Poderes e Montesquieu

Revisitando Montesquieu no Século XXI

Montesquieu

Charles-Louis de Secondat, Barão de La Brède e de Montesquieu, conhecido como Montesquieu, era O CARA, um Iluminatti, de verdade. O “cara”, certamente, não no sentido chulo que vemos hoje. Qualquer “pé rapado” faz um curso superior e sai pela mídia se auto nomeando “O CARA”.

Graças a ele, muitas constituições do mundo podem determinar regimes de governo, ordenamento de leis e regras, uma vez que seu livro “O Espirito das Leis” é um clássico da história mundial. Refiro-me a Montesquieu pois o mote deste post é a separação de poderes.

Frases Lapidares

Atribui-se a Montesquieu frases sobre a política que considero lapidares. Algumas das que serviriam para o brasileiro pensar, reproduzo a seguir. Entretanto, pensar tornou-se algo dolorido para o brasileiro mediano. Nossa população é  ágil nos dedinhos de um teclado, só quer saber do que pode dar certo e está deitada eternamente numa manjedoura.

Dez frases de Montesquieu

A injustiça que se faz a um, é uma ameaça que se faz a todos.

As leis inúteis debilitam as necessárias.

Quando vou a um país, não examino se há boas leis, mas se as que lá existem 
são executadas, pois boas leis há por toda a parte.

O que não for bom para a colmeia também não é bom para a abelha.

Em qualquer magistratura, é indispensável compensar a grandeza do poder pela 
brevidade da duração.

O pior governo é o que exerce a tirania em nome das leis e da justiça.

As nações livres são altivas, as outras podem mais facilmente ser inúteis.

A liberdade é um bem tão apreciado que queremos ser donos até da alheia.

Nação é o povo com a consciência, a convicção do destino comum. A comunhão de 
interesses, que se estabeleceu nela, gera a convicção do destino comum e 
engendra entre os conacionais uma SOLIDARIEDADE insubstituível, uma lealdade 
no servir inviável fora da Nação.

Até a virtude precisa de limites.

Barão de Montesquieu

Quarto Poder

Montesquieu morreu sem ver a Revolução Francesa triunfar e mudar o mundo. Antes mesmo já imaginava que numa democracia os poderes deveriam ser divididos. Ele defendia a existência de dois poderes: Legislativo e Executivo, e considerava que o Judiciário não deveria ser um Poder. Embora fosse defensor da Monarquia Parlamentarista, O CARA diferenciou as formas de governo ( Aristocracia, Monarquia e Despotismo ). Como se não bastasse, separou as formas puras e impuras, colocando, no primeiro grupo a Monarquia, Aristocracia e Democracia. Em um segundo grupo a Tirania, Oligarquia e Demagogia.

Nesta confusão, após a Revolução Francesa, que não adotou a teoria defendida por Montesquieu, surgiram os aproveitadores e o “jeitinho”. Se bem que os brasileiros pensam que além da jabuticaba e cartórios, detêm a “patente” do “jeitinho”.

Nesse ínterim, uma teoria do Quarto Poder surgiu e para o mundo civilizado seria a representado pela Economia. O poder que comandaria as nações; influenciando os poderes tradicionalmente instituídos (Executivo, Legislativo e Judiciário) em qualquer regime, e assim tem sido desde então.

No Brasil, existe a práxis de inventar moda. Desde Vargas, com a explosão da radiofonia, o Quarto Poder foi assumido pela mídia. A economia ganhou papel de subterrâneo, a pedido das oligarquias, através desta mídia. Além disso, o Poder Judiciário está submetido à política de lawfare, que transforma a América Latina num quartinho de serviçais dos EUA.

Quinto Poder

As revoluções Francesa e Industrial, sem dúvida alguma, são marcos políticos e econômicos, e de Poder, para o mundo inteiro. Existe a presunção de que a Revolução Tecnológica, ainda em curso, seja motivadora de mudanças e deslocamento de algum tipo de poder. O principal canal seria a Internet, que tem dificuldades devido ao controle do Estado em algumas nações. O poder praticado pelos grandes grupos globais de comunicação e mídia sufocam uma pretensa democracia e liberdade na rede.

Sexto Poder

Assim sendo, temos, a princípio, os dois poderes imaginados na teoria de Montesquieu. As monarquias possuem três ou quatro poderes, dependo dos interesses feudais mantidos. Nas democracias guiadas temos o chamado quarto poder, escondido atrás das oligarquias da mídia. O quinto poder caracteriza-se pelo Sistema Econômico de cada nação, como também divide com a Internet (Redes Sociais) e sistemas religiosos a possibilidade de serem os outros poderes instituídos e ocultados. A princípio, atuam de maneira informal, mas com intervenções formais e influenciadoras. Assim sendo, atingem seus alvos preferidos: a grande massa de manobra de usuários de tecnologia e os fiéis seguidores de charlatães de púlpito.

Século XXI revive Montesquieu

A mídia no Brasil dividiu-se com o propósito de se adequar às novas tecnologias. Os velhos jornalistas tem pavor da tecnologia e Internet. Nesse ínterim, mantêm-se up to date através de jovens tecnólogos sem nenhum discernimento sócio-político que são muito ágeis em reproduzir zilhões de bytes sem critério e com pouca qualidade.

Por outro lado, os neófitos digitais, sem conteúdo ou guiados, buscam para si o “Quarto Poder” ao modo tupiniquim.

Os jornalistas, repórteres e assemelhados, publicam notícias, artigos, opiniões como se fosse relato de algum FATO. Preocuparam-se em pegar um diploma da faculdade da esquina e esqueceram dos princípios básicos do bom e honesto jornalismo. Fazem manchetes opinativas e cheias de adjetivos como se fosse ilustração de fatos que envergonharia Pulitzer.

Mídia e Redes Sociais

Assim sendo, apoio o dito por um filósofo de botequim: “… da mídia quero as notícias e fatos”.

Opinião de jornalista lerei, se achar que serve para alguma coisa, numa coluna de opinião, assinada.

A imprensa é tão poderosa no seu papel de construção de imagem que pode fazer 
um criminoso parecer que ele é a vítima e fazer a vítima parecer que ela é o 
criminoso. 
Esta é a imprensa, uma imprensa irresponsável. 
Se você não for cuidadoso, os jornais terão você odiando as pessoas que estão 
sendo oprimidas e amando as pessoas que estão fazendo a opressão.

Malcolm X

Qual o regime em que se enquadra este tipo de poder?

Certamente não é o proposto pela Internet, onde o que deveria ser espaço privilegiado para debate e crescimento, com toda a certeza, tornou-se minifúndio autocrático demagógico.

Por exemplo, se faço uma crítica a uma matéria ou texto, pretensamente jornalístico, sou, inopinadamente, agredido, chamado de babaca, recalcado e outros adjetivos impublicáveis.

E ainda leio respostas do tipo: “Não te pedi para ler o texto !” ou gente imbecil fazendo beicinho para minha opinião sobre o que compartilham.

Por isso, estou na resistência e declaro: Fecha o pano ! Lacra ! Pega fogo, Cabaré !

P. S.

  1. Este post, como dito na Apresentação do Autor tem viés polêmico. Portanto, poderá ser usado como Conteúdo Estrutural.
  2. Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas. Coloquem aqui nos comentários ou na página do Facebook.
  3. Texto revisado e atualizado em 21 de junho de 2018.

 

Imagem: Adaptação da original obtida na Internet

 

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

  • Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas.
  • Coloquem aqui, nos comentários, ou na página do Facebook, associada a este Blog.
  • Alguns textos são revisados, outros apresentam erros (inclusive ortográficos) e que vão sendo corrigidos à medida que tornam-se erros graves (inclusive históricos).
  • Algumas passagens e citações podem parecer estranhas mas fazem parte ou referenciam-se a textos ainda inéditos.

Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

2 comments for “Revisitando Montesquieu no Século XXI

  1. Renato Ferreira
    02/11/2018 at 22:10

    Evandro, vc tem alguma coisa sobre teoria dos jogos? Eu acho que vc cresce demais em detalhes, e isso que gera a tal confusão. Sou adepto da visão de Einstein. O mundo tem qeu ter uma estrutura mais simples do que isso, que o explica mais facilmente. Afinal, se é uma obra do acaso, não pode ser demasiado complexo. E se a crença é que foi criado, também a complexidade tiraria o controle do criador..

    • 03/11/2018 at 01:06

      Renato, como te disse, tenho muita coisa escrita… na realidade são mais de 1000 posts sobre tudo quanto é assunto…
      Tenho sobre teoria dos jogos e outros… contextualizados em casos reais ou ficção.
      no caso da “teoria” de coisas simples… a filosofia permite estas simplificações, daí minha “trilha” falando sobre manipulação de massas,
      poderes paralelos etc.
      Para simplificar, você tem que entender rudimentos de muitas coisas…
      As pessoas, especialmente especialistas em redes sociais, tem pressa, não sabem ler e escrever e tiram conclusões a partir de manchetes de jornais.
      Aí vão para as redes sociais dizer… “só podia ser petralha …” …
      Estou revisando um post que fiz em 2017 que traz esta “simplificação” que você sugere.
      Entretanto, pode não lhe agradar pois é o contário da simplicação que você imagina dita por Einstein.
      Uma linha é o que o historiador italiano Carlo Cipolla fala sobre a estupidez humana, e que está
      exposta no Brasil nos últimos tempos…
      Enquanto você espera ansioso meu post, recomendo uma lida numa excelente abordagem em
      As Leis Fundamentais da Estupidez Humana… simples, direto e objetivo.

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