O parasita e o rentista - Brum Chargista

República Federativa Rentista do Brasil

Estado Rentista

Em primeiro lugar, volto a dizer que não sou economista de formação. Entretanto, a condição de profissional de tecnologias da informação e segurança da informação, me permitem transitar por disciplinas variadas. Desse modo, quando escrevi algumas ideias sobre economia em tempos de pandemia(1) corri alguns riscos que me deram algumas certezas. Certamente, continuarei desagradando a alguns poucos, mas manterei minha linha de raciocínio sobre economia, em especial sobre a ideia de estado Rentista que vivemos atualmente.

Rentista e Liberal

O Brasil sempre foi uma nação-rentista, desde que D. João VI(3) chegou ao país, e tornou-se o lugar preferido dos parasitas e dos usurpadores do trabalho e suor alheio.

Nesse ínterim, que dura mais de 200 anos, os parasitas, serviçais dos rentistas e assemelhados, agradam as oligarquias como se fossem donos de tudo. Certamente, as redes sociais expuseram estes serviçais de maneira avassaladora e, sem sombra de dúvida, os canais de comunicação e redes sociais mostram tudo.

É necessária alguma percepção e análise além do senso comum e direcionamento comandado pela mídia de massa. Desse modo, a mídia tradicional é catalisadora e promotora de personagens que se parecem epistemólogos mas somente reproduzem os interesses pessoais destinados a agradar as oligarquias.

Rei do Bitcoin

Podemos usar, por exemplo, um caso de fraude utilizando o Bitcoin para mostrar como atua um rentista e a população ainda acha graça. Um determinado comediante(*) de “Stand Up” tornou-se milionário e caiu no golpe do “Rei do Bitcoin(2) e o país trata isso tudo como “quase normal”. Senão vejamos, um comediante que não gera nenhuma renda a não ser para si e alguns poucos seus fica milionário e resolve investir em criptomoeda. Para isso utiliza de um trader que, em muitos casos, vai atrás de alguém mais descolado e que conhece as “tretas” do tema. Até aí temos uma cadeia de gente rentista que tem feito furor em tempos de redes sociais e pandemia.

Desse modo, esta cadeia de rentistas só aumenta e cresce a partir dos coaches, mentores, professores que publicam livros, que surfam na riqueza rápida dos aproveitadores. Existe este tipo de personagem em todas as camadas, a maioria tem o discurso do liberalismo e não passam de aproveitadores da boa fé alheia. Por outro lado, é necessário destacar que “boa fé” não passa perto de ninguém que entra nesta estrutura e muitos dos que “vendem tudo” para aproveitar uma oportunidade oferecida por um destes parasitas estão querendo só “levar vantagem“.

Política Econômica

A política econômica do governo, anunciada como liberal a partir do ministro ( Paulo Guedes é um obscuro seguidor dos “Chicago Boys” ), é rentista em essência. Privilegia quem não faz nada de produtivo e privilegia intermediários e atravessadores. Surpreendentemente, ao invés do senso crítico predominar, o que vemos é o crescimento de coaches e rentistas de redes sociais, como os comediantes de Stand Up – a “profissão” que mais cresceu em tempos de pandemia e crise econômica.

Longe de mim, buscar nos comediantes de Stand Up os culpados de tudo, alguns são, com toda a certeza, muito bons e, em certa medida, o humor é necessário. Um questionamento é que o humor poderia ser inteligente e o que vemos na maioria destes humoristas é baixaria e mais do mesmo.

E é neste contexto que entram os liberais que se curvam a economias como dos Estados Unidos em defesa do afastamento do Estado e o chamado Livre Mercado. No entanto, estão lutando pelo rentismo em sua essência, nunca fizeram nada pelo coletivo e querem se locupletar sem serem taxados e outras posições onde o Estado deveria ser mais rigoroso.

Liberal rentista

É bom indicar que rentismo é uma política de um Estado-Rentista, uma vez que é muito comum de nações absolutistas ou ditatoriais. Governos não democráticos, que utilizam a exploração de riquezas naturais, como países mulçumanos do Oriente Médio, são os melhores exemplos. Negligência ao desenvolvimento social de toda a população, concentração de riqueza, destruição de recursos naturais são prática que consolidam a riqueza para poucos que predomina no Brasil.

O Brasil está vivendo esta situação sob comando do atual Governo Federal e a população ainda não se deu conta que a pobreza aumenta para beneficiar uns poucos. O que deu certo nos países árabes, por exemplo, não dá certo no Brasil por conta da nossa história ( lembram do Dom João VI? ). A classe média e pequena burguesia não existem nas ditaduras baseadas na religião. Ditadores e absolutistas enriquecem e distribuem a riqueza ao seu modo, sem “pelegos” e liberais que parasitam o Estado, como acontece em Pindorama.

Aqueles que criticam a intervenção do Estado na economia, que se autodenominam liberais, deveriam voltar para os bancos de escola e estudar história. Com toda a certeza, teriam que estudar mais do que história, o que não resolveria muito pois no espírito do brasileiro tem predominado o “farinha pouca, meu pirão primeiro“.

Enfim, perdemos a guerra e o país está dominado por oligarquias que mantêm seus capitães-do-mato, atravessadores e serviçais na ativa e bem remunerados.

Perdemos, com STF e tudo !

 

(1) Nanoeconomia Feudal no Século XXI

(2) PF vai usar Lamborghini do “Rei do Bitcoin” avaliada em R$800mil

(3) 200 anos sem Dom João VI

(*) O comediante perdeu mais de R$1 milhão e não admite, não deve fazer falta.

 

Imagem: Brum Chargista

Nota do Autor

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Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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