Manual do Blefador - Computador

Manual do Blefador – Computador

Manual do Blefador

Manual do Blefador ( Bluffer´s Guide do original em inglês ) foi uma publicação feita na Inglaterra entre 1965 e 1975. Conhecida também como ” Bluff Your Way ” em algum tema, foi adaptada e traduzida para o Brasil pela, por exemplo, Editora Ediouro. Foram vários títulos no catálogo durante os anos 1980 e 1990. A princípio, alguns títulos eram impossíveis de serem adaptados ou traduzidos. Por outro lado, alguns temas estavam culturalmente dissociados da realidade do Brasil e precisavam sofrer uma adaptação radical para ganharem consistência. ” Manual do Blefador – Computador ” é um dos títulos que farei uma pequena adaptação e atualização para os novos tempos.

Com toda a certeza, alguns dos textos que estou preparando são muito fáceis de atualizar, basta simplesmente copiar e colar. Manual do Blefador, de qualquer tema, transformou-se numa espécie de bibliografia básica para aqueles impostores profissionais e amadores ( “A Síndrome do Impostor em Alta” ). Existem algumas modernidades e obras mais complexas, como a coleção ” For Dummies “, de capa amarela e preta, de sucesso global e que ajudam estes enganadores.

Desse modo, cada texto da Série ” Manual do Blefador ” vai agradar a muitos e desagradar a outros tantos, como nas publicações originais. Veste a carapuça quem quiser, no caso do ” Manual do Blefador – Computador “, profissionais de TI vão gostar ou odiar, outros leitores simplesmente vão ficar sem entender ou ter muitos motivos para zoação.

Manual do Blefador – Computador

Nesta reprodução/adaptação do texto original (1) escrito por Robert Ainsley e Alexander C. Rae, com tradução e adaptação de Eli Rozendo, teremos uma pálida ideia do que fazem os impostores da informática. Assim sendo, teremos a oportunidade de identificar e até mesmo desmascarar muito impostor que se passa por expert, especialmente com a explosão das redes sociais e coaches de qualquer coisa.

Blefar sobre computadores

É a coisa mais fácil do mundo, especialmente depois que cada smartphone virou um computador mais potente do que cada privilegiado possuía nos anos 1980. Em outras palavras, fazer as pessoas acreditarem que você é um especialista depende somente do grau de analfabetismo digital de seu interlocutor.

O ” Manual do Blefador – Computador ”   traz, portanto, todas as ” Regras de Ouro” para se tornar um especialista na arte do engodo, logro, blefe e atitudes semelhantes. Aqueles(as) que são jogadores de Pôquer ou Truco sabem bem o que é blefar e não ser pego. Esta atualização prevê que você continue eliminando todas as palavras de seu vocabulário, exceto os artigos “e” e “o”, os emoticons indecifráveis, e anagramas com hashtag (#). Adicionalmente, é vital incluir no seu glossário algumas palavras dependendo do grau de blefe que você vai arriscar, cuidado com termos em inglês, com três letrinhas. Alguns deles são essenciais: App, DevOps, SQL e mais uma dúzia que terão seu espaço em algum glossário ” For Dummies “.

Decerto, nenhuma outra atividade profissional ou amadora tem sido mais fácil para ser aceito como “especialista”, coach, gênio – desde que as ” 7 Regras de Ouro ” sejam observadas, atualizadas a cada novo release e download.

7 Regras de Ouro

Atualmente sou Full-Stack Sênior ( FSS )

Seja um profissional que imponha respeito, independente da sua idade e função que desempenha na empresa em que você. Os recrutadores(as) de profissionais de TI não sabem muito a diferença entre um Full-Stack sênior ou trainee e você terá muito tempo para mostrar sua “competência” em gerentes sêniores que estão desatualizados.

Sempre mencione para desenvolvedores que você é “sênior” em ” full-stack “. Entretanto, se você se defrontar com outro sênior ” full stack ” você pode dizer que sua especialidade é outra, com mais ênfase em back-end ou front-end. Desse modo, ambos podem se qualificar profissionalmente, se completar e depois resolvem-se quaisquer pendências. De qualquer modo, aproxime-se ao menos de um glossário específico para não misturar coisas sem sentido como linguagens ou Frameworks que não são alinhados uns com os outros. Mas ser um profissional full-stack sênior é o que importa.

Estratégia Poisoning the well

Anteriormente, era aquele posicionamento do tipo: “… puxa vida, mas você ainda não tem um notebook ? “. Com a disponibilidade de hardware como hoje, ter um notebook nem parece vantagem. Atualmente, o blefador tem que menosprezar os oponentes e zombar de tudo que não seja aquilo que você conhece. Por exemplo, você é especialista no Sistema Operacional da Microsoft, ou usa Android, daí você chama o pessoal que usa IoS ( Sistema Operacional da Apple ) de “turma da maçã podre”.

Se seu interlocutor trabalha com Android Lollipop, você fala que usa o Android 8.0 Oreo, se ele usar o Android 9.0 Pie, você usa o Android 10. Por outro lado, tenha cuidado com estas versões e números, você pode cometer uma gafe homérica, quando constatar que não tem controle de versões, diga que usa uma versão RC ( Release Candidate ).

Blefador profissional de TI

O blefador, na maioria dos casos, não é um profissional de TI, eventualmente pode ser ou pode se defrontar com um. Em ambos os casos, o  blefador deve arrumar uma forma de que o seu equipamento ( sempre tem mais de um ) seja usado mais para fins exóticos. Profissionalmente usa ferramentas que a empresa exige, mas sempre está um passo adiante. Admitir que você ganha, profissionalmente, fazendo fórmulas em planilhas financeiras é o fim, qualquer um faz. Admitir que ganhar dinheiro fazendo cartões virtuais é o mesmo que converter músicas para ringtones de telefones celulares do século passado.

Gambito do Domínio Público

Você pode usar aquele software comercial e surrado que todo mundo usa, não admita. Se você foi forçado a dizer que trabalha com algum programa que a empresa te deu, diga que sua versão é de código aberto ou domínio público e que você não recomenda a ninguém usar sem conhecer.

Sempre será necessário algum conhecimento para fazer uma adaptação, uma configuração personificada. Em outras palavras, demonstre que você tem domínio sobre uma quantidade elevada de programas que você fez download, não importa a utilidade. Analogamente, usuários preguiçosos de redes sociais somente baixam os programas e costumam nem alterar as senhas e códigos-padrão, um blefador pode até fazer isso, mas não admite nem sob tortura.

Próximo Embuste

Um legítimo representante e estudioso do ” Manual do Blefador – Computador ” sempre está esperando só uma oportunidade do dólar ” em conta ” ou de um amigo vindo dos ” States “. Desse modo, se você utiliza criptografia assimétrica de 1024 bytes, está aguardando a liberação das chaves de 4096, se protege seus dados com algoritmos clássicos, está estudando a implementação de ” Curvas Elípticas “. Se algum especialista em segurança da informação questionar, diga que “… comercialmente ainda não foram lançados, participo de um GitHub e sou desenvolvedor de um dos módulos …”, funciona na maioria dos casos, sem precisar ser pedante.

Deprecie a Concorrência Experiente

Esta é emblemática e exige muita verborragia e aplicação nos termos e siglas novos que tratam de coisas velhas. Um programador de GUI ( do inglês Interface Gráfica do Usuário ) é ultrapassado, tem que ser um programador Front-End, mesmo que você faça menos, com mais recursos que o profissional mais experiente. Se você fica mais experiente, aparece um garoto de menos de 20 anos fazendo mais e melhor.

A indústria da tecnologia da informação determinou que experiência não serve, vale mais um certificado de especialista de 20 horas/aula do que 2000 horas de debug em qualquer problema. O preconceito é explicado porque qualquer conhecimento que um profissional experiente acumulou em 10 anos, é assimilado com uma pesquisa de 3 minutos no Google. Experimente, pegue um termo em negrito neste texto, coloque entre aspas e pesquise no Google, três minutos e você pode se certificar e demonstrar larga experiência. Contudo, muito cuidado se você não tiver noção mínima de inglês, ” traffic ” em inglês não é tráfico ( português ) e sim tráfego, não dê vexame.

O conhecimento sobre o “nada”

Miyamoto Musashi (1584-1645) escreveu que ” As pessoas neste mundo veem as coisas equivocadamente, e pensam que o que não compreendem deve ser o nada. Mas este não é o nada verdadeiro. É apenas confusão “. Assim sendo, exiba um conhecimento que seja “o nada”, e você não será importunado. Usar ATL ( Abreviação das Três Letras ) é o ápice do verdadeiro blefador de Manual. Existe até um mercado de ideias para criação de três letras que significam muito para uns e nada para os outros.

Certamente, qualquer neófito ficará impressionado com a sua destreza se você usar um #SQN ( se estiver conversando tem que falar ” hashtag S Q N ” ao invés ” há controvérsias ” e outras expressões caquéticas. O experiente blefador na área de computadores, sempre que possível, utiliza três letrinhas e para ser mais moderno, coloquialmente, usa hashtag. Esteja preparado para algum curioso ou chato perguntar o que significa aquelas letrinhas, são poucos mas existem, mande eles procurarem no Google.

Blefador Sênior

Ser um blefador sênior na área de computadores não é fácil, não é barato e muito menos tranquilo. Como se não bastasse, é das áreas mais ameaçadas por novos blefadores, logo após a disseminação das redes sociais e do Google, ficou impossível. Atualmente, o cara faz cursos para certificação ou surge uma tecnologia disruptiva e num piscar de olhos já tem até curso de “pós-graduação” em faculdade.

Em suma, não basta o cara ler e praticar diuturnamente as ” 7 regras de Ouro “, ler o ” Manual do Blefador – Computador ” inteiro na versão original, ler o livro ” For Dummies(2) e ver os episódios no Youtube. Sempre vai ter um menino do computador bom num determinado assunto ou blefador com algum mentor mais habilitado.

Blefador em Vertigem

O blefador de hoje em dia é como o Dr. Spock e Erik ( Jornada nas Estrelas ) que ficaram um tempo fora e ao retornar à Terra se deparam com um computador e dizem ” Vejam um computador primitivo “. Se você não atualizar as ” regras de ouro ” por uma semana, terá uma jornada nas estrelas particular.

#FicaaDICA !

 

(1) Partes do texto original serão copiadas ou adaptadas, certamente sem a autorização da Ediouro, dos autores, etc.

(2) É importante não confundir ” Manual do Blefador ” com ” Computadores for Dummies”, Blefador não é Newbie ( Noob ).

P. S. Alguns termos e expressões são, propositalmente, colocados de forma dúbia e até irônica e podem não corresponder ao significado real. Não tenho a mínima pretensão de escrever um livro inteiro sobre qualquer dos temas que forem publicados aqui no Blog sobre blefadores.

 

Imagem: Reprodução Internet

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

  • Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas.
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  • Alguns textos são revisados, outros apresentam erros (inclusive ortográficos) e que vão sendo corrigidos à medida que tornam-se erros graves (inclusive históricos).
  • Algumas passagens e citações podem parecer estranhas mas fazem parte ou referem-se a textos ainda inéditos.

Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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