Lá Révolution - Reprodução Netflix

La Révolution – O Século XVIII é aqui e agora

La Révolution – A Série

Em primeiro lugar, sempre é bom lembrar que esta trilha de textos sobre séries não é voltada para crítica do enredo ou da produção. Assim como fiz com outras tantas (Scandal, Black Mirror, Sobrevivente Designado, Explicando etc) tomo o enredo e traço um paralelo com a vida real. Desse modo, “La Révolution“, é uma série ficcional com contexto histórico ambientado na França, antes da Revolução.

Portanto, quando escrevo e falo que estamos, no Brasil, voltando à Idade Média, e que “terraplanistas” tentam provar que aborda da Terra está no Ártico é porque estou certo.

Mais uma vez, a vida imita a arte ou a arte imita a vida.

Brasil no Enredo

Enquanto vou assistindo estas séries, fico pensando no que os produtores farão para ter uma segunda ou outras temporadas. Em algumas é fácil de prever pois o enredo é fácil, em outras é previsível. Portanto, como em “La Révolution“, imaginarmos que vai redundar na Revolução Francesa e da riqueza de temáticas, é instigante; é como o sobrenome de um personagem a quem se atribui a invenção da guilhotina. Estou aguardando, de maneira ansiosa, pelo episódio “A Guilhotina” que deve estar numa das temporadas a seguir.

Por outro lado, é mais difícil fazer analogia ou transposição para o Brasil de hoje, mas como diriam nas redes sociais: #SQN.

Tem tudo a ver, hordas de representantes das oligarquias praticando genocídio, loucos e loucas no poder, o povo passando fome e sendo assassinado. E, para coroar a produção (não acredito que produziram tudo após o início da pandemia), o enredo da trama gira em torno de um vírus, que matava os pobres, e que não tinha vacina ou anticorpos para combater a “doença”.

“La Révolution” Tupiniquin

 

Como se não bastasse, imaginar uma revolução nos moldes de “La Révolution” seja no país ou no clube de futebol não é nem utopia, é insanidade.

Eleitor brasileiro e torcedor de futebol não tem nem noção do significado de uma revolução de verdade; e quer desafiar os poderosos?

Estas redes sociais pariram influenciadores digitais vendilhões, com milhares de seguidores e discurso fácil, e eleitores e torcedores se dão por satisfeitos com likes e compartilhamentos.

ACORDEM ! ! !

A história de “La Révolution” é uma revisitação sobre o período que antecedeu à Revolução Francesa e culminou no confronto sangrento e brutal entre a aristocracia e os plebeus. É uma ficção baseada numa história complexa. Fazendo uma analogia com Brasil, política eleitoral, times de futebol como o Cruzeiro, afirmo, sem medo de errar, nem a guilhotina resolve.

É atribuída, erroneamente, ao médico francês Joseph-Ignace Guillotin a invenção da guilhotina, aliás ele era tido como contrário à pena de Morte. Este personagem da Revolução Francesa é retratado na série como o cara que queria descobrir a cura para determinada doença. Surpreendentemente, ele não criou a guilhotina, somente recuperou algo que já existia século antes com o propósito de praticar a pena de morte com decência e sem dor para o condenado.

Em suma, nem na política tupiniquim e nem no clube de futebol, precisamos de Guillotin´s; Precisamos que o povo (eleitor e torcedor de futebol) tenha educação, saiba ler e escrever e descubra que a vida não é uma rede social. Não precisamos de “salvadores da pátria”, nem déspotas esclarecidos e não se faz nenhuma revolução como na França do Século 18.

Em outras palavras, nenhuma revolução acontece sem que acha seres pensantes antes das ações açodadas, nem na sua casa. Estes rebeldes-sem-causa de teclado deveriam pular a puberdade e aprender a votar e pensar.

Séries de TV

Assim sendo, entendo que estamos perdendo muito tempo com séries de TV sem pensarmos sobre elas. Muitas não são apenas diversão ou passa tempo.

Alguns documentários tem um alto poder de explicar ou mostrar coisas que antes não saberíamos nem em vinte anos. Uma destas séries (Grande HistóriaHistory Channel) tem passagens, episódios e contextos interessantes. Um deles é que o conhecimento que demorava até 500 anos para sair de uma civilização e sociedade e passar para outra, hoje pode ser adquirido em 72 horas.

O grande problema é que a nossa sociedade prioriza fake news e coisas rasteiras, para se mostrar mal informado rapidamente. Continuaremos com nossa trilha de séries e transposição, com pouco ou nenhum spoiler.

Enfim, voltamos à Idade Média e ainda não acreditamos que o fim do mundo aconteceu em 2012.

 

Imagem: Reprodução Netflix

Nota do Autor

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Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

4 comments for “La Révolution – O Século XVIII é aqui e agora

  1. Romarol
    02/12/2020 at 07:35

    Ótimo artigo. Passagens muito interessantes:
    . Fazendo uma analogia com Brasil, política eleitoral, times de futebol como o Cruzeiro, afirmo, sem medo de errar, nem a guilhotina resolve.
    Em outras palavras, nenhuma revolução acontece sem que acha seres pensantes (…)
    Precisamos que o povo (eleitor e torcedor de futebol) tenha educação, saiba ler e escrever e descubra que a vida não é uma rede social.

  2. Romarol
    02/12/2020 at 07:37

    Deculpe-me por repetir partes do texto que achei importante. Parece que martelando na cabeça, é uma forma de algo entrar na cabeça dos sonsos.

    • 02/12/2020 at 08:04

      Não tem que pedir desculpas…
      INFELIZMENTE, as palavras escritas não chegam a quem deveriam chegar.
      Mas vamos seguindo, tentando fugir das redes sociais rasteiras em que as pessoas sentem-se confortáveis por “não ter que pensar”…
      Como tenho escrito, esta geração ZZP, especialmente cruzeirenses, tem cefaleia aguda quando são exibidos além de 280 caracteres… deu no que deu …

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