Impostores

Impostores em ação

Tempos Modernos

O meio empresarial e profissional, seja ele público ou privado, mudou muito nos últimos 30, 40 ou 50 anos. Certamente, havia impostores nos meios organizacionais, sociais e políticos, desde sempre.

Certamente, hoje em dia, está completamente fora de controle.

Posteriormente à crise do petróleo dos anos 1980, com empregos consolidados e quase monolíticos, em que vivemos a chamada “década perdida” já surgiram duas gerações de trabalhadores, e uma massa ávida por ter remuneração muito acima de sua qualificação.

Desde que a oportunidade em obter um diploma de curso superior colocou várias profissões (e respectivos profissionais) na berlinda, a situação piorou muito. Sem dúvida, algumas profissões não possuem a substituição apropriada em termos de renovação de ideias e valores éticos. Corporações envelheceram e virou um vale-tudo na briga por um “espaço ao sol”.

Impostores

Enquanto isso, sociopatas viram impostores nas empresas.  O tal  “empreendedorismo” leva uma gama de profissionais desajustados às regras e modus operandi das organizações a fantasiarem o que não são. Surge o impostor (*), aquele cara que faz de tudo para não ser pego ou flagrado na sua incompetência.

Podemos identificar um impostor com pouca observação. Normalmente apresentam algumas características (não obrigatoriamente todas) mas são especialistas, sempre, em duas ou três das indicadas a seguir:

Dúvidas recursivas

Criam dúvidas sobre si mesmo, em geral valorizando algo que fizeram sem fazer auto-elogio. Questionam a forma ou o conteúdo que realizaram, mesmo que tenha sido realizado pelos outros. Sempre menosprezam a realização dos outros aparentando a capacidade de fazer melhor.

Falsos sabotadores

Aparentam medo de falhar. Assumem poucas atividades por escrito e apresentam ojeriza ao sucesso, especialmente alheio. Não gostam do pódio pois é com ele que fica-se mais exposto e visível. E a necessidade de provar seu valor ressalta a deficiência de auto-sabotagem.

Insatisfação profissional

Impostores sempre estão se dizendo insatisfeitos no trabalho, no relacionamento, nas atividades profissionais. Reclamam de muitas coisas pelos corredores e não o fazem nos espaços apropriados. Ameaçam abandonar tudo mas nunca o fazem e não se movem na direção de construir ambientação positiva.

Negam promoção

Portadores da síndrome do impostor evitam pedir aumento de salários (em empresas que não possuem progressão e plano de carreira) e não são afeitos a avaliações exteriores. Minimizam suas contribuições com apelo de “trabalho em equipe” pois preferem aparentar auto comiseração. Nunca falam sobre meritocracia ou, por outro lado, usam o termo de maneira maliciosa.

Trabalham muito

Na tentativa de minimizar os efeitos de sua incapacidade profissional, impostores estão sempre trabalhando muito. De acordo com sua índole, nunca demonstram disponibilidade para projetos que tenham grandes metas se não tiverem a certeza de que outros realizarão o projeto. Demonstram fazer muito esforço para produzir brumas ou fumaça.

Oportunidades

Impostores atuam sempre dentro de sua zona de conforto e com ajuda dos que o seguem ou apoiam. Se negam a ter oportunidades fora da zona de conforto uma vez que  não podem correr o risco de serem avaliados. São especialistas em negar pedidos de atuação em comitês de Planejamento ou Atividades extra-curriculares. Fogem de deveres extras com a justificativa de “muito trabalho”.

Rejeitam sucesso

O sucesso, ou seja, as manifestações de sucesso relacionadas ao impostor profissional causam-lhes ansiedade. Uma vez que, dificilmente, poderão reproduzir algo que lhes é atribuído uma outra vez. Ser o “funcionário do mês” é um fardo para o impostor. O preço pode ser alto demais. Por isso, procuram diminuir o sucesso para não causar exposição perigosa.

Carreira

Impostores sabem que nunca serão contratados por outras corporações pelo que fizeram. Sabem que um currículo pode aceitar qualquer coisa, mas outras empresas estão capacitadas, até mesmo na entrevista de recrutamento, a identificar impostores. Ficam com as carreiras estagnadas além de não assumirem nem a evolução profissional dentro da própria oganização. Se omitem em todos os programas de evolução e são atropelados  por subordinados a todo momento.

Sociopatas

Profissionais com atributos de sociopatas assumem as características de impostores com facilidade imensa. O ambiente empresarial certamente é permissivo para este tipo de comportamento.

Sempre haverá um enorme prejuízo no desenvolvimento global das organizações, principalmente quando impostores instalam-se em posições-chave nas suas estruturas. Dependendo da classificação e tamanho da empresa, um engessamento e atraso será observado e colocará processos vitais em risco.

Impostores profissionais estão puxando tapetes e dominando o mundo !

(*) O post “Síndrome do Impostor em Alta“, era somente a ponta de um grande iceberg desgovernado.

Imagem: Reprodução UOL

Nota do Autor

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