Copo Lagoinha

Meu nome: Copo Lagoinha

Copo Americano

Em primeiro lugar, na cidade de Belo Horizonte, uma das joias do design tupiniquim tem nome e sobrenome: Copo Lagoinha.

A história é simples, assim como a jabuticaba e cartórios, o copo chamado de ” americano ” é provável que seja um legítimo produto tupiniquim. Certamente, uma obra de arte que já esteve até no MoMA ( Museum of Modern Art ) em NYC deve ter uma origem genial.

Ao contrário do que muitos imaginam, este tipo de copo tem origem na Rússia. Talvez, sua criação tenha motivação nos bebedores de vodca,  proibidos de beber nas garrafas de 500 ml. Por isso, passaram a beber neste tipo de copo, sobretudo porque era possível consumir a garrafa toda por três pessoas e seus copos. Segundo alguns sites russos, 11 de setembro é a data em que comemoram o icônico design do copo. Contudo, uma das diferenças é o número de vincos ( no copo russo eram 16 por conta das repúblicas da URSS até os anos 1950 )

 

Copo Facetado Russo – Design de V. Mukhina

 

É provável que o apelido de copo americano às máquinas que o produziam, importadas dos EUA. Foi eleito, nem sei por quem, como o ” Melhor copo para Cerveja “. Depois da exibição no MoMA, suas vendas nos EUA subiram para três dólares cada.

Copo Lagoinha

O copo é simples, de vidro, resistente e barato, com ressaltos que formam listras verticais. Tem a capacidade de 200 ml ( no seu tamanho mais comum de modelo multiuso ). Contudo, também tem fabricação em tamanhos para uma dose ( usado nos botecos para servir uma “branquinha” ). Outro modelos é o long drink de 300 ml ( usamos em BH para vitaminas e sucos). E, finalmente, como se não bastasse, um modelo de 450 ml, o modelo rocks ( arghhh, coisa mais nutella ! ).

O Copo Lagoinha original e único é o de 200 ml. Foi “eleito” o melhor para cerveja pois todo cervejeiro de boteco sabe que cerveja tem que ser nele. Contudo, a cerveja vai até na risca horizontal pois é o limite, acima disso só espuma. Justifica-se, pois ele é pequeno e não dá tempo da cerveja esquentar. Só quem bebe cerveja no Copo lagoinha entende este e outros detalhes, que muitos leitores não vão entender mesmo.

Em suma, diz a lenda que o começo de tudo ( Lagoinha e não americano ), foi na região que lhe emprestou o sobrenome. A conhecida área boêmia de Belo Horizonte, onde atacadistas e comerciantes vendiam o copo fabricado pela Nadir Figueiredo. Um destes locais de revenda, transformou-se num boteco. Certamente, se Belo Horizonte é a Capital dos Botecos, a Lagoinha é o berço dos botecos de BH. O copo americano estava à venda naquela região passou a utilidade nos bares, desse modo, ganhou nome próprio.

Copo Raiz

Belo-horizontino, mesmo que não seja frequentador de boteco, conhece o Copo Lagoinha. Quem diz copo americano, não é de BH ou não é conhecedor das raízes e de nossa história. Simples assim, e como se diz na gíria das redes sociais, é um ” nutella”.

Por falar em “nutella”, é horrorosa a onda das personalizações da arte transformada em copo. Só é bom para a Nadir Figueiredo que vai emplacar um centenário na história de seu design pioneiro e patenteado. Devemos frisar que nem a garrafa da Coca-Cola deve ter conseguido esta longevidade com o design original. Inquestionavelmente, é terrível para tradicionalistas, ainda mais um belo-horizontino chato. Personalização raiz é retirar o rótulo da garrafa e colocar no copo, indicando a quem serve a cerveja qual estamos bebendo. E agora vejo coisas como ” personalização de copo americano “. Como assim? Personalização? Copo Lagoinha é original, não tem personalização, tem uso diferente, o mais tradicional é com cerveja e espuma, sem deixar esquentar.

Assim como outros nomes de objetos, que têm diferentes formas de denominação nas regiões do país, alguns estão sumindo, e perde-se toda uma cultura “milenar”. Num texto anterior ( Deu Zebra ! ), falo de coisas da cultura que se perdem no tempo com as novas gerações e uso de tecnologia desmedida.

Copo é Lagoinha e pronto. Aqui é raiz !

Copo Lagoinha Cult

A Cervejaria Wäls lançou seu rótulo “Copo Lagoinha” numa cerveja. Ao mesmo tempo que aderiu à campanha em defesa do objeto de arte como ícone cultural da cidade.

Desse modo, objetivando valorizar a região que lhe cedeu o apodo, a cervejaria e o projeto “Viva Lagoinha” criaram uma campanha. O objetivo era motivar o fabricante do copo ( Nadir Figueiredo ) que reconhecesse e oficializasse o nome.

Enfim, em 2019, uma empresa estadunidense incorporou a Nadir Figueiredo, aí poderiam chamar o copo de americano. Entretanto, a empresa, depois de várias investidas do Projeto “Viva Lagoinha”, cedeu ao apelo dos belo-horizontinos. E foi além ao nomear um morador da cidade como Embaixador do “Copo Lagoinha”.

Quem deixa uma cerveja esquentar num Copo Lagoinha, bom sujeito não é !

 

P. S.

  1. Esta é apenas uma singela homenagem no aniversário da cidade de Belo Horizonte.
  2. Dizem que o Copo Lagoinha é bom para beber qualquer líquido, discordo em gênero, número e grau.
  3. Após um post no Facebook, pesquisei sobre a origem na Rússia, vale a pena ver zen.yandez.ru (link desativado em dez21)
  4. Sugestão de site sobre copos na Rússia ( граненом стакане )

 

(*) Revisado e atualizado em dezembro de 2021

 

Imagem: Blog Somente coisas Legais

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