico pode ser doloroso, mas também é libertador. Essa coragem se alinha com a ideia de que desistir é, na verdade, uma forma de persistir na busca pelo que realmente importa.
Como Bob Marley disse: “Você nunca sabe quão forte você é até que ser forte seja sua única opção“. Essa força interior nos impulsiona a buscar novos caminhos e oportunidades.
A renovação pessoal também se reflete nas metas que estabelecemos ao final de cada ciclo. É comum fazermos listas de resoluções, desejando melhorar aspectos da nossa vida. Esses momentos de reflexão são essenciais para nossa evolução pessoal, pois nos permitem identificar o que realmente desejamos e o que precisamos deixar para trás. A prática do desapego se torna uma ferramenta poderosa para essa renovação.
Celebrando as Mudanças
Celebrar as mudanças, a qualquer tempo, é um aspecto vital do processo cíclico da vida. Em vez de encarar o fim ou o ato de desistir como algo negativo, podemos vê-lo como uma oportunidade para recomeçar. A passagem do Ano Novo ou o nosso aniversário são momentos que podem servir para estas celebrações, não são únicos. Eles nos lembram que temos a capacidade de desistir e reinventar nossas vidas a cada ciclo que se encerra.
Enfim, ao reconhecermos que cada fase tem seu propósito e beleza, podemos enfrentar as dificuldades com mais serenidade. Assim como as estações mudam, nós também mudamos e crescemos com cada experiência vivida.
A reflexão sobre os ciclos da vida nos ensina a valorizar tanto os começos quanto os fins, as desistências e persistências. A desistência, sem dúvida, não é uma fraqueza, mas uma oportunidade corajosa para renovar nossos caminhos e projetos. Ao abraçarmos essa filosofia, podemos viver com mais autenticidade e gratidão, sem hipocrisia e falsidade. Afinal, não desistir pelas próprias convicções é um dos maiores argumentos(3) para que cada novo ciclo seja melhor.
“Amanhã tem mais …
P. S.
(*) Repilo, com muita convicção, a ideia de que um ano novo gregoriano seja o marco de um “novo ciclo” global. Em primeiro lugar, a maioria da população, com outras crenças e dogmas, têm ciclos diferentes. Por isso, defendo a ideia de que um novo ciclo não é no aniversário da pessoa, ano novo ou qualquer outra efeméride.
(1) “Entre Sem Bater – Bob Marley – Escravidão Mental”
(2) “Entre Sem Bater – Pitty – Feliz Chip Novo”
(3) “Entre Sem Bater – Anonymous – Os Argumentos e a Fé”
Imagem: Entre sem bater – Bob Marley – A Coragem de Desistir
Nota do Autor
Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.
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