Jogo Comprado - Ivan Cabral

Jogo Comprado – O lado criminoso do esporte

Futebol

Adoro esportes e, em especial, o futebol. No geral, gosto de quase todos eles como fã de acompanhar temporadas e saber das regras e regulamentos especiais. Fui praticante de algumas modalidades de maneira moderada, do futebol ao automobilismo e depois de limitações físicas sou fotógrafo de esportes(1). Em suma, pratiquei e ainda acompanho de perto muitos esportes e a partir da série-documentário Netflix “Jogo Comprado” resolvi escrever este texto.

O foco será o futebol e o Cruzeiro, que passa por uma situação de colapso, depois de 98 anos de história gloriosa.

O Jogo Comprado

A série “Jogo comprado” é um documentário que aborda crimes que andam pari passu com a disputa nos esportes. Em outras palavras, não importa se é esporte coletivo individual, amador ou profissional, existem pessoas que não tem nenhum espírito atribuído ao ” Barão de Coubertin “…  será que o espírito esportivo imaginado pelo Barão cabe nos dias de hoje para alguma coisa?

Os episódios da série abordam casos reais com depoimentos dos principais envolvidos. É mais do que assustador ver a maioria dos envolvidos em escândalos esportivos serem absolvidos na justiça comum. Em alguns casos, as instituições esportivas pegam uma ou outra pessoa, que operou diretamente no crime, e o pune, livrando todos os outros.

No Brasil, a exemplo do caso do escândalo na Itália, representado na série pelo Calcciogate(2), tivemos o escândalo da ” Máfia do Apito ” em que um árbitro foi demonizado e a “pizza napolitana” foi distribuída à vera. Pode parecer estranho, mas o Cruzeiro foi um dos maiores prejudicados com a remarcação de jogos pelo Calcciogate Tupiniquim.  Ao invés dos 6 (seis) pontos que havia conquistado em duas partidas, obteve apenas 1 (um) nas partidas remarcadas.

Futebol brasileiro

O futebol brasileiro não tem absolutamente nada de diferente do que aconteceu no Calcciogate, eu diria que é muito pior pois a justiça comum passa longe dos tribunais de exceção esportivos. Surpreendentemente, o escândalo brasileiro foi denunciado pela Revista Veja ao mesmo tempo que a temporada italiana suspeita pegava fogo.

Aqueles que tiverem a coragem de ver a série Netflix e conseguirem, analogamente, pensar nos escândalos de arbitragem e reclamações de torcedores de todos os times, podem se assustar com as “coincidências”.

Desde que comecei a escrever na Internet sobre futebol, e lá se vão mais de 25 anos, mantenho algumas ideias fixas. Uma delas é que a arbitragem do futebol brasileiro é tão corrompida que resultados são fabricados na rodada anterior. Fazendo um pequeno spoiler da série, afirmo que a prática de aplicar cartão amarelo em um jogador importante num jogo insignificante, para desfalcar no jogo seguinte, é antiga. Por outro lado, é curioso quando torcedores que estão vendo jogos com a gente, não importa se do mesmo time, ouvem esta afirmação que faço, são negacionistas ao extremo. Enfim, já fui chamado até de paranoico por conta de algumas teorias que não são, com toda a certeza, conspiracionistas.

Sou torcedor do Cruzeiro Esporte Clube, gosto muito de futebol, acompanho alguns dos bastidores esportivos e afirmo que o cheiro, mesmo após as conquistas, é fétido.

Cruzeiro

O Cruzeiro passa pela sua pior fase em seus cem anos de existência, digna de envergonhar os ” oriundi “, menos, com certeza, aqueles que fazem parte das máfias e do crime organizado.

Vejo que, neste momento em que a estrutura do futebol brasileiro muda com a possibilidade de adoção da estrutura denominada clube-empresa, as perspectivas não são animadoras. A torcida do Cruzeiro vê a criação da SAF como única salvação, entretanto, a pergunta é “salvação de quem ou do quê?” O clube entrou em colapso e falido moralmente(3), como venho escrevendo desde 2018.

Desse modo, a lei do “Clube-Empresa” é, IMNSHO, somente uma forma do torcedor do Cruzeiro entregar de seus anéis dos seus dedos por uma imagem. É provável que os dirigentes que jogaram a pá de cal sejam condenados a devolver algum dinheiro, outros serão absolvidos e muitos outros sequer serão investigados.

Se no Brasil existe a frase que diz ” o Brasil não é para amadores “, eu diria que o Cruzeiro de hoje não é para torcedores apaixonados. Adicionalmente, como disse um amigo e eu concordo, torcer para um time de futebol hoje tem que ser ignorante, na verdadeira acepção da palavra. É, por exemplo, como você conhecer as entranhas de uma fábrica de salsichas, e decidir nunca mais comer um simples cachorro-quente.

Jogo comprado, esporte podre

Assim sendo, eu arrisco dizendo que continuo cruzeirense, não sou torcedor de dirigente(4), de Jogador, de técnico ou qualquer outro déspota ou criminoso de plantão. Aos que me perguntam: ” qual a solução que você tem? ” só digo que este tipo de pergunta origina-se de torcedores estúpidos ou muito mal-intencionados. Desde que as redes sociais, com suas narrativas e influencers, substituíram os antigos cronistas esportivos, que cobravam “por fora” para dar prêmio de melhor em campo, a coisa ficou muito pior.

Analogamente, ao programa da TV italiana que influenciava torcedores a terem opiniões favoráveis, até para dirigentes corruptos, agora recebem dinheiro para fazerem o mesmo nas redes sociais. Como se não bastasse, existem aqueles que nada recebem, a não ser likes, pela função de liderar simpatizantes e teleguiados.

Enfim, mesmo que eu seja repreendido por alguns preclaros “influencers“, para não apelidar torcedores de simpatizantes e teleguiados, esta é a realidade nua e crua.

Aceitem que dói menos e estou aberto ao debate com apenas uma condição: Basta que vejam o episódio sobre o Calcciogate na série “Jogo Comprado“. Logo após, escrevam ao menos um texto com mais de 280 caracteres sobre o crime praticado contra o Cruzeiro, será que avançaremos no debate?

Certamente, não vai aparecer ninguém para defender abertamente a lisura da institucionalidade no futebol, mas se todos pensam como eu, porque continua tudo igual, mesmo depois dos “7 a 1“?

 

(1) Agência Minas Esportes – AME

(2) – Calcciogate é um termo que utilizo numa livre tradução

(3) A Falência Moral do Cruzeiro – Uma visão

(4) O Cruzeiro não resistiu aos aduladores

 

Charge: Ivan Cabral

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

  • Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindos.
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  • Algumas passagens e citações podem parecer estranhas mas fazem parte ou referem-se a textos ainda inéditos.

Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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