9 anos - Desemprego - adap. J Zoghbi

Banco Mundial e a praga de 9 anos

Avanço ou retrocesso

O Banco Mundial, em um relatório consistente de mais de 100 páginas, demonstra que serão necessários ao menos 9 anos para a economia se recuperar. A abordagem do relatório é sobre a crise de emprego e trabalho na América Latina no pós-COVID e como reverter o quadro.

Da mesma forma que as pragas ( reais e imaginárias ), não tem vacina ou remédio que resolva instantaneamente, portanto, não existe mágica. Desse modo, acredito que milagreiros e coaches não têm uma poção mágica que resolva um problema estrutural. Em suma, é querer que acreditemos em ” mitos ” e contos da carochinha.

Portanto, como não dá para confiar em mídias e redes sociais, resta-nos acreditar e pensar mais no que diz o relatório do Banco Mundial.

9 anos

Assim sendo, não usaremos o relatório do Banco Mundial como arma falaciosa do Apelo à Autoridade  ( Argumentum ad verecundiam ). O processo de recuperação da economia vai ser árduo, e parece que a maioria dos trabalhadores e população economicamente ativa ainda não percebeu.

Com toda a certeza, uma leitura rápida do relatório e leitura de comentários nas redes sociais, inclusive nas redes profissionais, como o Linkedin, assusta. Em outras palavras, do Governo Federal aos mais humildes influenciadores, a ” cartilha ” do Banco Mundial está sendo desprezada.

Com muita tristeza vejo ações do Poder Público mais preocupadas com as próximas eleições, sem a perspectiva de nos recuperarmos em 4 ou 5 anos.

Proteção Social

A certa altura do relatório, existe um subtítulo que confirma a minha impressão sobre os rumos do Brasil no pós-pandemia.

Preparar os trabalhadores para a
mudança: subsídios de retenção
(de curto prazo) e apoio ao
reemprego e à requalificação
(de longo prazo)

Fonte Banco Mundial: Relatório ” Employment in crisis

Venho escrevendo, desde que a pandemia começou, sobre as coisas e diversas disciplinas no pós-pandemia: Trabalho, Saúde, Educação, Home Office etc.

É aterrorizante quando constatamos que as pessoas não conseguem pensar além de curtíssimo prazo. É provável que as pessoas estejam sendo influenciadas pela necessidade de resposta rápida das redes sociais. Desse modo, a violência social ” mora ao lado ” e ignoramos ou deturpam tudo que foi realizado na última década.

Uma reeleição é o horizonte mais longínquo que os políticos e a maioria dos que têm acesso às redes sociais e Internet conseguem visualizar. A ” guerra ” por likes tem sido feroz e injusta com milhões que estão sendo desprotegidos e ainda taxados de preguiçosos ou inúteis, até por autoridades governamentais.

O que pode ser feito ?

Apoio e passarei a disseminar nos meus textos, embora saiba das limitações e barreiras desta iniciativa, tudo que o Banco Mundial coloca na questão de ações proativas.

É extremamente necessário que a assistência social e transferência de renda sejam expandidas e experimentadas onde não existe. Por exemplo, os Estados Unidos saíram na frente ao iniciar um programa muito parecido com o Bolsa-Família, que destina recursos para famílias que precisam e mantêm a educação de crianças. E pensar que, no Brasil, este programa sofre sérias ameaças e restrições, em benefício de remissões para bancos e devedores do fisco.

Ao contrário do que noticiaram alguns órgãos da mídia sobre o relatório do Banco Mundial, destaco as três atividades essenciais para quem entende e deseja esta recuperação;

Cadastro Social

O Banco Mundial dá destaque ao Brasil por ter o Cadastro Único como exemplo a ser seguido por outros países e, desse modo, avançar na identificação e classificação para adaptação a programas como “Renda Mínima”, “Salário Desemprego” e “Bolsa-Família”

Orçamentos Fixos

Ter orçamentos fixos e blindados contra as negociações que existem no Brasil e as emendas parlamentares, é essencial para que os programas possam atender aos mais carentes e dar-lhes condições de abandonar os programas com dignidade e sem clientelismo. Em outras palavras, pode parecer estranho, mas o Banco Mundial vê o que foi feito no Brasil como efetivo e exemplar.

“Guetos” Assistenciais

A atividade de evitar a criação e manutenção de ” guetos assistenciais ” é fundamental para ter equilíbrio e retomada do crescimento e desenvolvimento como também para eliminar o estigma que as oligarquias apontam no brasileiro sem privilégios.

É possível avançar ?

Num país em que cotas e programas como o ” Bolsa-Família ” ainda são utilizados para tentar mostrar que os desprovidos de tudo estão querendo privilégios, uma leitura atenta e disseminação deste relatório deveria ser obrigatória para todos os políticos e pensadores dos  problemas e dificuldades do país.

Entretanto, tem sido extremamente difícil falar e escrever sobre assuntos como este nas redes sociais. Por outro lado, quem está desprotegido tem sede e fome e talvez esta seja a estratégia de quem luta para manter o status quo ou para fazer parte dos que recebem as migalhas.

É possível avançar, mas será que queremos, enquanto nação e minoria dominante e com privilégios, avançar?

Particularmente, acho quase impossível avançar, por mais que o relatório do Banco Mundial mostra que o Brasil está mais avançado do que outros países da América Latina. O retrocesso social e econômico que vivenciamos fará com que estejamos sob o risco de não conseguir recuperar o que tínhamos 9 anos atrás.

Enfim, os brasileiros decidiram por este caminho, a pandemia é apenas uma pedra no caminho; resolvida ou amenizada a crise da pandemia, estaremos preparados para o resto?

Tenho muitas dúvidas e posso estar errado, entretanto, minha verve de realista inveterado não me abandona.

9 anos antes

Se tomarmos 9 anos atrás ( 2012 ) e projetarmos os próximos 9 anos, teremos uma geração inteira que deseja ter trabalho e emprego. Portanto, se tomarmos o estudo do Banco Mundial como referência e os dados de emprego e renda desde 2012, o quadro brasileiro é mais do que preocupante.

Quando o país perde 30 mil indústrias em seis anos(1) e o trabalho como motorista de aplicativo é incluído como reposição de vaga, a ” conta ” já chegou e estamos todos nos enganando a cada post publicado de um novo emprego.

Clama-se por trabalhadores qualificados, por outro lado, as demissões de profissionais experientes são vistas no setor público e privado como solução. Profissionais experientes, qualificados durante décadas, não servem nem para qualificar os mais novos, na visão até de ” especialistas ” em trabalho e emprego.

Em outras palavras, as taxas de desemprego dos últimos 9 anos e as condições de subemprego cresceram sem controle. Como se não bastasse, a extinção até das oportunidades de terceirização com posições comuns como limpeza e conservação estão ameaçadas sem possibilidade de recuperação.

Enfim, no país da guerra contra as saúvas, e onde existem defensores de imunização de rebanho, as ” formiguinhas ” estarão mortas de fome e sede antes de 9 anos.

 

(1) Brasil perde quase 30 mil indústrias em 6 anos

 

Charge: adaptação J Zoghbi

Nota do Autor

Reitero, dentre outras, o pedido feito em muitos textos deste blog e presente na página de “Advertências“.

  • Observações, sugestões, indicações de erro e outros, uma vez que tenham o propósito de melhorar o conteúdo, são bem vindos.
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  • Alguns textos são revisados, outros apresentam erros (inclusive ortográficos) e que vão sendo corrigidos à medida que tornam-se erros graves (inclusive históricos).
  • Algumas passagens e citações podem parecer estranhas mas fazem parte ou referem-se a textos ainda inéditos.

Agradeço a compreensão de todos e compreendo os que acham que escrevo coisas difíceis de entender, é parte do “jogo”.

 

 

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