Carteiro e um cão - Gilmar

Profissões em Extinção – Carteiro

Profissão Carteiro

Tenho amigos que têm orgulho da profissão de carteiro. Um profissional que tinha muitas atividades relacionadas à vida das pessoas de uma comunidade inteira. Era o cara que conhecia uma localidade e os erros de endereçamento, entretanto, as modernidades e o pouco caso dos mais jovens fez com que esta profissão fosse vilipendiada a tal ponto de muitos comemorarem sua extinção.

Houve um tempo em que notícias e conexão para além de nossa cidade só era possível através deste personagem e das coisas que ele fazia. Por outro lado, pouco antes das tecnologia e Internet dominarem o mundo, antes das redes sociais, o carteiro e os Correios – no Brasil conhecido como EBCT – chegaram a ser a instituição mais confiável, pari passu com os Bombeiros Militares.

Esta efeméride tem sua motivação pois foi num 25 de janeiro, num longínquo 1663, que foi criado o Correio-Mor no Brasil. A princípio, a finalidade era trocar correspondências com a Corte Portuguesa e Luiz Gomes da Matta Neto foi o responsável, considerado o primeiro carteiro do Brasil.

Neste texto não vou nem resvalar na questão do serviço ser público ou privado e nem passar pelo anedotário da abertura de correspondências com ” bico de chaleira ” ou ” congelamento de correspondência “. As questões de privacidade das comunicações foi, com toda a certeza, perdida com as comunicações por mídias digitais.

Atividades do Correio

Dois anos atrás escrevi, genericamente, sobre o profissional extinto e como algumas atividades estavam se transformando noutras profissões e atividades. Por exemplo, em ” Profissional Extinto ” tratei a questão de forma geral e no bojo da Reforma Trabalhista em curso à época. É provável que eu tenha dado um enfoque maior para as profissões relacionadas às minhas atividades profissionais e tenha deixado de lado algumas atividades que estão sendo exterminadas ( mais do que extintas ) como as do carteiro.

Desse modo, aqui neste texto, citarei algumas atividades que eram até pouco tempo atrás, realizadas pelos carteiros e hoje mudaram a rotina de muitos. Como se não bastasse, os milhões de usuários destes serviços se voltaram contra os carteiros e eles próprios não entenderam que o espírito corporativista da categoria não sobreviveria à avalanche da tecnologia.

Cartões Comemorativos

Como tenho escrito, detesto datas comemorativas, portanto, uma das atividades do carteiro que foi extinta é o envio de cartões comemorativos de datas. Dia das Mães, Natal e tantos outros era o paraíso dos apaixonados por estas coisas. Assim sendo, a introdução de mensagens eletrônicas, músicas, imagens instantâneas, exterminou a atividade. Alguns consideravam uma evolução comprar cartões musicados nas papelarias e enviá-los pelos Correios. Com toda a certeza, o custo deste tipo de serviço é muito caro e quem não tem acesso aos meios de comunicação “inteligentes” não consegue pagar.

Livros e CDs

Quando eu era adolescente via muitos serviços dos carteiros como irrelevantes, menos os postais que recebia quando criança e ainda guardo. Contudo, quando conheci o chamado ” Círculo do Livro ” passei a ver como essencial, aquele era o cara que me trazia um livro novo a cada mês. Livros foram as primeiras coisas que passei a comprar pela Internet, com acesso até a livros não encontrados no Brasil. Logo depois vieram os CDs. As compras de livros e CDs, sem que sejam entregues pelos carteiros, cresceu e multiplicou, por outro lado, os denominados e-books e streaming de músicas, tirou do ramo, ao mesmo tempo, os carteiros e entregadores destes objetos ( livros e CDs ). Ainda restam entregadores de objetos que nem imaginam o que estão entregando e não dão a menor importância para isto.

 Cursos à Distância

Meu primeiro curso à distância foi através do Instituto Universal Brasileiro ( IUB ) e era um curso de ” Rádio Técnico “. As aulas vinham em material impresso em papel-jornal e tínhamos que devolver os testes pelo Correio para receber a próxima lição. Meu curso mais recente do IUB foi contratado pouco tempo atrás, de Gastronomia. Mudou muito, nem o carteiro foi necessário mais, e online realizo todas as atividades, portanto, o “suporte” em papel é meramente decorativo. Experimentei ser professor de um curso EaD e a interação com alunos é nula, mas vamos em frente.

Fãs de Celebridades

Trabalhei numa rádio difusora comercial que tinha programas que recebiam milhares de cartas por mês. Era necessário uma mala específica do carteiro somente para entregar correspondência na rádio. Radialistas eram celebridades, hoje basta um smartphone “Xing Ling” e qualquer uma subcelebridade, que milhões de seguidores mandam emoticons, mensagens e códigos indecifráveis que nem os telegramas seriam capazes de abrigar. Os fãs saíram da casa dos milhares para a casa dos milhões, o conteúdo saiu do aceitável para o medíocre. C´est la Vie ! e, desse modo, temos a aposentadoria de mais uma sacola de carteiro.

Dinheiro na Conta

Se não me engano, em toda a minha vida, recebi dinheiro pelo Correio somente uma vez, por um tal de Vale Postal. Aquilo era tratado com uma seriedade que eu ficava pensando como é que os caras confiavam na transferência e achando que vinha dinheiro nos envelopes. Sou da Era do cheque administrativo e do DOC, e vejo hoje que se alguém fala em Vale Postal, que ainda existe, corre o risco de ser zoado só por citar o nome do serviço. Se bem que até os carteiros mais novinhos nunca devem ter entregue um aviso de vale postal.

Carteiro em Vertigem

O primeiro carteiro do país não saía do lugar, ele era responsável por uma central que abrigava as correspondências. Eventualmente,  escravos e mucamas iam até o posto e perguntavam por correspondências e objetos para seus donos. Nos dias de hoje, entregadores, via aplicativos de entrega, substituíram carteiros. De acordo com notícias que vêm do Primeiro Mundo, as entregas de qualquer coisa ( de cartas a objetos até pesados ) já são realizadas por drones.

Muitos dos carteiros sofreram ( e ainda sofrem ) com problemas como animais não sociáveis, ladrões de encomendas e outras agruras. A introdução de tecnologias, a reforma trabalhista no brasil e os ataques à instituição dos Correios estão determinando o fim da profissão que um dia foi respeitada.

Por outro lado, os próprios carteiros deixaram de se respeitar quando a categoria se dividiu, ficou corporativa e pensando mais em si do que no coletivo. Muitos destes profissionais misturaram profissão com política e até outras características, não podia dar certo, não deu certo.

Fim de Linha

A maioria dos carteiros que eu conhecia se foi, junto com o respeito à instituição e à profissão que era nobre e ganhou até homenagem em música.

Enfim, não vejo como algumas atividades, além das citadas, eternizadas pelo profissional que conhecia as pessoas e os locais de atuação possam subsistir. E seus substitutos ( aquela galera do Aplicativo de Entrega ) não tem nada de empatia e humanidade, só querem saber de entregar e sair correndo.

Nossa sociedade mudou, as pessoas fazem o que podem mas há limites que muito não entendem. Analistas de mercado de trabalho vomitam nas redes sociais que a tecnologia cria novas oportunidades e profissões, é uma MENTIRA, é fim de linha !

 

Charge: Gilmar in SOS Animal com Amor

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

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Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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