Incertezas - Françoise Ménager

Incertezas agravadas com a pandemia

Incertezas

Em tempos de colapso num servidor do CNPq(1) temos que, paradoxalmente, com toda a certeza, ter mais incertezas do que convicções. Por outro lado, temos que ser altamente céticos em relação a textos e artigos de ” autoridades ” sobre o otimismo que as redes sociais propagam.

Stephen Kanitz

Por exemplo, o preclaro pensador, economista pós-doutor de Harvard, Stephen Kanitz, faz algumas críticas aos críticos ( que ele denomina como pessimistas ). Assim sendo, do alto de suas titulações, faz um post simplista – 2020 a 2029(2) – em que se apresenta como minimalista no título e nas certezas que ele denominou ” pontos positivos “.

Eu arriscaria a dizer que a falácia do ” Apelo à autoridade ” é ali expressa com toda sua máxima representatividade e notoriedade.

O texto pode ser resumido na crítica a seguir transcrita:

Tenho lido páginas e páginas de pessimismo sobre a década perdida, justamente daqueles que nos perderam a década.

Vou colocar somente alguns pontos positivos com relação à próxima década, cheia de problemas não resolvidos por esses mesmos críticos.

Stephen Kanitz in “2020 a 2029”

Milhares, milhões de curtidas e aquiescências, em outras palavras, eu diria que a cumplicidade é quase como uma unanimidade e Nélson Rodrigues e outros pensadores estavam certos quanto a este tipo de unanimidade diante de tantas incertezas.

Incertezas e Certezas

Escrevi, pouco depois da publicação do texto de Kanitz, uma série de doze textos que refutam os pontos apresentados como positivos pelo eminente economista. Num dos textos sobre o crescimento das igrejas evangélicas(3) o economista fala sobre o trabalho e honestidade dos próceres destas igrejas.

Fico pensando nas evidências que Kanitz deve ter obtido para ter a certeza sobre a honestidade e o que isso tem de positivo para o Brasil de hoje.

Fundo do poço

Estou acompanhando mais textos do citado especialista sobre os pontos positivos que fez para os próximos anos. Nesse ínterim, leio sobre as previsões do Banco Mundial para o futuro da América Latina e escrevi com muitas incertezas ” Banco Mundial e a praga de 9 anos “. Alguns conhecidos, inclusive alguns economistas, timidamente, me parabenizaram pela coragem de criticar a celebridade da economia. Por outro lado, a maioria ” deu os ombros ” ou reproduziu alguma fake news sem o menor sentido de evidência.

O relatório do Banco Mundial é, certamente, bastante otimista em relação àquilo que devemos fazer nos próximos 9 ou 10 anos. Desse modo, no caso do Brasil, minha incerteza é, surpreendentemente, contrariando o otimismo de Kanitz, se chegaremos ao fundo do poço nos próximos 2 ou 3 anos.

Portanto, é mudar a nossa visão e até mesmo as leituras rápidas que fazemos das coisas e passarmos a ter mais incertezas do que certezas. Cada um tem o direito de ser otimista e pessimista, redes sociais são o mar infinito da fantasia e, inquestionavelmente, fico com o pensamento de Graça Leal.

Reprodução: www.pensador.com

Certezas

A frase de Maquiavel de que ” A Política tem pelo menos duas caras. A que se expõe aos olhos do público e a que transita nos bastidores do Poder “. Assim sendo, acredito que Maquiavel falava através de seus textos para o povo, fingindo dar lições ao povo. É provável que Maquiavel esteja sendo interpretado por tiranos que não deixam o povo ler o que Maquiavel escreveu, fosse em certas ditaduras. Estes déspotas contemporâneos devem pensar que ” Comuna ” tem a ver com guerra aos comunistas e não uma denominação de organização territorial na Itália.

Acima de tudo, neste mundo de incertezas, as redes sociais inundam a vida das pessoas com fantasia e ” certezas ” que não estão se confirmando. Perdemos a guerra das redes.

Incerteza é exatamente o contrário de evidências ou certezas, não tem, certamente, nada a ver com otimismo, pessimismo ou realismo. Sendo bem realista, as evidências de séries históricas e ações coletivas é que devem determinar o ponto entre a realidade e a tendência. Entretanto, não é a vontade de uma ou duas pessoas, e muito menos suas predições em textos de blogs que determinarão nosso futuro.

Considerando o médio e longo prazo, além da certeza de que estaremos todos mortos a longo prazo, toda a sociedade deveria se guiar menos pelas redes sociais naquilo que têm de ruim, como descrito por Graça Leal.

7 a 1

Em suma, devemos dimensionar de maneira correta aquilo que é incerto, aquilo que promove a dúvida, aquilo em que a maioria das pessoas assume com hesitação. Dessa forma, temos a obrigação de ser céticos e tirar do obscurantismo aqueles que seguem gurus ou que aceitam tudo que os guias e mitos espirituais e materialistas pregam nos púlpitos digitais.

As incertezas do amanhã, no pós-pandemia, são muito mais presentes do que as certezas e predições. Posso escrever algumas opiniões, como tenho feito, que podem dar certo e se concretizarem, desse modo, a única coisa que poderei dizer é: #Maktub ou #EuAvisei.

Infelizmente, vivemos num mundo da fantasia onde as redes sociais e perfis com milhões de seguidores são os ” donos do pedaço “.

Parece que Françoise Ménager tinha mais incertezas em 2018 e estava mais certo do que muitos, perdemos e os ” 7 a 1 ” foi até pouco !

 

(1) Servidor do CNPq queima e plataforma sai do ar

(2) 2020 a 2029 por Stephen Kanitz

(3) Ética Protestante, Unções e otimismo

 

Charge : Françoise Ménager in Les Echos

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

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Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

 

 

 

 

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