Renova - Insustentabilidade da Samarco

Renova e o Crime de Mariana – Não foi Acidente

Não foi Acidente !

Desde que comecei esta “trilha” ( NÃO FOI ACIDENTE – O Crime do Século ) em 26 de fevereiro de 2016 a minha indignação não para de crescer. Queria, principalmente, manter viva a ideia de que não foi acidente e a impunidade criminosa não podia vencer pela omissão, esquecimento e diversionismo que reinam no país. Os textos estão sendo revisados com o propósito de melhor organização e apresentação cronológica da maioria das situações, mês a mês. Desse modo, o texto original falava da proposta de criação de uma empresa gestora dos fundos para recuperação do crime e pagamento de indenizações e assim foi criada a Fundação Renova.

Desde que uma barragem operada pela mineradora Samarco, controlada pela Vale (Multinacional de origem brasileira, privatizada) e BHP (mineradora de origem australiana), localizada no município de Mariana (MG), rompeu-se no dia 5 de novembro de 2015, deixando um rastro de 19 mortos (um corpo ainda não foi encontrado), centenas de desabrigados, milhares de desempregados e o maior desastre ambiental, não natural, do Brasil e possivelmente do mundo, nos últimos tempos, com um rastro de poluição do Rio Doce até atingir o litoral capixaba, temos esta história sendo narrada e registrada aqui.

RENOVA

Raposa e o galinheiro

Com o propósito de “reparar os danos”, a Samarco quer, sozinha e sem fiscalização, assumir o pleno controle da reparação do crime que cometeu. Como se não bastasse a hipocrisia de falar em acidente ou desastre imprevisto, a Samarco, capitaneada pelas suas controladoras, BHP e Vale, deseja tomar conta de tudo. Duro é ver pessoas que teriam responsabilidade de proteger e defender os direitos das vítimas, se posicionarem a favor deste tipo de abuso e desrespeito.

O Ministério Público Federal (MPF) está avaliando a proposta de criação de uma empresa gestora dos fundos para recuperação do crime e pagamento de indenizações. A população apoia proposta do Grupo de Trabalho que concluiu relatório sobre o que deve ser feito. Anteriormente, no texto original, escrevi “se afrouxar, as raposas tomam conta do galinheiro” e concluo que isto aconteceu, criaram a Renova.

Efeitos perversos

Um ano e meio após o ocorrido, a população atingida, em todo o percurso desde a barragem até a foz do Rio Doce no Espírito Santo segue sofrendo os efeitos perversos do crime ambiental. Pesquisas feitas com moradores de Barra Longa, talvez o município mais atingido pelo estouro da barragem, com seis mil habitantes às margens do Rio Claro, indicam que 35% dos moradores apresentaram problemas decorrentes do sinistro.

Desde a qualidade do ar que não voltou à normalidade, até questões sanitárias que ensejam doenças contagiosas, problemas oftalmológicos, doenças respiratórias, infecções na pele e outros distúrbios. A pretensa reparação vem sendo feito de forma lenta, o que prejudica as pessoas que não conseguem tratamento específico com maior rapidez. É admissível a hipótese de que o número de mortes, diretamente relacionadas ao evento, aumente e ultrapasse o número de vítimas do dia do rompimento.

Agricultura Insustentável

Segundo o Ibama, os 40 milhões de metros cúbicos de lama e rejeitos liberados pelo crime ambiental, destruíram, no mínimo, mais de 50 mil hectares de área produtiva. A previsão é que deveriam ser recuperados ao menos 10 mil hectares para plantio e 30 mil hectares para regeneração natural. Mais de 100 quilômetros do Córrego Santarém e dos rios Gualaxo do Norte, do Carmo e Doce, deveriam ter suas margens recuperadas.

Mas a história está sendo diferente. Dona Lia Mol, moradora de Paracatu de Baixo, vai lutando com a sua terra que ficou contaminada e não tem ajuda da Samarco e tem pouca atenção da Fundação que está cuidando da recuperação de áreas atingidas pelos rejeitos e lama. Ela reclama que não tem tido o apoio que julga correto para recuperar seu pedacinho de chão. Sua agricultura ficou insustentável.

Não Renova

Nesse ínterim, entre a construção original deste texto, quando ainda não estava formalizada a RENOVA, e a data de sua revisão, muita coisa aconteceu. Apresentamos a alguém do estamento burocrático da Fundação um projeto de sustentabilidade econômica, claramente ignorado. Atualmente (na data da revisão) a Fundação coloca matérias na mídia em que seus gestores se vangloriam dos valores pagos. Matérias como ” Renova calcula mais de R$ 10 bi em reparações por tragédia ” é, certamente, típico de quem não pensa em meio ambiente, vidas humana e acha que é tudo por dinheiro.

A criação de uma Fundação ( Renova ), parecia ser uma boa opção. Mas sem o controle e fiscalização dos atingidos fica contra o interesse da maioria. A Renova deveria pagar pelos danos do crime de Mariana e não faz nem a reparação econômica do dano causado. #SQN

 

(*) Revisado e atualizado em dezembro de 2020

 

Imagem: Reprodução Portal UAI

Nota do Autor

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Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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