Entre sem bater - Ulysses Guimarães - Restauração

Entre sem bater – Ulysses Guimarães – Uma Restauração

Entre sem Bater

Este é um texto da série “Entre sem bater” ( Uma leitura, acima de tudo, “obrigatória” ). A cada texto, uma frase, citação ou similar, que nos levem a refletir. É provável que muitas destas frases sejam do conhecimento dos leitores, mas deixaremos que cada um se aproprie delas. Entretanto, algumas frases e seus autores podem surpreender a maioria dos leitores. É provável que Ulysses Guimarães não teve uma dimensão real do que significa uma “Restauração” política no Brasil.

Cada publicação terá reprodução, resumidamente, nas redes sociais Pinterest, Facebook, Twitter, Tumblr e, eventualmente, em outras isoladamente.

As frases com publicação aqui têm as mais diversas origens. Com toda a certeza, algumas delas estarão com autoria errada e sem autor com definição. Assim sendo, contamos com a colaboração de todos de boa vontade, para indicar as correções.

Na maioria dos casos, são frases provocativas e que, surpreendentemente, nos dizem muito em nosso cotidiano. Quando for uma palavra somente, traremos sua definição. Por isso, em caso de termos ou expressões peculiares, oferecemos uma versão particular. Os comentários em todas as redes sociais podem ter suas respostas em cada rede e/ou com reprodução neste Blog.

Ulysses Guimarães

O “Senhor Diretas” talvez não imaginasse que teria uma carreira política tão importante e uma morte tão enigmática. Ele que apoiou o regime militar e depois lutou por uma restauração política no país, sabia do que estava falando. Entretanto, não tem como associar os discursos de Ulysses com a necessidade de termos algo diferente de restaurações falaciosas.

Ulysses Silveira Guimarães GCC • GCIH (Itirapina, 6 de outubro de 1916 – Angra dos Reis, 12 de outubro de 1992). Foi um político e advogado brasileiro, um dos principais opositores à ditadura militar. Foi o presidente da Assembleia Nacional Constituinte de 1987–1988, que inaugurou a nova ordem democrática, após 21 anos sob regime de exceção. Ulysses nasceu na vila de Itaqueri da Serra, atual distrito do município de Itirapina, que à época era parte do município de Rio Claro (SP). Além de presidente da Câmara dos Deputados em duas ocasiões distintas, foi também candidato à presidência da República na eleição de 1989. Inicialmente, apoiou o golpe de 1964, contra o presidente João Goulart, mas logo passou à oposição e passou a lutar pela volta da democracia.

Fonte: Wikipedia (Português)

Restauração

Desde que a monarquia francesa retornou, após a Revolução, o mundo adquiriu a ideia de restauração como meta, ou como objetivo de governantes. Ora pois, se são estes governantes que ferram com o povo, a restauração tinha que começar por rever a questão do perdão.

A exemplo do que estamos vivendo no Brasil, alguns articulistas, como Christian Lynch acreditam que o Governo Lula III é uma redenção. Em seu portal Insight Net, ele acredita que:

“… Seja no perdão a alguns adversários, na percepção de que é imprescindível ou na conciliação com forças antagônicas, o presidente busca recompor o cenário de dez anos atrás …”

Sem dúvida, sempre resta uma esperança, como defendia o “Senhor Diretas”, ou como acreditavam os franceses com o retorno do monarca Luís XVIII. #SQN.

Luís XVIII

A Revolução Francesa é o berço de qualquer democracia no planeta, e, mesmo assim, sofreu horrores para se estabilizar, se é que estabilizou. A ideia de restauração e clemência e perdão vem desde aqueles tempos, certamente, um equívoco no uso das palavras. Algumas frases de Luís XVIII aplicam-se à situação do Brasil de hoje e do governo Lula III, situação inédita no país.

Frases

Homens ímpios e facciosos, depois de terem seduzido vocês com falsas declamações e promessas enganosas, levaram vocês à irreligião e à revolta.

Você deve renunciar ao domínio daqueles usurpadores traiçoeiros e cruéis que lhe prometeram felicidade, mas que só lhe deram fome e morte; desejamos aliviá-lo da tirania deles,

O meu governo estava sujeito a cometer erros: talvez os tenha cometido. Há momentos em que as intenções mais puras são insuficientes para direcionar, ou às vezes até enganam.

Mas o sangue do meu povo correu, em consequência de uma traição da qual os anais do mundo não apresentam nenhum exemplo. 

E desde quando eu deixei de sê-lo?

Imaginemos que não estamos na França no início do século 19, mas no Brasil do Século XXI, será que é possível ouvirmos estas frases?

Perdão, pero no mucho

Inquestionavelmente, Lynch, em seu artigo “Lula III – um governo de restauração“, faz correlações importantes com a Revolução Francesa e sequência. Contudo, o quadro e a história da política no Brasil apresentam firmes evidências de que outros rumos se apresentarão. Certamente, o perigo do perdão e da traição e a instabilidade das instituições, que se dizem firmes, garantem uma contradição.

Ao voltar ao poder, o atual governo cedeu mais do que o povo brasileiro(1) merecia. Alguns personagens estão obtendo perdão e a senha para a traição é uma certeza.

A generosidade de Lula com políticos do Centrão, com políticos que urdiram o impeachment de Dilma, será imperdoável. Entretanto, assim como aconteceu em outros países, como a França, alguns extremistas não merecem nenhum perdão. Por isso, a restauração não funciona em nenhum lugar e ainda confunde as pessoas com dificuldades de compreender as coisas(2).

Debates Estéreis

Neste contexto de debates estéreis, as redes sociais e plataformas digitais são incomparáveis, no sentido de parir opiniões de segunda mão(3) esdrúxulas.

Por exemplo, em uma rede social que presta-se ao debate político e um escravo mental publica uma matéria que vilipendia alguém do governo atual. Como resposta, alguns comentários refutam textos em compartilhamento com exemplos do governo anterior. Surpreendentemente, aparece outro serviçal para perguntar: “por que vocês só falam do mito…?”. É impressionante o déficit cognitivo destas pessoas que ainda defendem o indefensável, coisa de rábula de porta de cadeia.

Nesse ínterim, os grupos de redes sociais praticam a mais perfeita polarização non sense e nem adianta escrever nada além de 280 caracteres. É provável que os teóricos da lavagem cerebral estejam certos sobre o que aconteceu com a avalanche de informações disponíveis.

A restauração e perdão que o governo Lula III está promovendo terá seus primeiros reflexos antes das eleições municipais de 2024. E, como se não bastasse, se a população não abrir os olhos, estará fazendo escolhas que vai se arrepender amargamente.

Revolução

Acredito que, se as revoluções democráticas tivessem como modelo os ideais de Montesquieu(4), não teríamos muitos problemas. A alternância de poder no Executivo, uma assembleia representativa da sociedade e um Judiciário equidistante, é a melhor ideia.

Do jeito que a história política do Brasil se desenvolveu é uma utopia querer restauração de uma coisa que nunca existiu. Desde a maldita transformação do Brasil em sede do Reino Unido, nunca mais conseguimos qualquer coisa racional. Infelizmente, nunca tivemos uma revolução e sim uma sucessão de golpes e mudanças superficiais, sempre em prejuízo da maioria.

Assim sendo, é impossível dar certo no curto, médio e longo prazo as ações do atual governo, principalmente pelo histórico dos antagonistas. E, sem dúvida, quando falo de antagônicos não estou me referindo a extremistas de direita e golpistas e seus vassalos.

O esquecimento do passado não deve permitir que criminosos fiquem impunes, seja por apossar de coisas que são do Estado ou por abuso de autoridade. As questões envolvendo o Poder Judiciário e casos como da Operação Lava-Jato não merecem perdão.

Como se não bastasse, muitas revoluções deveriam estar acontecendo em relação à privataria que se instalou desde 1989. É inadmissível que governos estaduais, como o de Minas Gerais, continuem entregando as riquezas do país como vem acontecendo. É necessário que existam revoluções para que o que acontece com a educação no estado de São Paulo não prospere.

A população ainda não entendeu que petições virtuais e CPIs nunca dão nenhum resultado benéfico para a maioria da população.

Acorda, nação !

 Libertas Quae Sera Tamem

A esperança por uma liberdade de opinião(5) ainda existe. A tristeza por constatar que muitos princípios de liberdade sofrem escárnio e o vilipêndio é enorme. Uma questão que é objeto de debate tímido é a militarização da política. Sem dúvida, é inadmissível que as pessoas pratiquem política com arma numa mão e dedinho em riste na outra. Em qualquer civilização democrática, uma parlamentar não pode correr atrás de um cidadão com arma em punho.

Estas “liberdades”, que os déspotas implantaram no país, não merecem clemência e nem condescendência. Como se não bastasse, o percentual da população que defende este tipo de banditismo é significativo. Os cabeças e mentores deste tipo de intolerância(6) e poder pela força merecem punição exemplar.

Não existe restauração com diminuição de todas as liberdades, mesmo as liberdades que são uma concessão da democracia guiada.

Em suma, há limites para que se restaure todo o atraso que a população permitiu nos últimos seis anos. Contudo, não podemos achar que remissões e perdões trarão uma espécie de restauração pacífica, se golpistas e déspotas ficarem impunes.

Não gosto e não pratico ações que tenham relação com as palavras ódio, vingança e rancor…

Contudo, em política, gosto menos ainda da palavra perdão. Do mesmo modo, , acho deplorável certos “acordos”. Não dá ! O país pode até recuperar-se do que perdeu desde 2016, mas não vai consertar nada do que existe de errado desde 1500 com conciliações.

Ulysses Guimarães era um sonhador, se fosse presidente, morreria de desgosto; o povo não evoluiu nada. #FicaaDICA !

P. S.

A palavra restauração, assim como outras tantas, ganham uma perversidade inacreditável na política. Uma coisa é restaurar um objeto histórico, como o relógio destruído na invasão dos golpistas ao Palácio do Planalto. Outra, muito diferente, é restaurar algo que nunca existiu além do ideário dos próprios políticos.

 

(1)  “Brasil Caipira – O Povo Brasileiro

(2) “Entre sem bater – Upton Sinclair – Compreender as Coisas

(3) “Entre sem bater – Mark Twain – Segunda Mão

(4) “Revisitando Montesquieu no Século XXI

(5) “Entre sem bater – Dante Alighieri – O Princípio da Liberdade

(6) “A intolerância digital não é uma coincidência

 

Imagem: Entre sem bater – Ulysses Guimarães – Uma Restauração

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

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