Bom Dia, Verônica - Reprodução Netflix

Quem dera, Verônica !

Uma Série e Índios

Bom Dia, Verônica é uma série ficcional de TV policial ambientada e produzida no Brasil. Assemelha-se, contudo, muito à vida real, inclusive pela manipulação das informações que autoridades e mídia protagonizam no Brasil. Escrevi, anteriormente, sobre séries baseadas em fatos reais, como ” O Mecanismo dominante Tupiniquim “, também policial-política e a repercussão tem sido fraca. A princípio “Bom Dia, Verônica” não impressiona pois nos acostumamos com programas televisivos sanguinários e, infelizmente, estamos acostumados à violência dos primeiros episódios que nem provocam comoção.

Uma vez que as músicas que integram uma série dizem mais do que uma simples leitura da letra, é recomendável prestar atenção nestas canções. De fato, numa das músicas dessa série, a letra resume quase tudo nas linhas e entrelinhas. E, por outro lado, ainda permite um gancho para continuidade da trama em outras temporadas mais atualizadas. Fazendo um pequeno spoiler; a música a que me refiro é Índios,  um dos “hinos” da banda Legião Urbana, mesmo que a interpretação utilizada na série não tenha sido deles.

Verônica, A vítima

As estrofes da música Índios podem até não representar diretamente a personagem ( Verônica – Tainá Muller ). Entretanto, na produção musical ( Dado Villas-Boas ) fica patente a percepção do músico para colocar a referida canção unida ao enredo.

Por exemplo, no verso a seguir, a questão do Deus que muitos brasileiros têm louvado – do Presidente da República ao mais humilde mortal acometido por Covid-19 – parece estar, surpreendentemente, relacionada aos nossos dias.

“… Quem me dera, ao menos uma vez,
Entender como só Deus ao mesmo tempo é três
E esse mesmo Deus foi morto por vocês
É só maldade então, deixar um Deus tão triste.

Desse modo, é um verdadeiro desafio aos espectadores, já que não conseguem ter um discernimento amplo e associar uma ficção à nossa realidade.

A mídia, as instituições e vários personagens, muito bem representados na trama, são ” cuspidos e escarrados ” como na realidade. Verônica é uma personagem que luta contra o sistema, como poucos fazem. Em outras palavras, ela coloca sua vida e a de seus familiares sob risco de morte, para tentar proteger quem mal conhece.

Mundo cão

Noutro verso,

“… Quem me dera, ao menos uma vez,
Que o mais simples fosse visto como o mais importante …”

A protagonista entende e cuida de vindicar a igualdade com o mais simples e menos protegido sendo equiparado ao mais importante e poderoso.

Existem personagens reais no Brasil como a atriz que faz o papel de policial honesta e correta ?

Surpreendentemente, a resposta é SIM. Certamente não são muitos e não possuem a coragem de uma Verônica da produção Netflix.

Quem me dera, houvesse, muitos(as) como ela, que mesmo sendo vítimas, vão à luta, se entregam e enfrentam o sistema. Por outro lado, algumas ações dentro do roteiro são condenáveis, até abomináveis e indignas. Se as primeiras cenas e episódios iniciais não trazem muita atenção, a série vai ganhando contornos mais pesados e prendendo a atenção.

Verônica, A Policial

A policial, que exerce atividade principal de Escrivã, é retratada como uma intrometida e que não deve meter o nariz onde não é chamada. Talvez a expressão ( meter o nariz ) refira-se ao mau cheiro que exala de muitas coisas que vemos no dia-a-dia e que vamos nos ” acostumando “.

Se bem que o Brasil está se tornando o país de falsos cidadãos, deitados eternamente em berço esplêndido. Aquele povo que deixa roubar uma rosa do jardim e, passivamente, aceita pisarem e acabarem com seu jardim no dia seguinte.

Em suma, outro verso da personagem demonstra que o trabalho honesto é árduo e, na maioria das vezes, solitário e incompreendido.

Quem me dera, ao menos uma vez,
Acreditar por um instante em tudo que existe
E acreditar que o mundo é perfeito
E que todas as pessoas são felizes.

Quem me Dera

Tenho escrito muito sobre séries com o propósito de tentar ” transcrever ” as tramas para o mundo real. Verônica não me impressionou a ponto de dar uma nota superior a 7 ( sete ), segundo critérios similares aos de “ Rotten Tomatoes ” ). A crítica social na série é constante, tudo o que vemos nos telejornais sobre violência, feminicídios, abuso de autoridade, formação de quadrilha, problemas com Poderes de Estado está representado ali. É provável que, até nos personagens que não tiveram direito nem a uma fala sequer, a representação do abuso físico e mental tenha sido exposta com intensidade e realidade.

A série 3%, também nacional e de qualidade, me impressionou, por se tratar de uma ficção repleta de cenas imaginárias. Enquanto isso, a série sobre a policial-escrivã lutadora é eivada de vida real, com pitadas de ficção. Desse modo, não é uma série recomendada para quem quer somente um passatempo e não se preocupa com o enredo de sua vida atual.

Parafraseando o verso

Nos deram espelhos e vimos um mundo doente –
Tentei chorar e não consegui.

Escrevo que nos deram conexões com o mundo via Internet, tento chorar e não consigo, a indignação e adinamia só crescem.

Sinopse

Estrelado por Tainá Müller, Eduardo Moscovis, Camila Morgado e Elisa Volpatto, a série seguirá a história de Veronica Torres, Escrivã de Polícia que trabalha em uma Delegacia de Homicídios em São Paulo (SP). Casada e com dois filhos, sua rotina acaba sendo interrompida quando ela testemunha o suicídio chocante de uma jovem mulher. Nesse ínterim, ela recebe um telefonema anônimo de uma mulher desesperada, pedindo ajuda para uma violência doméstica.

Base da sinopse: Wikipedia

 

Imagem: Reprodução Netflix

Nota do Autor

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