Nunca me sonharam - Paulo Freire

Nunca me sonharam – Educadores e educandos

Dia do Professor

Este texto tem alguns aspectos diferentes e outros repetitivos, os repetitivos justificam-se por: ” é da repetição que advém o conhecimento“. Entretanto, diz o filósofo popular que; ” quem fica parado é poste.“. Mutatis Mutandis, com toda a certeza, este é um texto fora dos padrões “normais” com objetivo de homenagear os professores e professoras. Portanto, a partir do filme/documentário “Nunca me sonharam“, dirigido por Cacau Rhoden, uma produção de Maria Farinha Filmes, denomino educadores e educandos.

O documentário é cheio de depoimentos que homenageiam professores e coloca a questão da educação não como problema nacional, mas sim como a única solução para o país.

Nunca me sonharam

“Nunca me sonharam” é um documentário sobre a situação da educação brasileira, tratada como problema a cada eleição por déspotas e candidatos a déspotas mal esclarecidos. Em outras palavras, educação é um tema que deveria ser tratado como a solução fundamental para os problemas do país, mas é relegado a uma espécie de problema insolúvel. As narrativas subliminares quando campanhas do tipo “Escola sem partido” avançam, mostram o quão a sociedade brasileira representa a ditadura das oligarquias.

Quando escrevi, alguns anos atrás, “A Burrice é Invencível” e tentava debater a estupidez da campanha contra alguns preceitos educacionais, fui mal compreendido. O Brasil tem mais de 80% de suas crianças e adolescentes em escolas públicas, e a minoria representante das elites querem determinar como deve ser esta escola pública. Certamente, a pandemia provocou mudanças em muitas pessoas, espero que tenha provocado inclusive nos que não viram ou não deram importância aos belíssimos depoimentos de educandos e educadores no filme.

O Filme – Depoimentos

O filme traz depoimentos de educadores e educandos, com a mais alta sensibilidade e extensão, que o debate merece. Por outro lado, é clara a demonstração que as barreiras não são criadas nas escolas e sim nos gabinetes e escalões superiores, ou até mesmo na ganância provocada pela educação privada.

Reprodução – Site Pensador

Uma frase de Sartre, presente em um dos depoimentos, revela o que está acontecendo com a educação no Brasil.

Os depoimentos de educadores, educandos e demais profissionais que emprestam suas ideias no documentário revelam exatamente isso.

O que fizeram com nossas crianças que são a Geração Z que comanda o mundo? E o que os pais destas crianças estão fazendo ao detonar Paulo Freire e criar a falácia do “Escola sem partido”?

No Brasil, atualmente, esta Geração Z está pior do que em qualquer época, perdemos completamente a capacidade de entender e sermos entendidos.

Os depoimentos presentes na ótima produção revelam, sem dúvida, que muitos pais deixaram por conta dos educadores a função de formar até o caráter.

Na maioria dos casos apresentados em “Nunca me sonharam” a formação do caráter nem é por culpa dos pais, mas de uma sociedade que oprime. De uma sociedade que se imagina na Índia em que castas são ungidas e devem determinar o que todos os “não escolhidos” devem ser.

Nunca me sonharam um professor

Sou filho de uma professora, neste momento, sem a presença dela entre nós, fica difícil perguntar se ela me sonhou professor, um dia. A frase-título está presente num dos depoimentos como o posicionamento de um educando em relação àquilo que os pais deles sonharam para ele.

É provável que este seja um grande problema estrutural da nossa sociedade, pais sonhando as coisas pelos filhos, e filhos sendo direcionados ao sonho de outros.

É crime ou ruim “sonhar” o que os outros devem fazer?

Com toda a certeza, não é nenhum crime, é só uma imposição que a sociedade fez, faz e continuará fazendo se nada mudar radicalmente. As pessoas têm o direito de querer o melhor para os filhos, mas devem respeitar o que os filhos pensam em ser e fazer no futuro. Minha mãe nunca deve ter sonhado que teria um filho professor, mas ela chegou a ler as coisas que escrevi e coisas que fiz como professor.

No filme vemos educandos e educadores determinados sobre o que pensam em fazer no futuro, se bem que muitos educandos ainda estão perdidos. Sem dúvida alguma, algumas visões de futuro são irreais, nem como utopia, outras são mais do que concretas e factíveis, devemos apoiar e compreender todas elas.

Enfim, é muito curioso que 80% dos que tentam vivenciar um Construtivismo sejam impedidos por aqueles que colocam seus filhos em escolas com filosofia educacional construtivista. Se fosse Piaget um brasileiro, ao invés de teorias de Paulo Freire é provável que não estaríamos nesta guerra ideológica sem sentido,.

Construtivismo

Paulo Freire é odiado por gente que se acha inteligente mas defende a ignorância para os filhos de outras pessoas, mas não para os deles. Construir as coisas é muito mais difícil do que destruir por um simples motivo: basta um séquito de seguidores cegos do mal.

O construtivismo pensado por Paulo Freire tem a ver com o socioconstrutivismo que se contrapõe ao construtivismo americano, voltado para defesa do capitalismo. Paulo Freire, e os depoentes do filme “Nunca me sonharam” enfatizam os aspectos históricos e culturais de cada região, de cada comunidade.

O desenvolvimento das pessoas, portanto, é o que mais importa, e muitas frases identificadas no filme são lapidares.

Por exemplo, ” gestor escolar tem que gostar de gente ” e “ professor não é glossário ” revelam a distância que a nossa escola pública está da realidade. Educadores e educandos devem se aproximar do que lhes é mais próximo, o educando. Burocratas e pregadores de púlpito sabem muito pouco de como se constrói uma nação que não seja o modelo autoritário deles.

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Constituição da República Federativa do Brasil

Está na escola, inquestionavelmente, a solução, muitas soluções estão apresentadas país afora, basta adequá-las à realidade de cada comunidade no entorno da escola. A verdadeira revolução no país, será feita pela educação e, como dito no filme, espero que seja em breve e não como os frutos de uma tamareira.

P. S.

Excepcionalmente, neste dia do professor, homenageio algumas pessoas.

  1. Minha mãe, incansável batalhadora pela educação de todos, em especial dos mais pobres, e que depois de morta ainda merece reverências de ex-alunos.
  2. Aurilene Vieira de Brito, educadora de Cocal dos Alves (PI), que com seu belíssimo depoimento, representa todos os educadores do filme.
  3. Daniel de Moraes, educando do Rio Grande do Sul, que está a caminho de ser um grande educador e representa, do mesmo modo, todos os depoimentos dos educandos.
  4. Heley de Abreu, educadora mineira que deu a sua vida, literalmente, por seus educandos e que caiu no esquecimento das redes sociais vazias e pueris.
  5. Auxiliares escolares, porteiros, cantineiras, monitores e todas as outras atividades de uma escola sem as quais, inegavelmente, é impossível construir qualquer coisa relacionada à educação.

 

Imagem: Reprodução Internet

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

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Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

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