Ney Franco - Bruno Haddad - Cruzeiro

Remadores Azuis by Ney Franco

Futebol

Em primeiro lugar, é tudo muito simples, inclusive no futebol, política e religião. Contudo, as ideias e coisas não são tão simples quando envolvem pessoas. Desse modo, eu explico porque estou escrevendo e falando pouco sobre futebol, especialmente nas redes sociais. Resolvi sair do pequeno período sabático por vários motivos e o principal foi a entrevista do ex-treinador Ney Franco sobre a temporada 2020.

Redes Sociais

Adicionalmente, é necessário ressaltar que sigo alguns preceitos filosóficos que habitantes de redes sociais não entendem e não praticam. Sem bem que, ao contrário do que se pensa e pratica, a discussão deveria sobre ideias e coisas, quando chega ao nível das pessoas é fim de linha. Em outras palavras, por vezes desço ao nível de discutir pessoas pois a maioria dos interlocutores não vai além disso. Outra linha filosófica é de que enquanto estou debatendo e brigando é porque me importo com o assunto (ideias e coisas) e tento elevar o nível dos interlocutores. Outrossim, há limites e estou sem falar do Cruzeiro muito antes de confirmado matematicamente o rebaixamento, além das  péssimas ações extracampo.

Entrevista-Base do Ney Franco

Após estes prolegômenos, a motivação deste texto partiu da entrevista do ex-treinador Ney Franco, concedida ao Portal UAI / Superesportes alguns dias atrás. Na entrevista, o treinador cita alguns pontos que deveriam ter uma análise mais detida de grande parte da torcida do Cruzeiro. Se os erros e algumas informações passadas por Ney Franco não forem essenciais para pensar a temporada 2021, certamente estaremos errando de novo.

Alguns pontos eu queria destacar:

Veteranos x Base

Está claro que na temporada 2020, e em tantas outras passadas, existe uma grande má vontade da torcida quanto ao uso e aproveitamento de jogadores da base. Torcedor de rede social sabe pouco ou quase nada sobre jogadores da base. Aliás, sabem nada além do que a mídia publica de maneira enviesada e, em muitos casos, a partir de interesses de empresários, dirigentes, agentes et caterva.

O caso recente da confusão provocada pelo menino conhecido como “Messinho“, a manutenção do pai dele como “assessor” da presidência dão o tom do que tem sido a base do Cruzeiro. Portanto, não me surpreende a posição de jogadores do time veteranos contra jogadores da base assumirem posição de titular.

Os exemplos são inúmeros nos últimos anos e, invariavelmente, a torcida repele jogadores da base, critica técnicos que não usam a base, e se omite ante uma declaração como a feita por Ney Franco.

O quadro é caótico, não conheço nenhum grande time no Brasil que não tivesse jogadores da base em seu time principal e uma maioria no elenco. Surpreendentemente, aproveitar jogadores da base, para gerar receitas futuras e ter um time-base com poucos forasteiros, parece que não está nos planos do Cruzeiro. Contratar é o que importa e o que a torcida pede, jogadores da base sendo “rifados” com aplauso de torcedores das redes sociais.

Se bem que, considerando como verdadeiras as declarações de Ney Franco, os jogadores veteranos fizeram um papel deplorável em 2019 e continuaram em 2020.

Sassá

Um jogador dispensado do clube em que atuava, com salários absurdos e contrato obscuro, e que é aplaudido em seu retorno, não pode ser um bom indicador. Jogador medíocre e que foi aceito de volta como solução pelo técnico mas com óbices entre jogadores, parte da comissão técnica e direção.

Uma vez que este quadro de confusão estava montado, por quê insistir com o jogador?

A resposta é simples: É um ativo depreciado do clube e o contrato de cláusulas leoninas para todos, menos para o clube, tratava um jogador dispensável como “necessário”.

Sassá já não contava com um bom ambiente antes, e jogadores mais experientes deixavam isto claro e dizer que esta relação deteriorada não afetava o time em campo é muita inocência ou má-fé.

Ney Franco culpado ?

Enfim, tenho por hábito observar jogadores de linha por ao menos meia dúzia de partidas, como titulares e num time estável para avaliá-los. Entretanto, duas exceções devem ser diferenciadas, goleiro e treinador.

De fato, no caso do goleiro, entendo que é uma posição que somente jogando ele pode mostrar qualidades ou mitigar os defeitos. Goleiro no banco de reservas é estupidez de torcedor e birrinha de treinador burro.

No caso de treinador a situação é mais crítica. Embora ele seja responsável pelas escalações, muitas vezes pela indicação de contratações, não deve, em hipótese nenhuma ser julgado somente pelos resultados. E, certamente, um treinador que pega o time no meio de uma temporada, com elenco destroçado e situação ruim nos “bastidores”, ser avaliado em 7 (sete) partidas é coisa de gente idiota ( ver conceito de Idiotia ).

Em suma, não pelo que disse Ney Franco na supracitada entrevista. Tenho muito resistência ao estado de coisas que  futebol brasileiros chegou em relação aos treinadores, técnicos ou “professores”. Os “7 a 1” não serviram de nada e o rebaixamento do Cruzeiro não resultou em nenhum aprendizado.

Futuro

Os anos de 2019 e 2020 foram a pior sequência de temporada que vivenciei pelo Cruzeiro, 2021 “promete”. A troca de técnicos, desde a saída do famigerado Mano Menezes, até as passagens de Adílson Batista e Enderson Moreira são atenuantes que me levam a absolver Net Franco em tudo.

O Cruzeiro está, desde 2019, completamente sem rumo. As declarações de Ney Franco e a troca desesperada de treinadores e prova cabal da incompetência. Que me desculpem torcedores de redes sociais, dirigentes de mídia digital e o treinador “da vez ( Felipe Conceição ) mas não se faz uma limonada sem limões. Ficar nas redes sociais escalando time em função das contratações e “projetando” a temporada é burrice e punheta mental. Desse modo, não reclamem quando passarmos a criticar e questionar, vocês são uma piada até para os adversários.

Com toda a certeza, continuo torcedor do Cruzeiro, como sempre, só que fica chato ver que até adversários rurais são mais inteligentes que cruzeirenses. A analogia de Ney Franco sobre remadores nos remete a conceitos da gestão e administração. Numa organização qualquer quando uns remam ao contrário dos outros ou quando poucos remam e muitos se locupletam, não dá certo nunca, foi preciso quanto aos remadores azuis.

 

É VERDADE

Espaço destinado a verdades em Pindorama que se contar, ninguém acredita e, provavelmente, não serão notícias boas. Será feita ao menos uma indicação por texto e, eventualmente, mais de uma poderá ser publicada.

 

Imagem: Bruno Haddad / Cruzeiro Divulgação

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

  • Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindas.
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  • Algumas passagens e citações podem parecer estranhas mas fazem parte ou referem-se a textos ainda inéditos.

Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

 

4 comments for “Remadores Azuis by Ney Franco

  1. Ítalo Astoni
    18/02/2021 at 10:27

    Bom dia! É realmente lamentável quando existe divisão. A vida verdadeira é expressão de totalidade, de força de conjunto. Cada individualidade deve fazer o seu melhor, sempre olhando para o coletivo. Na saúde, quando a fragmentação se faz presente, a enfermidade aparece. Muitos desses que estão no cruzeiro, não têm compromisso com a Instituição. Por fim, espero que o novo diretor executivo de futebol possa ser competente para conduzir negociações, contratar, oportunizar a base na hora certa, enfim, gerenciar melhor o nosso futebol, tão maltratado em 2020. Um abraço azul!

    • 18/02/2021 at 12:30

      O cruzeirense tem vivido de esperanças. Pensar que Mazzuco pode ser a nossa salvação é ainda não ter
      percebido que as coisas nunca mais serão as mesmas e que não importam os nomes de diretores, técnicos,
      assessores etc. Há muito o Cruzeiro não é mais o mesmo e como disse o goleiro Fábio “… títulos desta
      década serviram para esconder muitos erros…” e ainda pagaremos caro por alguns deles.

  2. Licinio
    25/02/2021 at 18:04

    Boa análise meu caro. E ainda tem as declarações do Sóbis (“vcs nem imaginam o que rola no Cruzeiro. Na hora certo, vou falar”). Trocar o Mauricio pelo Potkker? Felipão pedir mais jogadores cascudos? E os salários pagos ao atual elenco? É….parece que ainda vamos sofrer mais alguns anos…..

    • 25/02/2021 at 19:19

      São questões complicadas que o povo de rede social nem imagina.
      Eu não diria que vamos “sofrer” pois nunca sofri por causa de futebol.
      Eu diria que “sofro” e fico muito triste é com a reação dos cruzeirenses.
      Abrem mão da realidade para “zoar rival” … DEU NISSO !

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