Os Precariat e as Redes Sociais

2017, o início dos “Anos Precariat”

Precariat

Vivemos tempos difíceis, basta contradizer ou admoestar alguém, em redes sociais, que logo aparecem os haters raivosos e seus lambedores de bolas (aka seguidores). A classe social que mais se incomoda com qualquer opinião contrária, acima de tudo, são os Precariat, um bando de serviçal do neoliberalismo que ainda não entendeu nada do mundo e da vida.

Inclusão Digital

Conforme ocorreram as mudanças e inovações após os anos 1980, coincidentemente ou não, após a criação e lançamento do chamado computador pessoal, o Personnel Computer (PC) tudo perdeu o controle. Aquele que veio para mudar o mundo (PC) e trazer-nos a tal liberdade na sociedade, deu a falsa impressão de colocar o Ser Humano como partícipe da revolução informacional. Certamente, o sociólogo Zygmunt Bauman, 91 anos, ao cunhar o termo Precariat, para se referir a existência de uma nova classe social, não imaginaria o estrago que eles estão fazendo.

Em outras palavras. Precariat designa aquele proletário ou filhotes da antiga classe média, que passaram a viver numa precariedade e ansiedade pelo futuro. Não sabem se terão emprego amanhã, não sabem se as suas pequenas empresas – empreendimentos, startups e assemelhados tem a mesma equivalência – sobreviverão.

O conflito deixou de ser entre classes sociais, embora os donos do capital sempre estejam do outro lado de qualquer coisa que se torne uma ameaça a eles, o conflito agora é do indivíduo com a sociedade em que ele vive, ou pensa que vive. Se bem que liberdade e segurança são os pontos principais do conflito desde sempre. Comunidade, cooperação, colaboração, coletividade são conceitos decadentes e sem sentido para os Precariat, coisa de “comunista”.

Política Precariat

Na linha da fusão que resultou nos Precariat, nossa sociedade perdeu a razão enquanto coletivo. É muito comum vermos ativistas cheios de razão, com bandeiras de luta razoáveis e apoiadas por muitos, mas pregando no deserto.

Estes ativistas querem que tudo aconteça do jeito deles, não sabem nem conduzir o movimento para além do movimento.

Cheio de líderes com propostas boas mas que não conseguem sair da ideia para a ação prática.

Além disso, qualquer “paladino” ou “messias” que faz alguma coisa diferente, vira Sassá Mutema, vira “salvador da pátria”, e aí vale a premissa maquiavélica de que os fins justificam os meios.

Falsos profetas inundarão o mundo e a liberdade será tolhida, a segurança vilipendiada e sua vida será da manipulação midiática ou das redes sociais.

Ópio do povo

O que era para se transformar num novo, moderno, abrangente, democrático, ou seja, tudo de bom, para a democracia e evolução da sociedade, está se transformando numa nova forma de ópio do povo. A Internet oferece entretenimento barato e descompromissado, arrebanha hordas de neófitos e ativistas de sofá ou teclado.

O debate foi, inegavelmente, vilipendiado e destruído, reduzido a pó. Ao se deparar com a mínima dificuldade ou oposição, é mais fácil para os Precariat “descurtir”, bloquear, denunciar. Sempre foi mais fácil levantar acusações e destruir as pessoas e ideias do que construir e elevar o debate. As redes sociais estão a serviço do “quanto mais fácil e superficial, melhor…”.

São 3 os principais grupos de Precariat:

  1. Jovens imigrantes e emigrantes (exilados e refugiados estão abaixo da linha aceitável);
  2. Jovens com diplomas universitários em busca de primeiro emprego;
  3. Trabalhadores que perdem emprego após do 45 anos de vida.

Em suma, ou a economia global muda completamente nos próximos anos ou chegaremos a 2030 ou antes mesmo, com nações repletas de pessoas sem trabalho e especialistas em coisa nenhuma. Pessoas vivendo precariamente ou fazendo o vale-tudo contra todos em busca de migalhas deixadas pelas oligarquias globais.

Feliz 2017?

Assim, neste início de ano, prevejo que não será tão fácil ignorar ou esquecer os anos anteriores. Sendo apenas crítico, acredito que pode piorar, depende de nós e “nós” não queremos melhoras. Quando posto alguma coisa sincera no mês de dezembro, sempre aparece alguém para dizer que sou negativista. Talvez seja efeito do ópio em quem lê. Um 2017 de sucesso, amor e paz para todos.

P. S. Aí leio que um tupiniquim cometeu uma chacina na passagem de ano no Brasil. Será verdade?

 

Charge: Butter Safe

Nota do Autor

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